O contrato futuro do açúcar bruto fechou em alta de 2,7% na ICE Futures US, em Nova York, nesta quinta-feira, impulsionado pelo avanço do petróleo e pela expectativa de maior demanda por etanol no Brasil. O movimento reflete a correlação entre as commodities energéticas e a cana-de-açúcar.
O contrato para maio fechou a 24,50 centavos de dólar por libra-peso, segundo dados da ICE. O petróleo Brent avançou 1,8%, o que torna o etanol mais competitivo como combustível. A alta do petróleo estimula a produção de etanol, que por sua vez reduz a oferta de açúcar no mercado global.
Por que o açúcar subiu com o petróleo?
A relação entre açúcar e petróleo é direta: cerca de 60% da cana-de-açúcar no Brasil é destinada à produção de etanol. Quando o petróleo sobe, o etanol fica mais atrativo, e as usinas desviam a cana para o biocombustível, reduzindo a oferta de açúcar. Isso pressiona os preços para cima.
Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), a produção de etanol hidratado cresceu 12% na última safra, enquanto a de açúcar recuou 4%. O movimento de alta do petróleo reforça essa tendência.
Expectativa sobre etanol no Brasil
O mercado acompanha de perto a política de preços da Petrobras. A estatal anunciou um reajuste de 5% na gasolina nas refinarias, o que eleva a competitividade do etanol nos postos. O etanol hidratado já representa 45% do consumo de combustíveis leves no país.
A expectativa é que a safra 2026/27, que começa em abril, registre um mix mais equilibrado entre açúcar e etanol. As usinas do Centro-Sul, responsáveis por 90% da produção nacional, devem destinar 48% da cana para o etanol, segundo projeções da consultoria Datagro.
Impacto no mercado global de açúcar
A alta em NY reflete também o aperto na oferta global. A produção na Índia, segundo maior produtor mundial, deve cair 8% nesta safra devido ao clima seco. A Tailândia, terceira maior, registra recuperação gradual, mas ainda abaixo da média histórica.
O Brasil, maior produtor e exportador, deve colher 620 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A produção de açúcar deve ficar em 40 milhões de toneladas, volume semelhante ao da safra anterior.
O que esperar para os próximos meses?
Analistas do Rabobank projetam que o açúcar deve oscilar entre 23 e 26 centavos de dólar por libra-peso nos próximos meses, com viés de alta. O cenário depende da evolução dos preços do petróleo e da definição da política de etanol nos Estados Unidos.
O governo americano estuda aumentar a mistura de etanol na gasolina para 15%, o que elevaria a demanda global pelo biocombustível. Se confirmado, o movimento pode pressionar ainda mais os preços do açúcar.
Perguntas Frequentes
Por que o açúcar subiu 2,7% em NY?
O contrato futuro do açúcar bruto fechou em alta de 2,7% na ICE Futures US, impulsionado pelo avanço do petróleo e pela expectativa de maior demanda por etanol no Brasil.
Qual a relação entre açúcar e petróleo?
Cerca de 60% da cana-de-açúcar no Brasil é usada para produzir etanol. Quando o petróleo sobe, o etanol fica mais competitivo, e as usinas reduzem a produção de açúcar, elevando os preços.
O que esperar para o preço do açúcar em 2026?
Analistas projetam que o açúcar deve oscilar entre 23 e 26 centavos de dólar por libra-peso, com viés de alta, dependendo do petróleo e da política de etanol nos EUA.
Como a safra brasileira de cana impacta o mercado?
O Brasil deve colher 620 milhões de toneladas de cana na safra 2026/27, com produção de açúcar estimada em 40 milhões de toneladas, volume estável em relação à safra anterior.
O reajuste da gasolina pela Petrobras afeta o etanol?
Sim. O reajuste de 5% na gasolina eleva a competitividade do etanol nos postos, estimulando a demanda e reduzindo a oferta de açúcar no mercado global.