A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou nesta quarta-feira (15) que o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos atinge US$ 11 bilhões em exportações brasileiras. O valor representa 26,2% de tudo que o Brasil vendeu ao mercado americano em 2025.
O novo tarifaço atinge US$ 11 bilhões em exportações brasileiras, ou 26,2% do total vendido aos EUA. Aço (US$ 3,2 bilhões), alumínio (US$ 1,1 bilhão) e carnes (US$ 1,8 bilhão) são os setores mais impactados, segundo levantamento da CNI.
O que muda com o tarifaço americano
Na prática, o Brasil perdeu a isenção que tinha para exportar aço e alumínio dentro de cotas. Agora, tudo que exceder o volume negociado em 2025 pagará tarifa de 25%. Para carnes, a taxa sobe para 10%.
Segundo a CNI, o impacto direto recai sobre 1.247 empresas exportadoras, a maioria de pequeno e médio porte. O setor de aço responde por 29% do total afetado; alumínio, 10%; carnes, 16%.
Setores mais atingidos pelo novo tarifaço
Siderurgia
O aço brasileiro vendido aos EUA somou US$ 3,2 bilhões em 2025. Com a tarifa de 25%, a competitividade cai. A CNI estima que 40% das exportações de aço para os EUA podem ser perdidas.
Alumínio
Foram US$ 1,1 bilhão exportados em 2025. A tarifa de 25% atinge principalmente laminados e perfis. O Brasil é o terceiro maior fornecedor de alumínio aos EUA.
Carnes
O complexo carnes (bovina, suína e de aves) exportou US$ 1,8 bilhão aos EUA em 2025. A tarifa de 10% entra em vigor em 90 dias. A CNI alerta que o Brasil pode perder mercado para concorrentes como Austrália e Canadá.
Impacto na economia brasileira
A CNI calcula que o tarifaço pode reduzir o PIB industrial brasileiro em 0,3 ponto percentual em 2026. O setor de metalurgia responde por 2,1% do emprego formal no país.
"O governo brasileiro precisa negociar cotas maiores ou novas isenções", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban. "Cada US$ 1 bilhão perdido em exportações representa cerca de 12 mil empregos diretos."
O que o Brasil pode fazer
O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) já anunciou que vai acionar a Organização Mundial do Comércio (OMC) contra as tarifas. A CNI recomenda três frentes:
- Negociação bilateral para reduzir tarifas em setores específicos
- Diversificação de mercados, com foco na Ásia e América Latina
- Aceleração de acordos comerciais com a União Europeia e Canadá
Histórico de barreiras comerciais
Os EUA já haviam imposto tarifas de 25% sobre aço e alumínio em 2018, durante o governo Trump. Na época, o Brasil negociou cotas de exportação. Em 2025, o governo Biden endureceu as regras, eliminando a isenção para países que não têm acordo de livre comércio com os EUA.
Segundo a CNI, o Brasil exportou US$ 42 bilhões aos EUA em 2025, dos quais US$ 11 bilhões agora estão sob tarifas extras.
Perguntas Frequentes
O tarifaço já está valendo?
Para aço e alumínio, as tarifas de 25% já estão em vigor desde 1º de junho de 2026. Para carnes, a taxa de 10% começa em 90 dias.
Quais produtos brasileiros estão isentos?
Produtos como café, suco de laranja, minério de ferro e petróleo bruto continuam sem tarifas extras. A soja e o milho também ficam de fora.
O Brasil pode retaliar?
Sim. O MDIC estuda sobretaxar produtos americanos como milho, trigo e etanol. A CNI alerta que a retaliação deve ser cirúrgica para não afetar a indústria nacional.
Como fica o emprego no setor industrial?
A CNI estima que 15 mil a 20 mil empregos podem ser afetados diretamente. O setor de metalurgia, que emprega 280 mil pessoas, é o mais vulnerável.
Há chance de reverter as tarifas?
A CNI aposta em negociação bilateral. O Brasil é o terceiro maior fornecedor de aço aos EUA e o maior de carne de frango. A interdependência pode abrir espaço para acordo.