Aviação mantém otimismo mesmo com guerra, diz CEO da Vinci para a Amazônia
O CEO da Vinci Airports para a Região Norte, Kleyton Mendes, avalia que o setor aéreo brasileiro mantém um cenário de otimismo cauteloso, mesmo diante dos conflitos no Oriente Médio e da pressão sobre os custos do combustível de aviação. Em entrevista ao Conexão Infra exibido nesta quinta-feira (23), Mendes afirmou que as companhias aéreas conseguiram se organizar para preservar a taxa de ocupação planejada e minimizar os impactos da alta dos custos. As programações para a próxima temporada de verão no Brasil, que tem início no fim de outubro, estão dentro da normalidade para o período.
Otimismo cauteloso diante da guerra
"Quanto mais alargar o movimento da guerra e os preços continuarem subindo, maior será o desafio", afirmou Mendes. O executivo destacou que a temporada de verão no Brasil é conhecida como winter season, pois o planejamento aéreo usa como parâmetro o Hemisfério Norte. Apesar das incertezas, a taxa de ocupação das aeronaves foi mantida, o que mostra resiliência do setor.
Demanda recorde no Norte
Com o aumento da demanda de passageiros no Norte, Mendes destacou que os aeroportos que estão sob a concessão da Vinci comportam essa nova demanda. A movimentação registrada na região no primeiro semestre deste ano foi a melhor dos últimos 10 anos, chegando a 2,78 milhões de passageiros. "O sistema aeroportuário da região tem capacidade para atender o aumento do fluxo de passageiros e suporta até o dobro da demanda atual", disse.
A Vinci administra sete aeroportos na Região Norte: Manaus (AM), Tefé (AM), Tabatinga (AM), Porto Velho (RO), Boa Vista (RR), Rio Branco (AC) e Cruzeiro do Sul (AC).
Cabotagem aérea gera expectativas e ressalvas
O executivo também afirmou ver com bons olhos a proposta que amplia a cabotagem aérea no Brasil, atualmente em tramitação no Congresso Nacional. A ideia é permitir que empresas estrangeiras realizem voos domésticos na Amazônia Legal sem a necessidade de constituir subsidiária brasileira. "É uma novidade completa. Acho que toda novidade precisa amadurecer. Vamos ver se vai funcionar, ainda falta a aprovação no Senado", disse.
O texto, porém, foi recebido com ressalvas pelo setor. Há avaliações de que a medida pode não aumentar a demanda de voos na região, e as companhias aéreas apontam dúvidas sobre regras operacionais e de segurança que não estão bem detalhadas na proposição.
Desafios na Amazônia: falta concorrência
Mendes disse ainda que um dos principais desafios da aviação regional é ampliar a concorrência, especialmente na Amazônia. "A aviação no Brasil está muito carente. Só temos uma grande companhia aérea operando na Amazônia. Temos poucas empresas aéreas se aventurando na aviação regional. Em especial, a Amazônia carece de outras conexões", afirmou. Para ele, a entrada de novos operadores seria importante para ampliar a oferta de voos e fortalecer a integração da região com o restante do país.
Perguntas Frequentes
O que é a Vinci Airports?
É a concessionária que administra sete aeroportos na Região Norte do Brasil, incluindo Manaus, Porto Velho e Boa Vista.
A guerra no Oriente Médio afeta voos no Brasil?
Segundo o CEO da Vinci, o setor mantém otimismo cauteloso, com a taxa de ocupação preservada e programação de verão normal, mas o desafio aumenta se os preços do combustível continuarem subindo.
Quantos passageiros passaram pelos aeroportos da Vinci no primeiro semestre?
Foram 2,78 milhões de passageiros, a melhor movimentação dos últimos 10 anos na região.
O que é a proposta de cabotagem aérea?
É um projeto em tramitação no Congresso que permite empresas estrangeiras operarem voos domésticos na Amazônia Legal sem subsidiária brasileira. Ainda precisa de aprovação no Senado.
Quantos aeroportos a Vinci administra no Norte?
Sete aeroportos: Manaus, Tefé, Tabatinga, Porto Velho, Boa Vista, Rio Branco e Cruzeiro do Sul.
Qual o principal desafio da aviação na Amazônia?
Ampliar a concorrência, já que apenas uma grande companhia aérea opera na região, segundo o CEO.