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Campanha de eleições de meio de mandato de Trump aposta tudo nele mesmo

ResumoA campanha de eleições de meio de mandato de 2026 do ex-presidente Donald Trump centraliza a estratégia republicana na figura de Trump, com anúncios que priorizam a imagem presidencial sobre candidatos locais. A abordagem concentra riscos eleitorais, pois vincula o desempenho do partido à popularidade pessoal de Trump. A operação política aposta na lealdade da base para mobilizar eleitores, mas expõe vulnerabilidades em distritos competitivos.

A operação política de Trump lança anúncios para as eleições de meio de mandato de 2026, mas o foco é o próprio presidente. Entenda a estratégia e os riscos para os republicanos.

Babi Cordeiro
Campanha de eleições de meio de mandato de Trump aposta tudo nele mesmo

Campanha de eleições de meio de mandato de Trump aposta tudo nele mesmo — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

A operação política do presidente Donald Trump começou a veicular anúncios para as eleições de meio de mandato de 2026. Os republicanos aguardavam esse movimento, mas as primeiras peças trazem um foco inusitado: o próprio Trump.

As peças são da Securing American Greatness (Garantindo a Grandeza Americana, em tradução livre), o braço sem fins lucrativos do super PAC pró-Trump MAGA Inc. Elas parecem confirmar reportagens da revista The Atlantic e comentários recentes de Trump: a campanha deve girar em torno dele, não dos republicanos do Congresso.

Um dos vídeos, chamado "Toughest Guy" (O Cara Mais Durão), tem cara de anúncio de campanha presidencial. O presidente do UFC, Dana White, elogia a firmeza de Trump. Na sequência, o próprio Trump aparece com frases de efeito sobre a supremacia americana. "Seremos prósperos. Seremos orgulhosos. Seremos fortes e venceremos como nunca antes", diz ele. O anúncio não menciona o Congresso nem o Partido Republicano.

O segundo vídeo, "Tax Cut Prices" (Preços e Cortes de Impostos), é mais convencional. Ele fala de ações dos republicanos em Washington, algumas com participação do Congresso. Trump afirma: "Nós garantimos a vocês isenção de impostos sobre gorjetas, horas extras e benefícios da Previdência Social, os maiores cortes de impostos da história americana". Ele também cita a queda de 60% no preço dos ovos e diz que os preços de medicamentos prescritos caíram. O narrador conclui: "Ele luta por você todos os dias. Ajude-o a terminar o trabalho".

Várias afirmações do anúncio são falsas ou enganosas, segundo a análise. Isso inclui as falas sobre Previdência Social, medicamentos e a exigência de que data centers gerem própria energia. Algumas dessas medidas nem passaram pelo Congresso, foram ações do Poder Executivo.

Os anúncios começaram a rodar em grandes mercados, como Nova York, Washington (DC), Chicago e Filadélfia. O investimento inicial é de cerca de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões), segundo a AdImpact. É uma fração dos centenas de milhões que a operação política de Trump tem à disposição.

Os republicanos esperam que esse dinheiro ajude o partido nas eleições, mas o ritmo de gastos é lento. Focar a atenção em Trump é uma estratégia arriscada. Por um lado, a última década mostrou que os eleitores dele votam menos quando o nome do presidente não está na cédula. Fazer a base acreditar que essas disputas importam para Trump pode ajudar a mobilizar quem é essencial para as esperanças republicanas.

Trump disse à Fox News que faria campanha "como fiz para mim mesmo. E vou torcer para que as pessoas achem que estou concorrendo". Mas ele também afirma que o foco nele é necessário porque as pessoas gostam mais dele. Isso não é verdade.

O índice de aprovação de Trump é historicamente baixo, frequentemente na casa dos 30%. Tornar a eleição mais centrada nele pode ter o efeito contrário: muitos republicanos podem querer se distanciar do presidente. Ainda assim, o caminho escolhido pela operação política de Trump é esse. Resta ver o resultado.

Babi Cordeiro

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Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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