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Avião da Voepass não deveria sequer ter decolado, diz Cenipa

ResumoO relatório final do Cenipa concluiu que o avião da Voepass não deveria ter decolado com o sistema de degelo inoperante. A decolagem ocorreu em desacordo com requisitos operacionais, resultando no acidente em Vinhedo (SP) em 2024.

Relatório final do Cenipa conclui que avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP) em 2024 não deveria ter decolado com sistema de degelo inoperante. Decolagem ocorreu em desacordo com requisitos operacionais.

Igor Bastos
Avião da Voepass não deveria sequer ter decolado, diz Cenipa

Avião da Voepass não deveria sequer ter decolado, diz Cenipa — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Eu já perdi voo por causa de uma torradeira quebrada em casa (história longa, fica pra outra coluna), mas nunca imaginei que uma companhia aérea fosse liberar um avião com o sistema antigelo quebrado e achar que ia dar certo. Pois é, aconteceu.

O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu que o avião da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, não deveria sequer ter decolado nas condições em que foi liberado para o voo. A aeronave operava com o sistema Airframe De-Icing, responsável pela proteção contra o acúmulo de gelo, inoperante. Nessas condições, caso houvesse possibilidade de formação de gelo durante o trajeto, o voo não deveria ter sido autorizado.

Como a pane no sistema de degelo levou à tragédia

O ATR-72, de matrícula PS-VPB, fazia a rota entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP) quando encontrou condições severas para formação de gelo durante o voo de cruzeiro. O acúmulo de gelo nas superfícies da aeronave comprometeu seu desempenho, provocando perda de velocidade, estol aerodinâmico, perda de controle e a queda sobre uma área residencial de Vinhedo. Ao todo, morreram 58 passageiros e quatro tripulantes.

O Cenipa concluiu que, mesmo com a pane conhecida no sistema de proteção contra gelo, a aeronave foi despachada para o voo. Para os investigadores, a decolagem ocorreu em desacordo com os requisitos operacionais.

Pilotos demoraram a reagir, mas estavam habilitados

Além da falha no despacho, o relatório identificou erros da tripulação durante o voo. Segundo o Cenipa, os pilotos demoraram a reconhecer a degradação do desempenho da aeronave causada pelo gelo e não executaram, em tempo oportuno, os procedimentos previstos pelo fabricante para abandonar a área de formação severa de gelo e manter a velocidade mínima de segurança.

O documento ressalta, entretanto, que ambos estavam habilitados e haviam recebido treinamento específico para esse tipo de operação.

Histórico de falhas ignoradas pela Voepass

A investigação também encontrou problemas estruturais na cultura de segurança operacional da Voepass. A análise de mais de 1.200 voos da aeronave revelou que situações semelhantes já haviam ocorrido anteriormente, com registros recorrentes de degradação de desempenho, falhas no sistema de degelo, múltiplos reinícios do sistema Airframe De-Icing e alertas ignorados pelas tripulações.

O que diz a Anac

Em nota enviada à CNN Brasil, a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) informou que iniciará a etapa de análise técnica detalhada das conclusões apontadas e das recomendações relacionadas às competências da Anac.

"As investigações conduzidas pelo Cenipa têm caráter exclusivamente preventivo e não se destinam à atribuição de culpa ou responsabilização, mas à identificação de fatores que contribuíram para o acidente e de recomendações para aprimorar o sistema de segurança operacional da aviação civil", diz a nota.

Perguntas Frequentes

O avião da Voepass poderia ter decolado com o sistema de degelo quebrado?

Não. O Cenipa concluiu que a aeronave não deveria ter decolado nas condições em que foi liberada, pois o sistema de proteção contra gelo estava inoperante e havia possibilidade de formação de gelo durante o trajeto.

Quantas pessoas morreram na queda do avião da Voepass?

Morreram 58 passageiros e quatro tripulantes, totalizando 62 vítimas.

Os pilotos foram considerados culpados pelo acidente?

O relatório aponta que os pilotos demoraram a reagir, mas ressalta que ambos estavam habilitados e treinados. A investigação do Cenipa não tem caráter de atribuição de culpa.

O que a Anac vai fazer agora?

A Anac informou que iniciará a análise técnica detalhada das conclusões e recomendações do relatório do Cenipa.

Igor Bastos

Editoria Destaques

Igor Bastos cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.