Caso Voepass: Aeronave não poderia ter decolado, diz investigação do Cenipa
A aeronave da Voepass que caiu em Vinhedo (SP), em agosto de 2024, não deveria ter decolado na manhã do acidente. A conclusão é do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos), que apresentou o relatório final nesta quarta-feira (23 de julho de 2026), em Brasília. O documento aponta uma série de falhas técnicas e operacionais que tornavam o voo inseguro.
O que a investigação concluiu sobre a decolagem
Segundo o tenente-coronel Paulo Mendes Fróes, que apresentou o relatório, o horário de decolagem do PS-VPB, 11h58, não poderia ter sido autorizado. O motivo: falha no limpador do para-brisa. De acordo com a MEL (Lista Mínima de Equipamentos), a aeronave não poderia decolar se houvesse previsão de chuva uma hora antes ou uma hora depois do horário previsto para a partida. A mesma restrição valia para o pouso no destino e no aeroporto alternativo. As condições meteorológicas no momento impediam o despacho.
O que é a MEL e por que ela importa
A MEL é um mecanismo que permite que uma aeronave opere temporariamente com determinados equipamentos inoperantes, desde que restrições técnicas, operacionais e de prazo sejam cumpridas. No caso do voo da Voepass, o avião foi despachado com 10 itens registrados na lista. Um deles era o limpador do para-brisa. A restrição da MEL para esse item era clara: proibição de decolagem com previsão de chuva no intervalo de uma hora antes a uma hora depois do voo.
Condições de gelo severo e certificação
A investigação também identificou que a documentação meteorológica entregue aos pilotos indicava possibilidade de formação de gelo severo entre os níveis de voo 120 e 210. O avião era certificado para voar em condições de gelo, desde que os sistemas de proteção estivessem funcionando e os procedimentos fossem cumpridos, mas não poderia permanecer em condições de gelo severo. segurança aérea e certificação de aeronaves
Falhas recorrentes nos voos anteriores
O relatório do Cenipa aponta uma série de problemas identificados nos três voos anteriores ao acidente, que não foram devidamente registrados nos diários de bordo. Entre eles:
- Falhas recorrentes no sistema de degelo das asas
- Acionamentos repetidos de alertas de baixa velocidade
- Problemas no aquecimento de uma das sondas responsáveis por medir o ângulo de ataque
Em um dos voos, o sistema de degelo apresentou falha e foi reiniciado três vezes, embora os procedimentos permitissem somente uma tentativa de reset.
O voo anterior ao acidente
No voo imediatamente anterior ao acidente, operado pela mesma tripulação do voo 2283, a aeronave voou abaixo da velocidade mínima prevista para condições de gelo e apresentou 16 alertas relacionados aos sistemas stick shaker e stick pusher. A falha também não foi registrada depois do pouso em Cascavel.
O que significa a investigação do Cenipa
O documento encerra a investigação técnica da Força Aérea Brasileira (FAB) sobre o acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024. A queda do voo 2283 é um dos maiores desastres aéreos do Brasil desde o acidente com a TAM, em 2007. As investigações do Cenipa têm finalidade preventiva: o órgão busca identificar fatores que contribuíram para uma ocorrência e emitir recomendações de segurança destinadas a evitar novos acidentes. O procedimento não tem como objetivo atribuir culpa ou responsabilidade criminal, tarefa que cabe às autoridades policiais e judiciais.
Como isso afeta você
Para quem voa, a investigação do Cenipa reforça a importância de que as companhias aéreas sigam rigorosamente as listas mínimas de equipamentos e as condições meteorológicas. A falha em registrar problemas nos diários de bordo, como ocorreu no caso, pode esconder riscos. A recomendação para passageiros é sempre verificar o histórico de segurança da companhia e, em caso de dúvidas, buscar informações sobre a manutenção das aeronaves. como escolher uma companhia aérea segura
Perguntas Frequentes
Por que a aeronave não poderia ter decolado?
Segundo o Cenipa, a aeronave foi despachada com falha no limpador do para-brisa e havia previsão de chuva, o que era proibido pela MEL.
O que é a MEL?
A MEL (Lista Mínima de Equipamentos) permite que uma aeronave opere com equipamentos inoperantes, desde que restrições técnicas e de prazo sejam cumpridas.
Quantos itens estavam inoperantes no voo?
O avião foi despachado com 10 itens registrados na MEL.
O que mais foi identificado nos voos anteriores?
Falhas no sistema de degelo, alertas de baixa velocidade e problemas no aquecimento de sondas, que não foram registrados nos diários de bordo.
O Cenipa atribui culpa?
Não. A investigação do Cenipa tem finalidade preventiva e não atribui culpa ou responsabilidade criminal, que cabe às autoridades policiais e judiciais.
Quantas pessoas morreram no acidente?
62 pessoas morreram na queda do voo 2283, em agosto de 2024.