CNI propõe parceria com o governo para reduzir impactos do tarifaço
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) entregou ao governo federal um plano de parceria para conter os efeitos do tarifaço sobre o setor produtivo. A proposta, protocolada em maio de 2026, reúne medidas fiscais, creditícias e logísticas que, segundo a entidade, podem reduzir em até 30% o custo extra imposto pelas novas tarifas de importação. A CNI propõe parceria com o governo para reduzir impactos do tarifaço por meio de desoneração de insumos, linhas de crédito especiais e investimentos em portos e ferrovias.
A proposta da CNI se divide em três frentes principais: desoneração tributária, crédito industrial e infraestrutura logística. A entidade estima que o tarifaço elevou em 12% o custo médio da produção industrial brasileira, com setores como o de máquinas e equipamentos sendo os mais afetados.
Desoneração tributária como resposta imediata
A primeira medida sugerida é a redução do IPI e do PIS/Cofins sobre insumos importados que não têm similar nacional. Segundo a CNI, cerca de 40% dos insumos usados pela indústria brasileira vêm do exterior, e o tarifaço elevou a carga tributária efetiva sobre esses itens em 8 pontos percentuais.
A proposta prevê ainda a ampliação do regime de drawback, que hoje já desonera insumos usados na produção de bens exportados. A CNI sugere estender o benefício para produtos destinados ao mercado interno, o que poderia reduzir o custo final em até 5% para setores como o eletroeletrônico e o farmacêutico.
Linhas de crédito com juros subsidiados
O segundo eixo da parceria prevê a criação de linhas de crédito especiais no BNDES, com taxas de juros subsidiadas para empresas que precisarem recompor capital de giro ou investir em substituição de importações. A CNI propõe que o banco federal destine R$ 15 bilhões para essa finalidade, com juros de 6% ao ano, bem abaixo da Selic atual.
A ideia é que o crédito seja direcionado para empresas de todos os portes, com prioridade para as de médio e pequeno porte, que são as mais vulneráveis ao aumento de custos. A CNI estima que cerca de 60% das indústrias de pequeno porte já relataram dificuldades de acesso a crédito desde o início do tarifaço.
Investimentos em logística e infraestrutura
O terceiro pilar da proposta envolve investimentos em infraestrutura logística, especialmente em portos e ferrovias. A CNI argumenta que o tarifaço torna ainda mais urgente a redução do custo Brasil, que hoje encarece em 30% o transporte de cargas em relação à média dos países da OCDE.
A entidade sugere a aceleração de concessões portuárias e a conclusão de trechos ferroviários estratégicos, como a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (FICO) e a Ferrovia Norte-Sul. Segundo a CNI, cada ponto percentual de redução no custo logístico poderia compensar até 2% do impacto do tarifaço sobre a competitividade industrial.
Reações do governo e próximos passos
O governo federal ainda não se manifestou oficialmente sobre a proposta, mas fontes do Ministério da Fazenda indicam que a equipe econômica analisa as medidas com boa receptividade. A CNI propõe que a parceria seja formalizada por meio de um decreto presidencial, sem necessidade de aprovação no Congresso, o que aceleraria a implementação.
A expectativa é que as primeiras medidas possam entrar em vigor ainda no segundo semestre de 2026, caso haja acordo entre as partes. A CNI acredita que, com a parceria, o impacto negativo do tarifaço sobre o PIB industrial pode ser reduzido de 1,5% para 0,5% no ano.
Para quem quer entender melhor os efeitos do tarifaço sobre o dia a dia da indústria, entenda como o tarifaço afeta os preços dos alimentos. E se você é empresário do setor, veja as linhas de crédito disponíveis para sua empresa.
Perguntas Frequentes
O que é o tarifaço?
O tarifaço é o aumento generalizado das tarifas de importação sobre produtos estrangeiros, implementado pelo governo federal em abril de 2026 para proteger a indústria nacional. A medida elevou em média 15 pontos percentuais as alíquotas sobre 3 mil itens.
Quais setores são mais afetados?
Os setores mais impactados são o de máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, farmacêutico e químico, que dependem fortemente de insumos importados. A CNI estima que esses segmentos tiveram aumento de custo de até 18%.
A proposta da CNI já foi aceita?
Ainda não. O governo analisa a proposta, mas não há prazo para resposta. A CNI espera que as primeiras medidas sejam implementadas no segundo semestre de 2026.
O que o governo ganha com a parceria?
O governo ganha ao evitar uma desaceleração mais forte da indústria, que poderia reduzir a arrecadação e aumentar o desemprego. A parceria também fortalece a competitividade do setor sem abrir mão da proteção tarifária.
Como as pequenas empresas podem se beneficiar?
As pequenas empresas teriam prioridade nas linhas de crédito com juros subsidiados e poderiam acessar o regime de drawback estendido, reduzindo o custo de insumos importados. A CNI estima que 60% das pequenas indústrias teriam ganho imediato.