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Associação de biocombustíveis nos EUA celebra tarifa contra o Brasil: entenda

ResumoA Associação de Combustíveis Renováveis dos EUA (RFA) celebrou a tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro. A medida visa proteger a indústria doméstica de etanol de milho, considerada prejudicada pela concorrência do etanol de cana-de-açúcar do Brasil. O governo brasileiro criticou a decisão e estuda medidas de retaliação comercial.

A associação de biocombustíveis nos EUA celebrou a tarifa contra o Brasil, que taxará o etanol brasileiro em 25%. Entenda os motivos, os impactos para o setor e a reação do governo brasileiro.

Babi Cordeiro
Associação de biocombustíveis nos EUA celebra tarifa contra o Brasil: entenda

Associação de biocombustíveis nos EUA celebra tarifa contra o Brasil: entenda — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

A notícia pegou o setor de surpresa, mas tem uma lógica que a gente vai destrinchar aqui. A associação de biocombustíveis nos EUA celebrou tarifa contra o Brasil, e o motivo não é só protecionismo: é estratégia industrial.

A tarifa de 25% sobre o etanol brasileiro foi anunciada pelo governo Trump em fevereiro de 2026, e a Renewable Fuels Association (RFA) foi a primeira a comemorar. Segundo a entidade, a medida é necessária para corrigir distorções no mercado global de etanol. A RFA alega que o Brasil subsidia sua produção com incentivos fiscais e créditos de carbono, o que configura concorrência desleal.

Por que a associação de biocombustíveis nos EUA celebra a tarifa?

A lógica é simples: o etanol brasileiro é mais barato que o americano, e a tarifa de 25% equaliza os preços. A RFA representa produtores de milho do Meio-Oeste, que há anos reclamam da concorrência do etanol de cana-de-açúcar brasileiro.

"A indústria americana de biocombustíveis está animada com a tarifa. É uma vitória para os produtores de milho e para a segurança energética dos EUA", afirmou Geoff Cooper, presidente da RFA, em nota oficial.

Para o Brasil, o impacto é imediato: o etanol brasileiro perde competitividade no mercado americano, que é o segundo maior comprador do produto. Em 2025, o Brasil exportou cerca de 2,5 bilhões de litros de etanol para os EUA (dados oficiais da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, Unica). Com a tarifa, esse volume pode cair pela metade.

O que está por trás da decisão americana?

A tarifa não é uma surpresa completa. Desde 2024, o governo Trump vinha sinalizando uma postura mais agressiva no comércio de biocombustíveis. A RFA, que tem forte lobby em Washington, pressionou por medidas contra o que chama de "práticas desleais" do Brasil.

O Brasil, por sua vez, rebate as acusações. O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) afirmou que a tarifa viola acordos da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que o país recorrerá da decisão.

Os impactos para o setor brasileiro

A tarifa de 25% significa que o etanol brasileiro custará, no mínimo, US$ 0,75 por litro nos EUA, contra US$ 0,60 do etanol americano. A diferença pode inviabilizar as exportações para o mercado americano.

Produtores brasileiros já reagiram. A Unica, que representa as usinas de cana-de-açúcar, disse que a medida é "injusta e protecionista" e que o Brasil tem condições de buscar novos mercados, como a Europa e a Ásia.

A reação do governo brasileiro

O governo Lula convocou uma reunião de emergência com os ministérios da Agricultura, Economia e Relações Exteriores. A estratégia é dupla: recorrer à OMC e intensificar negociações bilaterais com os EUA.

"O Brasil vai defender seus interesses com firmeza. A tarifa é uma medida protecionista que prejudica o comércio livre e o combate às mudanças climáticas", disse o presidente em coletiva.

E o consumidor americano?

A tarifa também afeta os EUA. O etanol brasileiro é usado para cumprir metas de mistura de biocombustíveis (Renewable Fuel Standard). Com a tarifa, o custo para as refinarias americanas sobe, o que pode pressionar os preços da gasolina.

A RFA, no entanto, minimiza o impacto. A entidade argumenta que a produção americana de etanol de milho é suficiente para atender a demanda doméstica.

O que esperar daqui para frente?

A guerra comercial entre EUA e Brasil no setor de biocombustíveis está apenas começando. O Brasil pode retaliar com tarifas sobre produtos americanos, como o milho e a soja. Uma escalada protecionista pode prejudicar ambos os lados.

Para o Brasil, a diversificação de mercados é urgente. A Europa, que tem metas ambiciosas de descarbonização, é um destino promissor para o etanol brasileiro. Mas a concorrência com o etanol de milho americano também existe lá.

Impactos da tarifa americana no etanol brasileiro

Perguntas Frequentes

O que é a Renewable Fuels Association (RFA)?

A RFA é a principal associação de biocombustíveis dos EUA, representando produtores de etanol de milho. Ela tem forte influência política e lidera o lobby por tarifas contra o etanol brasileiro.

Por que a tarifa foi imposta?

O governo Trump alega que o Brasil subsidia sua produção de etanol, configurando concorrência desleal. A tarifa de 25% visa equalizar os preços no mercado americano.

Como a tarifa afeta o consumidor brasileiro?

Indiretamente, a tarifa pode reduzir a demanda por etanol brasileiro, pressionando os preços internos para baixo. Mas o impacto maior é sobre as exportações.

O Brasil pode recorrer?

Sim. O governo brasileiro já anunciou que vai recorrer à OMC, alegando violação de acordos comerciais. O processo pode levar anos.

O que é o Renewable Fuel Standard (RFS)?

É um programa do governo americano que exige a mistura de biocombustíveis na gasolina. O etanol brasileiro é usado para cumprir essas metas, mas a tarifa pode reduzir sua participação.

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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