# Voepass diz que atuava com padrões internacionais após relatório do Cenipa

> A Voepass afirmou que operava com padrões internacionais de segurança após relatório do Cenipa sobre o acidente em Vinhedo (SP) que matou 62 pessoas. A empresa defendeu a tripulação e destacou a certificação IOSA, obtida desde 2012, como evidência de conformidade com normas globais de aviação.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 24 de julho de 2026 · Babi Cordeiro*

A Voepass afirmou que atuava com padrões internacionais de segurança após relatório do Cenipa sobre o acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP). A empresa defende a tripulação e destaca a certificação IOSA desde 2012.

Senta que lá vem história. Na quinta-feira (23.jul.2026), a Voepass soltou uma nota dizendo que "sempre esteve pautada em padrões de segurança internacionais". O comunicado veio horas depois de o Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) apresentar o relatório final sobre o acidente que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024.

A Voepass diz que atuava com padrões internacionais de segurança, mas o que o relatório do Cenipa mostrou? Vamos aos detalhes.

## O que a Voepass disse sobre o acidente

A empresa reconhece que a queda do avião foi "o episódio mais difícil" da história. Mas defende que a tripulação era experiente, capacitada e certificada. Segundo a Voepass, os pilotos acumulavam mais de 5.000 horas de voo e tinham treinamentos técnicos e acompanhamentos de saúde "rigorosamente atualizados, sem qualquer registro prévio ou fator que impedisse sua atuação".

A companhia opera há mais de 30 anos na aviação brasileira e detém a certificação IOSA desde 2012. A Iata (Associação Internacional de Transportes Aéreos) descreve a IOSA como "um requisito de excelência operacional emitido apenas para empresas auditadas". É um sistema internacional que avalia os sistemas de gestão e controle operacional de uma companhia aérea.

"Desde o início das apurações, a Voepass atua de forma transparente junto ao Cenipa e às autoridades públicas e segue à disposição de todas as instituições e agentes envolvidos para colaborar com o que for necessário", diz a nota.

## O que diz o relatório do Cenipa

A nota da Voepass contrasta com o relatório do Cenipa. A investigação aponta que houve 8 avisos à tripulação sobre acúmulo de gelo nas asas, motivo que levou à queda do avião. Em uma das ocorrências, o piloto reconheceu ter esquecido de ativar o sistema de degelo e informou ao copiloto que o teria acionado. O sistema, no entanto, permaneceu desligado.

A caixa-preta registrou que, durante os alertas, o piloto e o copiloto conversavam sobre assuntos pessoais. O Cenipa sinaliza ainda que o piloto enfrentava problemas pessoais que afetaram negativamente seu desempenho. Sob estresse, os investigadores concluíram que a tripulação entrou em estado de "surdez e cegueira por desatenção" e não reagiu de forma adequada à gravidade da situação.

## Os problemas antes da decolagem

Segundo o Cenipa, a aeronave partiu de Cascavel com 10 itens em pane registrados na MEL (Lista Mínima de Equipamentos), mecanismo que autoriza operações temporárias com equipamentos inoperantes, desde que cumpridas restrições técnicas e de prazo.

Um desses itens era o limpador do para-brisa, e a própria MEL proibia a decolagem quando houvesse previsão de chuva numa janela de uma hora antes até uma hora depois do horário de partida, além de restrições equivalentes para o destino e o aeroporto alternativo.

A documentação meteorológica entregue aos pilotos antes do voo indicava possibilidade de formação de gelo severo entre os níveis de voo 120 e 210. O avião era certificado para operar em condições de gelo com os sistemas de proteção ativos, mas não estava autorizado a permanecer em condições de gelo severo.

## O que significa o relatório do Cenipa

O relatório encerra a investigação técnica da Força Aérea Brasileira sobre o acidente, que figura entre os maiores desastres aéreos do país desde a queda do avião da TAM, em 2007.

As apurações do Cenipa têm caráter preventivo. O órgão identifica fatores contribuintes e emite recomendações de segurança, sem atribuir responsabilidade criminal, tarefa reservada às autoridades policiais e judiciais.

## Perguntas Frequentes

### A Voepass admitiu culpa pelo acidente?

Não. A empresa afirma que sempre atuou com padrões internacionais de segurança e defende a tripulação como experiente e certificada.

### O que é a certificação IOSA?

É um sistema internacional da Iata que avalia os sistemas de gestão e controle operacional de uma companhia aérea. A Voepass detém a certificação desde 2012.

### Quantos alertas de gelo a tripulação recebeu?

Segundo o relatório do Cenipa, foram 8 avisos sobre acúmulo de gelo nas asas.

### O piloto ativou o sistema de degelo?

Não. O piloto reconheceu ter esquecido de ativar o sistema e informou ao copiloto que o teria acionado, mas o sistema permaneceu desligado.

### O relatório do Cenipa atribui responsabilidade criminal?

Não. As apurações do Cenipa têm caráter preventivo. A responsabilidade criminal é reservada às autoridades policiais e judiciais.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/apos-relatorio-voepass-diz-atuava-padroes-internacionais/
