"Não queremos decisões precipitadas", diz CNI sobre retaliação aos EUA
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defendeu que o Brasil mantenha negociações com os Estados Unidos após o anúncio de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que a prioridade deve ser preservar o diálogo e evitar decisões precipitadas que possam gerar mais problemas do que soluções.
CNI pede cautela após tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros
Em 23 de julho de 2026, o presidente da CNI, Ricardo Alban, declarou que o Brasil deve priorizar o diálogo com os Estados Unidos depois do anúncio de uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita na saída de uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa.
Alban comentou a nota divulgada pelo governo brasileiro sobre a Lei da Reciprocidade Econômica. Ele afirmou que acionar os instrumentos previstos na legislação não significa aplicá-los imediatamente. "O que nós não queremos criar é decisões precipitadas que propiciem mais problemas do que soluções", disse.
Estratégia permanente para a indústria brasileira
O presidente da CNI defendeu que a prioridade deve ser estruturar uma política permanente para fortalecer a inserção internacional da indústria brasileira. Ele afirmou que mecanismos de defesa comercial são legítimos, desde que considerem os impactos sobre as cadeias produtivas e preservem espaço para uma solução negociada.
Alban também disse que serão necessárias medidas emergenciais para dar suporte às empresas. O governo federal já anunciou, em 22 de julho, um programa de financiamento para setores afetados pelas tarifas anteriores, de 25%.
Impactos da tarifa sobre a competitividade
De acordo com Alban, a nova tarifa ainda precisa ser detalhada para verificar quais setores serão atingidos, quais produtos ficarão fora da cobrança e se haverá incidência cumulativa com tarifas já anunciadas pelos Estados Unidos. Ele afirmou que, caso a nova cobrança seja somada às tarifas já aplicadas, a competitividade dos manufaturados brasileiros ficará ainda mais comprometida.
O dirigente também disse que parte das exportações atingidas envolve operações entre empresas instaladas nos dois países, o que também produz efeitos sobre a indústria norte-americana.
Grupo de trabalho e busca por mercados alternativos
Segundo Alban, será formado um grupo de trabalho para reunir os setores mais afetados e buscar mercados alternativos para as exportações. A medida visa minimizar os impactos da nova tarifa sobre a indústria brasileira.
Participação do setor privado nas negociações
Alban voltou a defender que representantes do setor privado participem das negociações bilaterais. Ele disse que a CNI encaminhou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitando a manutenção da mesa de diálogo com a presença de industriais brasileiros e norte-americanos.
Perguntas Frequentes
O que a CNI defende sobre a retaliação aos EUA?
A CNI defende que o Brasil mantenha negociações com os Estados Unidos e evite decisões precipitadas, acionando os instrumentos da Lei da Reciprocidade Econômica apenas após avaliar os impactos.
Quem é Ricardo Alban?
Ricardo Alban é o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Ele defendeu o diálogo com os EUA após o anúncio da tarifa de 12,5%.
Qual foi a reunião de Ricardo Alban?
A declaração foi feita na saída de uma reunião com o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, em 23 de julho de 2026.
O que o governo já anunciou para os setores afetados?
O governo federal anunciou, em 22 de julho, um programa de financiamento para setores afetados pelas tarifas anteriores, de 25%.
Haverá grupo de trabalho para buscar mercados alternativos?
Sim, segundo Alban, será formado um grupo de trabalho para reunir os setores mais afetados e buscar mercados alternativos para as exportações.
A CNI enviou carta a Donald Trump?
Sim, a CNI encaminhou uma carta ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, solicitando a manutenção da mesa de diálogo com a presença de industriais brasileiros e norte-americanos.