O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) anunciou a ativação do banco de antígenos contra febre aftosa na Argentina, após a detecção de um foco da doença na província de Formosa, na fronteira com o Brasil. A medida, tomada em 27 de maio de 2026, mobiliza um estoque estratégico de vacinas para conter o avanço do vírus e proteger o rebanho brasileiro.
Segundo o Mapa, o banco de antígenos é um mecanismo de resposta rápida, previsto no Plano Nacional de Erradicação da Febre Aftosa (PNEFA), que permite a produção de vacinas em até 72 horas após a ativação. O estoque contém antígenos para os sorotipos O, A e C, os mais prevalentes na América do Sul.
O foco na Argentina foi confirmado pelo Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) em 25 de maio de 2026, após exames laboratoriais em bovinos de uma propriedade rural em Formosa. O Brasil, que não registra casos de febre aftosa desde 2023, segundo a OIE, mantém zonas livres da doença com vacinação em 15 estados e zonas livres sem vacinação em outros 4.
A ativação do banco de antígenos segue o Acordo de Cooperação Técnica entre Brasil e Argentina, assinado em 2024, que prevê assistência mútua em emergências sanitárias. O Mapa informou que as primeiras doses serão enviadas para a região de fronteira, onde o risco de transmissão é maior.
Como funciona o banco de antígenos
O banco de antígenos é um estoque de vírus inativados, armazenados em baixíssimas temperaturas, que podem ser transformados em vacinas em curto prazo. O processo envolve três etapas:
- Ativação: O Mapa autoriza o uso do estoque, acionando o laboratório credenciado.
- Produção: O antígeno é descongelado, formulado e envasado em frascos de 50 doses.
- Distribuição: As vacinas são enviadas para os estados em até 48 horas, priorizando zonas de risco.
Segundo o Ministério da Agricultura, o banco tem capacidade para produzir 10 milhões de doses em 30 dias. A última ativação ocorreu em 2023, quando o Brasil registrou um foco no Pará.
Impacto na pecuária brasileira
A febre aftosa é uma doença viral altamente contagiosa que afeta bovinos, suínos e ovinos, causando febre e lesões na boca e nos cascos. A OIE classifica a enfermidade como de notificação obrigatória, e surtos podem levar a embargos comerciais por países importadores.
O Brasil é o maior exportador mundial de carne bovina, com embarques de 2,8 milhões de toneladas em 2025, segundo a Associação Brasileira de Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec). A manutenção do status de zona livre da doença é essencial para o comércio internacional.
A ativação do banco de antígenos visa justamente evitar que o foco argentino se espalhe para o território brasileiro, o que poderia resultar em perdas bilionárias. O Mapa reforçou a fiscalização em 12 postos de fronteira e intensificou a vacinação em um raio de 50 km da divisa.
Perguntas Frequentes
O que é o banco de antígenos da febre aftosa?
É um estoque de vírus inativados mantido pelo Mapa para produção rápida de vacinas em emergências sanitárias.
Por que o Brasil ativou o banco agora?
Após a detecção de um foco de febre aftosa na Argentina, o Mapa ativou o estoque para conter o avanço da doença na fronteira.
A febre aftosa está presente no Brasil?
Não. O Brasil não registra casos desde 2023, mas mantém zonas livres com e sem vacinação.
Quantas doses podem ser produzidas?
O banco tem capacidade para 10 milhões de doses em 30 dias, segundo o Mapa.
A carne brasileira corre risco de embargo?
Se o foco argentino se espalhar para o Brasil, a OIE pode suspender o status de zona livre, o que levaria a embargos comerciais.
O que fazer em caso de suspeita?
Produtores devem notificar imediatamente o serviço veterinário local. A OIE recomenda isolamento dos animais e coleta de amostras.