….Meia-culpa da Globo mais esconde que revela sobre apoio à ditadura….

Mínimo que emissora podia fazer era aderir à Comissão da Verdade e abrir os seus arquivos….

Quando peruas de transmissão da Rede Globo começaram a ser vistas em comícios da campanha das Diretas-Já, em 1984, as pessoas entoavam canto que ficou célebre: o povo não é bobo.

O início da campanha das Diretas havia sido completamente ignorado nos telejornais da emissora. Se dependesse apenas de suas imagens, os brasileiros não saberiam o tamanho do movimento político que percorria o Brasil.

Trinta anos depois, de uma forma um pouco mais explícita, mas também para pegar carona na onda de manifestações, a Globo divulgou avaliação de que seu apoio ao golpe militar foi um erro e que a crítica ‘das ruas’ a esse respeito estava certa.

“A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”.

Provavelmente ainda a estaria apoiando se ela tivesse continuado no poder. O ato da emissora, agora, é mais ou menos como o arrependimento de um réu, que só se dá após sofrer as consequências de seu ato.

A admissão do ‘erro’ não passou, todavia, de uma meia culpa, pois em vários momentos o jornal tenha eximir-se da própria responsabilidade ao fazê-lo.

Primeiro, alegando que vários outros órgãos de imprensa também emprestaram o seu apoio, como se isto de alguma forma lhe isentasse de culpa.

Depois, justifica-se a si própria, utilizando hoje a tese propagada pelos militares de então: a absurda concepção de que o golpe foi dado para proteger a democracia. Uma espécie enviesada de legítima defesa de uma agressão que jamais ocorreu.

E enfim, de forma canhestra, o texto afirma que a reflexão sequer é nova, porque o próprio patrono da organização, que cresceu como nenhuma outra empresa de comunicação nos anos de chumbo, já havia feito anteriormente discursos críticos.

Mas o artigo que o editorial reproduz, duas décadas após o início da ditadura, afirma que Roberto Marinho “deixava clara a sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana” e ainda revelava uma relação da emissora de apoio duradouro ao regime, mantendo-se fiel “ao espírito da revolução”. Isso já em 1984…

O fato mais grave nem é que um grande empresário, como vários outros, tenha aderido de corpo e alma a um golpe contra a democracia. Sem eles, aliás, a ditadura jamais teria se imposto.

Mas que, em se tratando de um órgão de comunicação, tenha sepultado a sua própria razão de existir ao fazê-lo, pois para manter-se fiel ao espírito da ‘revolução’ (ou seja, golpe), impediu que muitas informações viessem à tona, mesmo depois do fim da censura.

Não foi por outra razão que a campanha das Diretas desaparecia das telas da Globo, como viria mais tarde a acontecer com a manipulação do debate que antecedeu a eleição de Collor e tantos outros fatos que a emissora optou em ocultar como se agisse na condução de um partido político –com a agravante de se tratar de uma concessão outorgada pelo Estado brasileiro.

Como nunca é tarde para admitir erros, o mínimo que a empresa de comunicação poderia fazer, para buscar agora a sua compliance, seria aderir integralmente, sem meios termos, aos propósitos da Comissão Nacional da Verdade e ajudar a reescrever a história devolvendo o turbilhão de informações que nos foram sonegadas nesses anos todos.

Em especial, abrindo os arquivos da promíscua relação entre imprensa e poder, que ajudou a dar longevidade à ditadura.

Menos do que isso, não passará de mais um oportunismo de ocasião. E como o povo não é bobo…

4 Comentários sobre ….Meia-culpa da Globo mais esconde que revela sobre apoio à ditadura….

  1. Anônimo 26 de setembro de 2013 - 05:31 #

    Olá.

    A expressão "meia culpa", a meu ver, errada, aparece no título e no sexto parágrafo do artigo.

    Creio que a expressão correta é "mea culpa", que vem do latim.

    Obviamente, não é necessário publicar este comentário.

    Um abraço.

  2. Marcelo Semer 27 de setembro de 2013 - 00:35 #

    "Meia culpa" é um trocadilho. Refere-se na verdade a uma culpa pela metade, admitida pela empresa.
    Mas se não deu para entender, então 'mea culpa' por deixar suficientemente claro.

  3. Marcelo Semer 27 de setembro de 2013 - 00:47 #

    por NÂO deixar suficientemente claro, quis dizer

  4. Anônimo 30 de março de 2014 - 21:05 #

    A Globo apóia a quem paga. Hoje o apoio é ao PT, e suas polpudas verbas de publicidade de Petrobras, Caixa etc.

Deixe uma resposta