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Brasileiros reconhecem sintomas do câncer colorretal, mas não os tratam

ResumoPesquisa da A.C.Camargo e Nexus com mais de 2 mil brasileiros revela que 80% reconhecem a gravidade dos sintomas do câncer colorretal. Apesar do conhecimento, 40% das pessoas que notaram sangue nas fezes não buscaram atendimento médico imediato, indicando uma lacuna entre o reconhecimento e a ação preventiva.

Oito em cada dez brasileiros reconhecem a gravidade dos sintomas do câncer colorretal, mas uma parcela expressiva não age diante deles. Pesquisa da A.C.Camargo e Nexus com mais de 2 mil pessoas revela que 40% dos que notaram sangue nas fezes não buscaram atendimento médico imedia

Babi Cordeiro
Brasileiros reconhecem sintomas do câncer colorretal, mas não os tratam

Brasileiros reconhecem sintomas do câncer colorretal, mas não os tratam — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Senta que lá vem história: a gente sabe que sangue nas fezes é coisa séria, mas na hora de agir, muita gente empurra com a barriga. Uma pesquisa da A.C.Camargo e da Nexus, com mais de 2 mil brasileiros, mostrou que o conhecimento não falta, o que falta é atitude.

Oito em cada dez brasileiros reconhecem como grave a presença de sangue nas fezes ou a mudança no funcionamento do intestino por mais de um mês, dois dos principais sintomas do câncer colorretal. Mas aí vem o pulo do gato: na maioria dos casos, esse reconhecimento não vem da proximidade com a doença. Apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve câncer colorretal, 15% um parente muito próximo e 6% um amigo ou conhecido. Setenta e cinco por cento nunca tiveram contato com pacientes desse tipo de câncer.

O tema ganha relevância com os números do INCA. Em fevereiro deste ano, o Instituto Nacional de Câncer estimou 53.810 novos casos de câncer colorretal por ano no Brasil para o triênio 2026-2028. É o segundo tumor com maior incidência entre os brasileiros, a mesma doença que a cantora Preta Gil enfrentou por dois anos, até falecer em julho do ano passado.

Dos 80% que reconhecem a gravidade dos sintomas, 42% consideram sangue nas fezes ou alteração intestinal prolongada como "muito grave". Esse reconhecimento chega a 44% entre quem já conviveu de perto com a doença. Mas a associação entre sintomas e câncer ainda carece de firmeza: 67% dos brasileiros concordam que esses sinais podem indicar a doença, mas apenas 24% concordam "muito". A maior parte (43%) demonstra concordância apenas moderada.

Agora, o achado mais relevante: a distância entre reconhecer o risco e agir. Na vida real, 9% dos entrevistados afirmam já ter notado sangue nas fezes. Desse grupo, 59% buscaram atendimento médico imediatamente. Mas 40% não, e aí a história se desenrola como novela: 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% foram à farmácia buscar medicação por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional.

A busca imediata por diagnóstico é maior entre quem tem melhores condições financeiras (86%), brasileiros acima dos 60 anos (72%) e moradores do Sudeste (72%). As mulheres (63%) também costumam buscar mais ajuda imediata do que os homens (54%). Entre os moradores do Norte/Centro-Oeste, chega a 43% o número de entrevistados que apenas esperou o sintoma passar.

Outra descoberta da pesquisa é o desconhecimento sobre ferramentas de rastreamento precoce. Dois em cada três brasileiros (67%) nunca ouviram falar do exame "Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes" (PSO), recurso simples que identifica sinais da doença antes mesmo dos sintomas evidentes. Apenas 11% já realizaram o exame, enquanto 21% conhecem o procedimento, mas nunca o fizeram.

O desconhecimento chega a 85% entre os mais jovens (16 a 24 anos) e é maior entre homens (76%), pessoas com menor renda (73%) e que estudaram até o ensino fundamental (72%). Entre quem já teve ou conhece alguém que teve câncer colorretal, o desconhecimento cai para 56%, e o percentual de quem realizou o PSO quase triplica: 8% dos brasileiros sem contato com a doença já fizeram o exame, contra 21% de quem já teve.

Diante do crescimento da doença, especialistas do A.C.Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente. A recomendação é realizar exames preventivos a partir dos 45 anos ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

Perguntas Frequentes

O que é o exame de Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes (PSO)?

É um exame simples que detecta sangue nas fezes, podendo identificar sinais de câncer colorretal antes mesmo do aparecimento de sintomas evidentes.

A partir de que idade devo fazer exames preventivos para câncer colorretal?

Especialistas do A.C.Camargo recomendam exames a partir dos 45 anos, ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar.

Quantos brasileiros já realizaram o exame PSO?

Apenas 11% dos entrevistados na pesquisa da A.C.Camargo e Nexus já realizaram o exame.

Quais são os principais sintomas do câncer colorretal?

Sangue nas fezes, mudança no funcionamento do intestino por mais de um mês, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente.

O que fazer ao notar sangue nas fezes?

A orientação é buscar atendimento médico imediatamente. Na pesquisa, 59% dos que notaram sangue nas fezes procuraram ajuda imediata, mas 40% não tiveram essa reação.

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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