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Arquivos da maior usina nuclear da Índia vazam na dark web

ResumoO grupo Ransomware World Leaks publicou 19 mil arquivos da Usina Nuclear de Kudankulam, maior usina nuclear da Índia, na dark web. O vazamento inclui plantas e dados de fornecedores, expondo riscos à segurança da instalação e evidenciando a frequência crescente de ataques cibernéticos contra infraestruturas críticas.

O grupo Ransomware World Leaks publicou na dark web 19 mil arquivos da maior usina nuclear da Índia, a Usina Nuclear de Kudankulam, incluindo plantas e dados de fornecedores. O vazamento expõe riscos à segurança da instalação e evidencia a frequência crescente de ataques cibernét

Babi Cordeiro
Arquivos da maior usina nuclear da Índia vazam na dark web

Arquivos da maior usina nuclear da Índia vazam na dark web — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Arquivos da maior usina nuclear da Índia são expostos em vazamento de dados

O grupo Ransomware World Leaks publicou na dark web 19 mil arquivos relacionados à Usina Nuclear de Kudankulam, a maior da Índia. Os documentos, disponíveis desde 11 de junho, incluem supostas plantas de sistemas de ventilação e resfriamento, dados de fornecedores e registros de reuniões. A Reliance Group, contratada para a obra, confirmou uma violação parcial em servidor hospedado pela Yotta.

O que foi vazado da usina nuclear indiana

Os arquivos, datados de 2016 até meados de 2025, foram encontrados sob o termo de busca "KKNP", sigla da usina. O pesquisador independente de cibersegurança Rakesh Krishnan foi o primeiro a alertar a Reuters sobre o vazamento. A Reuters analisou os documentos, mas não pôde verificar sua autenticidade.

Entre os materiais expostos estão:

  • Plantas dos sistemas de ventilação e resfriamento das Unidades 3 e 4
  • Layout completo do piso de uma "sala de controle comum"
  • Propostas de fornecedores e lista de provedores aprovados
  • Registro de uma reunião de 2024 sobre inspeção conjunta com fotos de equipamentos
  • Apólice de seguro de US$ 112 milhões para casos de terrorismo nas Unidades 3 e 4

Quem está por trás do ataque cibernético

O World Leaks, que já alvejou Nike e o grupo indiano Tata, geralmente publica dados corporativos roubados quando as empresas se recusam a pagar o resgate. O site só é acessível por navegador especializado. Em junho, o grupo informou à Reuters que exigiu US$ 1,5 milhão (R$ 7.655.700) por arquivos do Tata, divulgando os dados após terem suas exigências ignoradas.

Como as autoridades reagiram

A Yotta, prestadora de serviços de data center, detectou atividade suspeita em 29 de maio em um servidor da Reliance Infrastructure. A empresa afirmou que interrompeu a atividade e impediu a execução de um suposto ransomware. No entanto, a Reliance Infrastructure comunicou, no final de junho, relatos de violação causada por "agentes de ameaça externos".

A Nuclear Power Corporation of India, responsável pelas usinas nucleares do país, manteve contato com a Reliance. O CERT-In (Equipe de Resposta a Emergências Computacionais da Índia) investiga o incidente, segundo uma fonte não identificada. O Departamento de Energia Atômica da Índia não quis comentar.

Qual o risco para a segurança da usina

Nickolas Roth, diretor sênior da Nuclear Threat Initiative, afirma que a violação pode representar um risco "grave" para a proteção da usina. Os arquivos poderiam ser explorados para mapear sistemas de suporte, identificar fornecedores e apontar vulnerabilidades na cadeia de segurança. Roth alerta que podem "mostrar a um adversário não apenas quem tem acesso ao projeto, mas a quais sistemas esse acesso chega".

Os documentos não parecem estar relacionados aos sistemas centrais dos reatores, fornecidos pela estatal russa Rosatom.

Contexto de ataques cibernéticos na Índia

Esta é a segunda vez que a usina de Kudankulam é associada a um incidente cibernético. Em 2019, um malware vinculado a um grupo de hackers norte-coreano foi encontrado na rede administrativa da usina, mas a Nuclear Power Corporation informou que os sistemas não foram afetados.

A Índia ocupa o terceiro lugar em países mais afetados por vazamentos de dados, com 28,9 milhões de contas comprometidas no ano passado, atrás apenas de Estados Unidos e França, segundo a Surfshark. Um relatório do Data Security Council of India e da Seqrite apontou que 73% das 204 organizações pesquisadas "não sabiam se já haviam sofrido ataques", enquanto 57% não adotavam práticas de higiene cibernética. vazamento de dados na Índia

Perguntas Frequentes

O que é a Usina Nuclear de Kudankulam?

É a maior das sete usinas nucleares da Índia, localizada no sul do país, e peça-chave nos planos do primeiro-ministro Narendra Modi de expandir a capacidade de energia atômica.

Quem é o grupo Ransomware World Leaks?

É um grupo que publica dados corporativos roubados na dark web quando as empresas se recusam a pagar o resgate. Já alvejou Nike e o grupo indiano Tata.

O que a Reliance Group disse sobre o vazamento?

A Reliance informou à Reuters que houve uma "violação parcial" de seus dados em um servidor hospedado pela Yotta e que o governo foi notificado. A empresa não divulgou quais dados foram comprometidos.

Os sistemas centrais da usina foram afetados?

Os documentos publicados no World Leaks não parecem estar relacionados aos sistemas centrais dos reatores nucleares, que são fornecidos pela estatal russa Rosatom.

O que é o CERT-In?

É a Equipe de Resposta a Emergências Computacionais da Índia, que está investigando o incidente, segundo uma fonte não identificada.

Como acessar os arquivos vazados?

Os arquivos estão disponíveis no site World Leaks, que só pode ser acessado por meio de um navegador especializado (Tor).

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.