"A gente vai defender a liberdade de você, trabalhador, escolher qual é a sua escala de trabalho." A frase, dita à Record TV neste domingo (30), resume a aposta do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para furar o debate sobre o fim da escala 6x1. Na prática, ele prefere não revelar como votará no Senado, mas deixou clara sua alternativa: jornada flexível, negociada diretamente com o empregador, e remuneração proporcional às horas trabalhadas.
A proposta em discussão no Congresso prevê reduzir a jornada semanal e acabar com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso. O texto deve ser analisado pelo Senado nesta semana. Enquanto isso, Flávio aposta na negociação individual como caminho. "Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estando na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser. Você vai montar a sua escala de trabalho", declarou.
O senador argumentou que a flexibilidade poderia atender necessidades diferentes. Citou o caso de uma mulher que não tem com quem deixar os filhos e só pode trabalhar quatro horas por dia. Para ele, ela poderia escolher o turno, manhã ou tarde, e fazer um acordo com o empregador. "Vamos ter essa flexibilidade, vamos dar liberdade para as pessoas decidirem", disse. Quem quiser trabalhar mais horas também teria a possibilidade, com pagamento proporcional. "Você vai ser remunerado pela quantidade de horas que você trabalhar", enfatizou.
A proposta chega em um momento em que a escala 6x1 virou pauta nas redes e no Congresso. Mas, na prática, a ideia de Flávio transfere a decisão para o acordo entre as partes, sem mexer na regra geral. Resta saber se o Senado vai acolher a alternativa ou se o texto original prevalece. reforma trabalhista e jornada flexível
Enquanto o debate esquenta, o trabalhador que sonha em montar a própria escala segue esperando. A promessa de liberdade, por ora, é só discurso de palanque. A entrega, como sempre, fica para depois da votação.