Análise: Qual o impacto do novo bloqueio dos Houthis em Bab El-Mandeb?
Senta que lá vem história. Os Houthis do Iêmen acabam de anunciar um bloqueio naval contra a Arábia Saudita no Estreito de Bab el-Mandeb, uma das artérias mais vitais do comércio global. A medida reacende tensões e coloca em xeque o abastecimento de petróleo do mundo.
O novo bloqueio dos Houthis no Estreito de Bab el-Mandeb ameaça paralisar as exportações de petróleo da Arábia Saudita, que já caíram de 10 para 7 milhões de barris por dia. Sem rotas alternativas viáveis no curto prazo, a medida impacta 7% do petróleo consumido no mundo e força navios a contornar a África, adicionando 6 mil km à rota.
O que mudou para a Arábia Saudita?
Antes do fechamento do Estreito de Ormuz, uma parcela pequena do petróleo saudita era escoada pelo oleoduto Leste-Oeste, que transporta o produto até o Mar Vermelho, com ponto final no Porto de Yanbu. Isso mudou a partir de março, com o avanço do conflito entre EUA e Irã. Em abril, todo o petróleo produzido pela Arábia Saudita passou por Bab el-Mandeb.
Com este novo bloqueio, a Arábia Saudita fica sem uma rota viável de exportação. "A Arábia Saudita para de exportar petróleo. Não tem por onde ir no momento", explicou o analista de Internacional Lourival Sant'Anna durante o CNN Prime Time desta segunda-feira (20).
O impacto além do petróleo
Além do petróleo, o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb afeta diretamente o acesso da Ásia à Europa. Navios provenientes da China, Índia, Japão, Coreia do Sul e do Sudeste Asiático utilizam essa rota, atravessando o Oceano Índico, subindo pelo Mar Vermelho e acessando o Canal de Suez rumo ao Mar Mediterrâneo.
Com o bloqueio, a alternativa seria contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, o que representa 6 mil quilômetros a mais e de 10 a 15 dias adicionais de navegação.
Um déjà-vu dos Houthis
Sant'Anna lembrou que os Houthis já haviam adotado medida semelhante no final de 2023, em solidariedade ao Hamas, conseguindo fechar em grande medida o tráfego pelo estreito. Na ocasião, o Estreito de Ormuz ainda funcionava como rota alternativa. Agora, com Ormuz também comprometido pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, a Arábia Saudita se vê sem alternativas imediatas.
O que esperar no curto e longo prazo?
"No médio e longo prazo, isso estimula a criação de alternativas, de oleodutos, de rotas alternativas. Mas demora", ponderou o analista. Para Sant'Anna, no curto prazo o bloqueio representa uma arma extremamente eficaz nas mãos do Irã, embora, estrategicamente, no longo prazo, o país possa perder esse fator de pressão à medida que o mundo desenvolva rotas alternativas.
"Estrategicamente, no longo prazo, o Irã está dando um tiro no pé. Ele vai perder esse fator dissuasório no futuro, porque o mundo não vai mais contar com o Estreito de Ormuz. Mas agora, no curto prazo, é uma arma extremamente eficaz", concluiu.
O que podemos aprender com isso?
Nós, que acompanhamos geopolítica de perto, vemos um padrão se repetir: bloqueios navais como armas de pressão. Mas, como bem lembrou o analista, o mundo se adapta. A pergunta que fica é: quanto tempo levará para surgirem rotas alternativas? Enquanto isso, o comércio global e o preço do petróleo seguem reféns dessa dança estratégica.
Perguntas Frequentes
O que é o Estreito de Bab el-Mandeb?
É um estreito localizado entre o Iêmen e Djibuti, que conecta o Mar Vermelho ao Oceano Índico, sendo uma das rotas mais importantes para o transporte de petróleo e comércio entre Ásia e Europa.
Como o bloqueio afeta o preço do petróleo?
Com a Arábia Saudita exportando 7 milhões de barris por dia (7% do consumo mundial), o bloqueio pode reduzir a oferta global, pressionando os preços para cima.
Qual a diferença entre este bloqueio e o de 2023?
Em 2023, os Houthis fecharam em grande medida o tráfego, mas o Estreito de Ormuz ainda era uma alternativa. Agora, Ormuz também está comprometido pelo conflito entre EUA e Irã.
Quanto tempo leva para contornar a África?
A rota alternativa pelo Cabo da Boa Esperança adiciona 6 mil quilômetros e de 10 a 15 dias de navegação.
O Irã está por trás do bloqueio?
Segundo a análise, no curto prazo o bloqueio é uma arma eficaz nas mãos do Irã, embora no longo prazo o país possa perder esse fator de pressão com o desenvolvimento de rotas alternativas.
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