Sabe quando você tenta organizar a vida financeira, paga uma conta, e outra aparece? Foi mais ou menos assim que me senti ao ler o anúncio da prorrogação do Desenrola 2.0. O governo quer dar mais tempo para as famílias respirarem, mas os números mostram que ainda estamos engasgados.
O governo prorrogou o Desenrola 2.0 até agosto para incentivar o consumo das famílias, facilitando a quitação de dívidas. A medida não exige novos aportes do FGO. No entanto, a inadimplência das pessoas físicas subiu para 5,6% em junho, segundo dados do Banco Central, e os efeitos do programa ainda não são claros nos indicadores.
Desenrola 2.0: o que muda com a prorrogação
Dario Durigan anunciou, nesta terça-feira (28), a prorrogação do Desenrola 2.0 até o fim de sua vigência, prevista para o final de agosto. Segundo Durigan, a medida não demandará novos aportes do FGO (Fundo Garantidor de Operações) e não contará com novas restrições ou alterações no programa.
Para a editora e analista de Economia da CNN, Lucinda Pinto, a prorrogação tem como principal objetivo incentivar o consumo das famílias, facilitando a quitação de dívidas e a obtenção de crédito junto a instituições financeiras.
Inadimplência em alta: 5,6% mesmo com o programa
Segundo Lucinda Pinto, os dados mais recentes do Banco Central, referentes ao mês de junho, mostram que a inadimplência das pessoas físicas cresceu para 5,6%, mesmo com o programa em vigor. "Quando a gente olha para os números de inadimplência, a gente não consegue ainda perceber o resultado desse programa", afirmou Lucinda.
A analista explica que, embora parte das famílias tenha conseguido renegociar suas dívidas e sentido algum alívio no orçamento, o endividamento ainda está amplamente disseminado entre os inadimplentes, que deviam a múltiplas instituições, inclusive em contas de consumo.
Famílias ainda se reorganizando para consumir
Lucinda destacou ainda que muitas famílias conseguiram resolver apenas uma parte de suas dívidas e ainda estão se reorganizando financeiramente para retomar o consumo e o acesso ao crédito. "Muitas famílias conseguiram resolver uma parte das dívidas, mas elas estão ainda se organizando para realmente voltarem a poder tomar crédito, a poder consumir", explicou a analista.
Por isso, na avaliação dela, a prorrogação busca ampliar o prazo para que as renegociações se concretizem e produzam efeito real no bolso dos consumidores.
R$ 250 bilhões em estímulos e o alerta fiscal
A analista da CNN apontou que o Desenrola 2.0 faz parte de um conjunto mais amplo de iniciativas adotadas pelo governo neste ano para estimular a economia e o consumo das famílias. Entre as medidas citadas estão a liberação do Fundo de Garantia, o Vale Gás e financiamentos para motoristas de aplicativo. No total, segundo a editora, analistas estimam que o conjunto dessas ações representa um gasto superior a R$ 250 bilhões.
"Esse monte de dinheiro, esses R$ 250 bilhões que estão sendo colocados na economia, claro, comprometem ainda mais a condição fiscal", alertou Lucinda.
Efeito colateral: juros podem cair mais devagar
Lucinda ponderou que, se a população permanecer com elevado nível de inadimplência, as demais medidas do governo perderão efetividade e não produzirão o impacto pretendido sobre a atividade econômica. Por outro lado, a analista reconheceu que há um lado positivo na iniciativa, que pode levar as pessoas a retomar o consumo. No entanto, ela ressaltou que o efeito colateral desse conjunto de gastos é o agravamento do endividamento público, o que contribui para limitar o ritmo de corte da taxa de juros no Brasil.
Perguntas Frequentes
O Desenrola 2.0 foi prorrogado até quando?
Até o final de agosto, conforme anunciado por Dario Durigan nesta terça-feira (28).
O programa vai receber novos aportes do FGO?
Não. Segundo Durigan, a prorrogação não demandará novos aportes do Fundo Garantidor de Operações.
A inadimplência caiu com o Desenrola 2.0?
Não. Os dados do Banco Central de junho mostram que a inadimplência das pessoas físicas subiu para 5,6%.
Quais outras medidas o governo adotou para estimular a economia?
Liberação do Fundo de Garantia, Vale Gás e financiamentos para motoristas de aplicativo, totalizando mais de R$ 250 bilhões em estímulos.
A prorrogação pode afetar a taxa de juros?
Sim. O agravamento do endividamento público, segundo Lucinda Pinto, contribui para limitar o ritmo de corte da taxa de juros no Brasil.