A operação política do presidente Donald Trump começou a veicular anúncios para as eleições de meio de mandato de 2026. Os republicanos aguardavam esse movimento, mas as primeiras peças trazem um foco inusitado: o próprio Trump.
As peças são da Securing American Greatness (Garantindo a Grandeza Americana, em tradução livre), o braço sem fins lucrativos do super PAC pró-Trump MAGA Inc. Elas parecem confirmar reportagens da revista The Atlantic e comentários recentes de Trump: a campanha deve girar em torno dele, não dos republicanos do Congresso.
Um dos vídeos, chamado "Toughest Guy" (O Cara Mais Durão), tem cara de anúncio de campanha presidencial. O presidente do UFC, Dana White, elogia a firmeza de Trump. Na sequência, o próprio Trump aparece com frases de efeito sobre a supremacia americana. "Seremos prósperos. Seremos orgulhosos. Seremos fortes e venceremos como nunca antes", diz ele. O anúncio não menciona o Congresso nem o Partido Republicano.
O segundo vídeo, "Tax Cut Prices" (Preços e Cortes de Impostos), é mais convencional. Ele fala de ações dos republicanos em Washington, algumas com participação do Congresso. Trump afirma: "Nós garantimos a vocês isenção de impostos sobre gorjetas, horas extras e benefícios da Previdência Social, os maiores cortes de impostos da história americana". Ele também cita a queda de 60% no preço dos ovos e diz que os preços de medicamentos prescritos caíram. O narrador conclui: "Ele luta por você todos os dias. Ajude-o a terminar o trabalho".
Várias afirmações do anúncio são falsas ou enganosas, segundo a análise. Isso inclui as falas sobre Previdência Social, medicamentos e a exigência de que data centers gerem própria energia. Algumas dessas medidas nem passaram pelo Congresso, foram ações do Poder Executivo.
Os anúncios começaram a rodar em grandes mercados, como Nova York, Washington (DC), Chicago e Filadélfia. O investimento inicial é de cerca de US$ 1 milhão (R$ 5,1 milhões), segundo a AdImpact. É uma fração dos centenas de milhões que a operação política de Trump tem à disposição.
Os republicanos esperam que esse dinheiro ajude o partido nas eleições, mas o ritmo de gastos é lento. Focar a atenção em Trump é uma estratégia arriscada. Por um lado, a última década mostrou que os eleitores dele votam menos quando o nome do presidente não está na cédula. Fazer a base acreditar que essas disputas importam para Trump pode ajudar a mobilizar quem é essencial para as esperanças republicanas.
Trump disse à Fox News que faria campanha "como fiz para mim mesmo. E vou torcer para que as pessoas achem que estou concorrendo". Mas ele também afirma que o foco nele é necessário porque as pessoas gostam mais dele. Isso não é verdade.
O índice de aprovação de Trump é historicamente baixo, frequentemente na casa dos 30%. Tornar a eleição mais centrada nele pode ter o efeito contrário: muitos republicanos podem querer se distanciar do presidente. Ainda assim, o caminho escolhido pela operação política de Trump é esse. Resta ver o resultado.