A Argentina registrou um recorde histórico nas exportações de produtos lácteos entre janeiro e julho de 2026. O país vendeu ao exterior o equivalente a 1,84 bilhão de litros de leite, um crescimento de cerca de 20% frente ao mesmo período do ano anterior. Em valor, as vendas somaram US$ 987 milhões, alta de 18% na comparação anual, conforme a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Pesca da Argentina.
O resultado representa o maior faturamento e volume já registrados para o período. Os 1,84 bilhão de litros equivalentes correspondem a 29% de toda a produção de leite do país, ou seja, praticamente três de cada dez litros produzidos na Argentina tiveram o mercado internacional como destino. O consumo interno, por sua vez, alcançou 4,99 bilhões de litros, aumento de 4% em relação ao mesmo período de 2025.
O Brasil foi o principal destino dos lácteos argentinos no acumulado até julho, seguido por Argélia, Chile e China. A proximidade geográfica e a integração comercial entre os dois países ajudam a explicar a relevância do mercado brasileiro para a indústria argentina, segundo o ministério. Entre os principais produtos exportados estão leite em pó integral, soro de leite, muçarela, queijos semiduros e manteiga.
O leite em pó tem peso central na pauta. Dados do Observatório da Cadeia Láctea Argentina (OCLA) mostram que, até julho, 40,6% do valor exportado pelo setor vinha do leite em pó, enquanto os diferentes tipos de queijo respondiam por 27,8%. O movimento dos lácteos acompanha a expansão das exportações agroindustriais argentinas: nos primeiros sete meses de 2026, o país exportou 74,3 milhões de toneladas, alta de 13%, com faturamento de US$ 32,5 bilhões, aumento de 15%. Os lácteos cresceram 14%.
Se o ritmo observado até julho continuar, 2026 pode se tornar o ano de maior exportação de lácteos da história argentina, superando níveis anteriores, projeta a OCLA. O avanço ganha importância para o Brasil porque ocorre em momento de forte pressão da cadeia leiteira nacional contra o aumento das importações. Como mostrou a CNN Brasil, as compras brasileiras de leite em pó cresceram 66% entre 2023 e 2025, chegando ao equivalente a 2,2 bilhões de litros no ano passado, com Argentina e Uruguai respondendo pela maior parte desse volume. Em maio, a Camex reconheceu a existência de dumping nas importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai, mas a aplicação das tarifas antidumping foi suspensa por cinco anos.
Para o consumidor brasileiro, o recorde argentino reforça a oferta de lácteos importados no mercado interno, o que tende a manter os preços sob controle, mas amplia o debate sobre a competitividade da produção nacional.