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Caso Buzzi: primeiro teste do novo rito de punição de magistrados

ResumoO caso Buzzi, primeiro teste do novo rito de punição máxima de magistrados, resultou na condenação administrativa do ministro do STJ Marco Buzzi à perda do cargo. O processo segue para a Advocacia-Geral da União e o Supremo Tribunal Federal. A decisão marca a aplicação inicial do procedimento atualizado para sanções disciplinares graves.

A condenação administrativa do ministro do STJ Marco Buzzi à perda do cargo é o primeiro caso a testar o novo rito para punição máxima de magistrados. O processo agora segue para a AGU e o STF.

Dani Quaresma
Fonoaudióloga baleada no pescoço dentro de ônibus no Rio

Fonoaudióloga baleada no pescoço dentro de ônibus no Rio — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Caso Buzzi: primeiro teste do novo rito para punição de magistrados

A condenação administrativa do ministro do STJ Marco Buzzi à perda do cargo será o primeiro caso a seguir o novo rito para aplicação da punição máxima a magistrados que cometem infrações. Acusado de assédio sexual por duas mulheres, Buzzi foi condenado à perda do cargo por seus colegas do STJ em julgamento administrativo realizado na última quinta-feira (6).

Qual é o novo rito e por que ele mudou?

Até março deste ano, a aposentadoria compulsória era a punição máxima em processos administrativos contra magistrados. Na prática, o juiz era afastado, mas continuava recebendo remuneração. Em março, o ministro Flávio Dino, do STF, decidiu que essa medida não poderia mais ser aplicada como punição disciplinar, por considerar que ela se tornou incompatível com as regras constitucionais após a reforma da Previdência.

Dino classificou a aposentadoria compulsória como uma "punição que não pune", pois transfere ao cidadão o custo da penalidade. A decisão, porém, foi tomada em ação específica, sem repercussão geral, e por isso precisava ser regulamentada pelo CNJ para valer em todo o Judiciário.

O que mudou no julgamento de Buzzi

Durante boa parte da tramitação, essa regulamentação ainda não existia. A PGR chegou a pedir a aposentadoria compulsória de Buzzi nas alegações finais de julho. Na última terça-feira (4), o CNJ atualizou o regimento e definiu o novo rito. Com isso, no julgamento de Buzzi, o Ministério Público mudou de posição e passou a defender a perda do cargo.

O caso é inédito: é a primeira vez que o STJ aplica a perda do cargo a um de seus ministros, e também o primeiro teste prático do rito definido por Dino e regulamentado pelo CNJ.

Próximos passos: AGU e STF

Com a condenação, o STJ encaminhará o caso à AGU (Advocacia-Geral da União). O órgão terá 30 dias para propor ação no STF pedindo a perda definitiva do cargo. Isso ocorre porque, segundo a decisão do STF, a perda do cargo de magistrado depende de ação judicial, com competência exclusiva da Suprema Corte.

O STF analisará o processo administrativo e decidirá se concorda com a conclusão do STJ. Até a decisão final, Buzzi permanece afastado, recebendo remuneração proporcional ao tempo de serviço. O processo pode levar meses ou até anos.

Críticas ao novo rito

Durante a regulamentação no CNJ, conselheiros fizeram ressalvas à definição de que cabe exclusivamente ao STF julgar as ações. Alguns alertaram que a Corte deveria preservar suas competências constitucionais e evitar assumir atribuições que poderiam ser exercidas por outras instâncias. Também houve preocupação com o aumento do acervo do STF, já considerado alto. A exigência, porém, foi estabelecida pela própria Suprema Corte, e os conselheiros entenderam que cabe ao CNJ apenas aplicar a determinação.

O caso Buzzi, portanto, servirá como teste real para o novo rito, expondo tanto seus efeitos práticos quanto as tensões institucionais que ele gera.

Perguntas Frequentes

O que é a perda do cargo de magistrado?

É a punição máxima em processo administrativo disciplinar, que substitui a aposentadoria compulsória. O magistrado é afastado definitivamente, mas a perda do cargo depende de ação judicial no STF.

Por que a aposentadoria compulsória deixou de ser usada?

O ministro Flávio Dino, do STF, decidiu em março que a medida não é mais compatível com as regras constitucionais após a reforma da Previdência, por ser uma "punição que não pune".

Quem julga a perda do cargo de um magistrado?

A competência é exclusiva do STF. A AGU tem 30 dias para propor a ação após o encaminhamento do caso pelo STJ.

O que acontece com Buzzi até a decisão do STF?

Ele permanece afastado e recebe remuneração proporcional ao tempo de serviço. O processo pode levar meses ou anos.

O CNJ aprovou o novo rito sem críticas?

Houve ressalvas de conselheiros sobre a concentração de competências no STF e o possível aumento do acervo da Corte, mas a determinação foi aplicada por ter sido estabelecida pela própria Suprema Corte.

Dani Quaresma

Editoria Destaques

Dani Quaresma cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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