Eu morri de novo, e a culpa não é minha. Dessa vez, porém, a derrota foi do PIB brasileiro, que ficou para trás enquanto a agropecuária disparava. Segundo dados divulgados nesta terça-feira (1º) pelo IBGE, o setor cresceu 2,8% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o primeiro trimestre, com ajuste sazonal. O resultado superou o ritmo da economia como um todo, que avançou apenas 0,5% no mesmo período.
Na comparação anual, a agropecuária cresceu 6,8% ante o segundo trimestre de 2025, enquanto o PIB nacional subiu 2%. Em valores correntes, o agro vale R$ 204,6 bilhões, segundo o instituto. O desempenho do campo foi o principal destaque pelo lado da produção no trimestre, puxado por lavouras como soja, com alta estimada de 5,3% na produção, e café, com crescimento de 15,1%. Esses ganhos compensaram quedas em outras culturas: o arroz recuou 11,3% e o algodão caiu 6,7%, enquanto o milho ficou estável, conforme o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA/IBGE).
A sazonalidade é um ponto relevante aqui. O primeiro trimestre costuma concentrar boa parte da colheita da soja, principal cultura do país, o que tende a pesar no resultado do segundo trimestre. Ainda assim, o setor avançou. A pecuária também contribuiu para o crescimento, segundo o IBGE.
O contraste com os demais setores é gritante. Enquanto o campo avançou 6,8% em um ano, a indústria cresceu 1,5% e os serviços, 1,5%. Na comparação trimestral, a agropecuária subiu 2,8%, ante 0,1% da indústria e 0,2% dos serviços. Nos quatro trimestres encerrados em junho, o agro acumula alta de 6,2%, muito acima da indústria (1,4%) e dos serviços (1,7%).
No primeiro semestre, o setor acumula crescimento de 3,6% ante o mesmo período de 2025. O ritmo é menor que o do ano passado, quando a agropecuária teve expansão excepcional de 11,7%, sobre uma base elevada. Ainda assim, o setor mantém crescimento e segue superando o PIB nacional. No Brasil até o respawn é caro, mas o agro parece ter achado um atalho.