# Alckmin diz que Brasil não quer guerra comercial com EUA e prepara socorro

> O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou que o Brasil não busca guerra comercial com os EUA, utilizando a Lei da Reciprocidade como instrumento institucional. O governo brasileiro prepara socorro a setores impactados pelo tarifaço de 25% sobre exportações, que afeta US$ 7,4 bilhões em vendas ao mercado americano.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 22 de julho de 2026 · Babi Cordeiro*

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o Brasil não quer guerra comercial com os EUA, mas usa a Lei da Reciprocidade como instrumento institucional. O governo prepara socorro a setores atingidos pelo tarifaço de 25%, que afeta US$ 7,4 bi em exportações.

Senta que lá vem história: o Brasil resolveu não entrar na briga de olho por olho com os Estados Unidos, mas também não vai ficar parado. O vice-presidente Geraldo Alckmin foi a público nesta terça-feira (21) e mandou o recado: a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso em 2025, não é uma retaliação ao tarifaço de 25% imposto por Donald Trump. É, segundo ele, um instrumento institucional para corrigir o que o governo brasileiro considera injusto.

O vice-presidente disse que a ideia não é guerra comercial. "Dizem que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso", afirmou Alckmin, ao lado do ministro Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).

A sobretaxa de 25% atinge cerca de 18% das exportações brasileiras para os EUA, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões. Máquinas, equipamentos, autopeças, eletroeletrônicos, calçados e outros produtos industriais estão entre os mais expostos. O mercado americano absorve cerca de um quarto das vendas externas brasileiras de máquinas e equipamentos e é o principal destino do setor eletroeletrônico nacional.

O governo estruturou a reação em três eixos: apoio financeiro às empresas, abertura de novos mercados e diálogo com os setores produtivos. Uma das medidas em elaboração é a abertura de linhas de crédito pelo programa Brasil Soberano, voltadas a capital de giro e investimentos de empresas que comprovarem prejuízos com as tarifas.

Outra frente é a flexibilização temporária do regime de drawback, que suspende, reduz ou devolve tributos sobre insumos de produtos exportados. A ideia é dar mais prazo para empresas que não conseguem cumprir contratos nos EUA encontrarem outros compradores sem perder os benefícios.

Enquanto isso, a ApexBrasil prepara ações para colocar os produtos atingidos em outros mercados. Índia, México, Singapura, Japão e países do Sudeste Asiático são os destinos prioritários. O governo também quer acelerar acordos do Mercosul com a União Europeia, a EFTA e Singapura. Uma missão oficial à Índia está prevista para abrir oportunidades para fabricantes de máquinas e equipamentos.

O governo ainda aguarda para sexta-feira (24) uma possível nova sobretaxa de 12,5% dos EUA, relacionada a acusações de falhas no combate ao comércio de produtos com trabalho forçado. O Itamaraty contestou os argumentos americanos, classificando-os como incorretos e arbitrários. Se confirmada e aplicada cumulativamente, a tarifa total pode chegar a 37,5%.

A tarifa de 25% começou a valer nesta quarta-feira (22). Mercadorias em trânsito internacional têm isenção até 29 de julho. Até lá, o Ministério do Desenvolvimento pretende concluir reuniões com setores de plásticos, máquinas, veículos, autopeças, borracha e calçados para definir a versão final do pacote de socorro.

## Perguntas Frequentes

### O que é a Lei da Reciprocidade?

A Lei da Reciprocidade foi aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional em 2025. Ela permite ao Brasil adotar contramedidas diante de barreiras comerciais unilaterais, mas exige etapas como análises técnicas, consultas e audiências públicas antes de qualquer decisão.

### Quais setores são mais afetados pelo tarifaço?

Máquinas, equipamentos, autopeças, eletroeletrônicos, calçados e outros produtos industriais estão entre os segmentos mais expostos à sobretaxa de 25%.

### O que o governo está fazendo para ajudar as empresas?

O governo prepara linhas de crédito pelo programa Brasil Soberano, flexibilização do regime de drawback e ações da ApexBrasil para abrir novos mercados, como Índia, México e Singapura.

### Quando a tarifa de 25% começou a valer?

A tarifa começou a valer em 22 de julho de 2026. Mercadorias em trânsito têm isenção até 29 de julho.

### O que pode acontecer com a tarifa de 12,5%?

O governo aguarda uma decisão dos EUA para sexta-feira (24). Se confirmada e aplicada cumulativamente, alguns produtos podem enfrentar tarifa total de até 37,5%.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/alckmin-diz-brasil-nao-quer-guerra-comercial-eua-prepara-socorro-setores-atingid/
