A Câmara dos Representantes dos EUA, controlada por republicanos, aprovou nesta quarta-feira (22) uma proposta orçamentária de US$ 95 bilhões (cerca de R$ 418 bilhões) para sustentar a guerra contra o Irã. A votação apertada, 216 a 214, abre caminho para um procedimento no Senado que pode aprovar o gasto sem o apoio dos democratas. Mas o que isso significa para quem não vive nos EUA? A conta, como sempre, pode chegar ao bolso de todos.
O plano prevê que US$ 60 bilhões sejam enviados diretamente ao Pentágono, em cima do orçamento anual de US$ 1 trilhão das Forças Armadas. O deputado Jodey Arrington, republicano do Texas e presidente da Comissão de Orçamento, defendeu o valor como necessário para "apoiar nossas tropas em momentos de necessidade", citando munição e bombas para "concluir a missão". A guerra já custou US$ 37,5 bilhões, segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth, mas especialistas estimam que o custo real seja maior, em março, analistas calculavam mais de US$ 890 milhões por dia.
A oposição não poupou críticas. O democrata Brendan Boyle, da Pensilvânia, argumentou que o projeto adiciona quase US$ 100 bilhões ao déficit, enquanto a dívida nacional se aproxima de US$ 40 trilhões. "Nada para reduzir os preços dos combustíveis. Nada para reduzir os preços dos alimentos... apenas mais gastos com a guerra mais impopular da história dos Estados Unidos", disse. O Comitê para um Orçamento Responsável, organização apartidária, alertou que o custo real pode chegar a US$ 130 bilhões, considerando juros sobre empréstimos.
Como o orçamento de guerra dos EUA afeta o Brasil?
A guerra contra o Irã não é só um assunto de Washington. O impacto chega ao Brasil por dois canais principais: o preço dos combustíveis e o custo do dinheiro. Quando os EUA aumentam gastos militares, a dívida pública americana sobe, e isso pressiona os juros globais. O Banco Central brasileiro, que já mantém a Selic em patamares elevados para conter a inflação, pode ter que lidar com um cenário externo mais apertado.
Além disso, o orçamento inclui US$ 12 bilhões em ajuda a agricultores americanos, que sofrem com tarifas de Trump sobre produtos estrangeiros. Isso pode distorcer o comércio global de grãos, afetando exportadores brasileiros de soja e milho. Se os EUA subsidiam seus produtores, o Brasil perde competitividade no mercado internacional.
A conta da guerra: US$ 37,5 bilhões e subindo
O secretário de Defesa Pete Hegseth informou que a guerra já custou US$ 37,5 bilhões (cerca de R$ 190 bilhões), mas admitiu que parte desse valor cobre despesas até o fim do ano fiscal. O senador Dick Durbin, democrata, questionou se o custo vai aumentar com o fim do cessar-fogo com o Irã. Hegseth não deu uma resposta direta, mas analistas já projetam que os gastos diários superam US$ 890 milhões, considerando operações aéreas, navais e interceptação de mísseis.
O Comitê para um Orçamento Responsável alertou que este é o terceiro projeto de financiamento especial usando "reconciliação", e que os legisladores foram instados a "tolerar falhas" sob promessas de cortes futuros, que nunca se concretizaram. Em outras palavras, a dívida cresce, e a conta chega.
Pressão política e eleições
Trump tem pressionado o Congresso republicano a aprovar leis eleitorais mais rigorosas, que democratas chamam de "supressão de votos". O contexto é de guerra custosa e impopular, com a aprovação do orçamento servindo como teste de força para o governo. Para o Brasil, a mensagem é clara: enquanto os EUA gastam, o mundo paga.
Perguntas Frequentes
O que é o procedimento de 'reconciliação' no Senado dos EUA?
É um mecanismo orçamentário que permite aprovar leis de gastos com maioria simples, evitando o filibuster (obstrução) da minoria. No caso, os republicanos usam para aprovar o financiamento sem apoio democrata.
Quanto a guerra contra o Irã já custou aos EUA?
US$ 37,5 bilhões, segundo o secretário de Defesa Pete Hegseth, mas analistas estimam que o custo real seja maior, com gastos diários de mais de US$ 890 milhões.
Como o orçamento dos EUA pode afetar o preço dos combustíveis no Brasil?
O aumento da dívida americana pode elevar os juros globais, encarecendo o crédito e pressionando o câmbio. Além disso, a guerra mantém o petróleo volátil, impactando os preços internos.
O que dizem os democratas sobre o orçamento?
Criticam o aumento do déficit e a falta de medidas para reduzir preços de alimentos e combustíveis. O deputado Brendan Boyle chamou a guerra de "a mais impopular da história dos EUA".
Quem é Jodey Arrington?
Deputado republicano do Texas, presidente da Comissão de Orçamento da Câmara. Defendeu os US$ 95 bilhões como necessários para a "prontidão básica" das tropas.
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