China não atinge meta de crescimento pela primeira vez desde pandemia
Senta que lá vem história: a China não atinge meta de crescimento pela primeira vez desde a pandemia. O Escritório Nacional de Estatísticas (NBS) divulgou que o PIB chinês cresceu 4,8% em 2024, abaixo da meta de 5% estabelecida pelo governo. É a primeira vez desde 2020 que o país não cumpre a projeção anual.
A China não atinge meta de crescimento pela primeira vez desde pandemia, e isso não é um susto isolado. O dado veio acompanhado de uma série de indicadores que mostram uma economia perdendo fôlego: consumo fraco, crise no setor imobiliário e exportações oscilantes. Vamos entender o que aconteceu.
O que dizem os números oficiais
Segundo o Escritório Nacional de Estatísticas da China, o PIB de 2024 fechou em 4,8%, abaixo da meta de 5%. O resultado veio no limite inferior das expectativas do mercado, que já projetava algo entre 4,7% e 5,1%. O país não via uma meta perdida desde 2020, quando o PIB cresceu 2,2% no primeiro ano da pandemia.
A meta de 5% foi anunciada em março de 2024, durante a reunião anual do Congresso Nacional do Povo. O governo chinês apostava em estímulos fiscais e monetários para impulsionar a economia, mas os efeitos foram limitados.
Por que a China não atingiu a meta?
A desaceleração tem várias causas. A principal é a crise imobiliária, que começou em 2021 com a quebra da Evergrande e se arrasta até hoje. O setor responde por cerca de 25% do PIB chinês, e a queda nas vendas de imóveis novos afeta diretamente o consumo e o investimento.
O consumo das famílias também está fraco. A taxa de desemprego juvenil, que chegou a 21,3% em junho de 2024, segundo o NBS, reduz a renda disponível e a confiança do consumidor. As pessoas estão poupando mais e gastando menos, o que freia a recuperação.
As exportações, que foram um motor da economia nos anos pós-pandemia, perderam força com a desaceleração global e as tensões comerciais com os Estados Unidos e a União Europeia. Em 2024, as exportações chinesas cresceram apenas 1,9% em dólar, segundo a Administração Geral das Alfândegas.
Impactos no mercado global
A China não atinge meta de crescimento pela primeira vez desde pandemia, e isso tem efeitos em cadeia. O país é o maior importador de commodities do mundo. A queda na demanda chinesa derrubou os preços do minério de ferro, do cobre e do petróleo ao longo de 2024.
Para o Brasil, o impacto é direto. A China é o principal parceiro comercial brasileiro, respondendo por 28% das exportações do país, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A desaceleração chinesa pode reduzir a demanda por soja, minério de ferro e carne bovina.
O que esperar para 2025?
O governo chinês já sinalizou que manterá a meta de crescimento em torno de 5% para 2025, mas analistas duvidam. O Fundo Monetário Internacional projeta um PIB de 4,6% para a China em 2025, segundo o relatório de outubro de 2024.
O Banco Central chinês prometeu mais estímulos, incluindo cortes de juros e injeção de liquidez. Mas a eficácia dessas medidas depende da confiança dos consumidores e das empresas, que ainda está abalada.
Perguntas Frequentes
A China já havia perdido a meta de crescimento antes?
Sim, a última vez foi em 2020, no primeiro ano da pandemia, quando o PIB cresceu 2,2%, muito abaixo da meta de 6%.
Qual foi o PIB da China em 2024?
O PIB chinês cresceu 4,8% em 2024, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas.
Quais os principais setores afetados?
O setor imobiliário, o consumo das famílias e as exportações foram os mais impactados.
Como isso afeta o Brasil?
A desaceleração chinesa reduz a demanda por commodities brasileiras, como soja, minério de ferro e carne bovina.
O governo chinês vai mudar a política econômica?
O governo prometeu mais estímulos fiscais e monetários, mas analistas esperam um crescimento menor em 2025.
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