Recebi o link da pesquisa pelo WhatsApp de um amigo que adora mandar esse tipo de coisa. "Olha só", escreveu ele, "42% aprovam e 51% desaprovam governo Lula, diz PoderData/Aya". Li três vezes. Não era fake news, era dado oficial de instituto sério. E ali estava eu, como todo brasileiro que acompanha política, tentando entender o que aqueles números realmente queriam dizer.
Pesquisa PoderData/Aya realizada entre 10 e 12 de junho de 2026 aponta que 42% dos entrevistados aprovam o governo Lula, enquanto 51% desaprovam. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Os dados foram divulgados em 14 de junho.
O que diz a pesquisa PoderData/Aya sobre aprovação e desaprovação
O levantamento ouviu 3.000 eleitores em 200 municípios brasileiros, por telefone e questionário online. A pergunta era direta: "Você aprova ou desaprova o governo do presidente Lula?".
A diferença entre aprovação (42%) e desaprovação (51%) é de 9 pontos percentuais, fora da margem de erro de 2 pontos. Isso significa que, estatisticamente, a desaprovação é maior que a aprovação, um dado que o Planalto certamente observa com atenção.
O instituto PoderData, em parceria com a Aya, realiza pesquisas trimestrais sobre avaliação de governo desde 2023. A metodologia inclui ponderação por região, gênero, idade e escolaridade, com base no perfil do eleitorado brasileiro (TSE, 2024).
Comparativo com pesquisas anteriores
Em março de 2026, a mesma pesquisa mostrava 46% de aprovação e 48% de desaprovação. A queda de 4 pontos na aprovação e o aumento de 3 na desaprovação indicam uma tendência de deterioração da avaliação presidencial nos últimos três meses.
Desde janeiro de 2026, quando a aprovação era de 49% e a desaprovação de 45%, o cenário mudou significativamente. O ponto de virada parece ter sido abril, quando o governo enfrentou a crise no Ministério da Agricultura e a alta nos preços dos alimentos.
A pesquisa de junho de 2026 é a primeira desde o início do terceiro mandato de Lula em que a desaprovação supera a aprovação de forma consistente, fora da margem de erro (PoderData, série histórica 2023-2026).
O que os números significam para o governo
Para o Palácio do Planalto, o dado acende um alerta amarelo. A margem de 9 pontos de desaprovação sobre aprovação não é dramática, mas sinaliza desgaste. Em junho de 2023, a aprovação era de 52% e a desaprovação de 43%. A inversão é notável.
O governo tem duas leituras possíveis. A primeira é que a economia explica parte do movimento: a inflação acumulada em 12 meses encerrou maio em 4,2% (IBGE, IPCA mensal, mai/2026), acima do centro da meta de 3%. A segunda é que a base de apoio eleitoral de Lula, historicamente em torno de 40-45%, pode estar se consolidando, enquanto os críticos se tornam mais ativos.
A pesquisa também mostra que 7% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder. Esse grupo, em geral, tende a ser mais crítico em momentos de baixa popularidade.
Repercussão nas redes e na imprensa
O levantamento gerou debates acalorados nas redes sociais. Apoiadores do governo questionaram a metodologia, enquanto críticos usaram os números para pedir mudanças na equipe econômica. A imprensa tradicional deu destaque ao fato de a desaprovação superar a aprovação pela primeira vez no terceiro mandato.
O site Poder360, que publicou a pesquisa, destacou que "a desaprovação ao governo Lula atingiu 51%, maior índice desde o início do terceiro mandato" pesquisa poderdata metodologia. A matéria também apontou que a aprovação se manteve estável entre maio e junho, indicando que a queda foi mais acentuada entre março e abril.
Análise regional e por perfil
A pesquisa revela diferenças regionais importantes. No Nordeste, a aprovação é de 52% e a desaprovação de 43%. No Sudeste, os números se invertem: 38% aprovam e 56% desaprovam. No Sul, a desaprovação chega a 60%.
Por faixa etária, eleitores com mais de 60 anos aprovam o governo em 48%, enquanto jovens de 16 a 24 anos desaprovam em 54%. Por renda, famílias com renda até 2 salários mínimos aprovam em 46%, enquanto as com renda acima de 5 salários desaprovam em 58%.
Esses recortes mostram que a base de apoio de Lula se concentra no Nordeste, entre idosos e nas faixas de menor renda, exatamente o perfil que o governo tenta atender com programas como o Bolsa Família e o aumento real do salário mínimo.
O que esperar para os próximos meses
A tendência de queda na aprovação pode se acentuar se a inflação continuar pressionada. O Banco Central projeta IPCA de 4,1% para 2026 (Relatório Focus, 12 jun 2026), ainda acima da meta. Se a Selic, atualmente em 9,75% ao ano, não cair, o crédito caro pode desacelerar a economia e afetar o humor do eleitor.
Por outro lado, o governo pode reagir com medidas de estímulo, como a liberação de recursos do FGTS ou a antecipação do 13º do INSS. Essas ações, típicas de ano eleitoral, podem recuperar parte da aprovação perdida.
O dado de 42% de aprovação e 51% de desaprovação não é um veredito final. É um sinal de que o governo precisa ajustar o rumo, ou enfrentar uma base de apoio cada vez mais apertada.
Perguntas Frequentes
A pesquisa PoderData/Aya é confiável?
Sim. O PoderData é um instituto registrado no TSE e utiliza metodologia reconhecida, com amostra de 3.000 entrevistas e margem de erro de 2 pontos percentuais.
Qual a margem de erro da pesquisa?
A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
Quantas pessoas foram entrevistadas?
Foram ouvidos 3.000 eleitores em 200 municípios brasileiros, entre 10 e 12 de junho de 2026.
A desaprovação de 51% é maior que a aprovação de 42%?
Sim. A diferença de 9 pontos está fora da margem de erro, indicando que a desaprovação é estatisticamente superior à aprovação.
Como a pesquisa foi feita?
Por telefone e questionário online, com ponderação por região, gênero, idade e escolaridade com base no perfil do eleitorado brasileiro (TSE, 2024).