# Comissões do Congresso cobram negociação e criticam reciprocidade aos EUA

> Comissões do Congresso Nacional cobram do governo federal negociação diplomática com os Estados Unidos. As comissões criticam medidas de reciprocidade comercial, consideradas arriscadas para a economia brasileira. A postura busca evitar retaliações que possam prejudicar setores produtivos nacionais e relações bilaterais.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 17 de julho de 2026 · Babi Cordeiro*

Comissões do Congresso Nacional cobram do governo federal uma postura de negociação com os Estados Unidos e criticam a adoção de medidas de reciprocidade comercial, vistas como arriscadas para a economia brasileira.

Senta que lá vem história. O plenário virtual ferveu, mas não foi por meme. Dessa vez, as comissões do Congresso Nacional entraram em cena para cobrar do governo federal uma postura clara: negociar com os Estados Unidos, não retaliar. A reciprocidade comercial, que soa como resposta firme, virou alvo de críticas dentro da própria Casa. E a gente vai te contar como essa novela começou, quem são os personagens e por que o desfecho pode mexer com o bolso do brasileiro.

Comissões do Congresso cobram negociação e criticam reciprocidade aos EUA. A insatisfação partiu de parlamentares que integram a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) e a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS). Para eles, a ideia de impor tarifas ou barreiras comerciais de volta aos americanos é um tiro no pé. O argumento principal? O Brasil tem mais a perder do que a ganhar numa guerra comercial com o maior parceiro comercial fora do Mercosul.

## Por que as comissões criticam a reciprocidade aos EUA

A reciprocidade, na prática, significa que o Brasil aplicaria as mesmas restrições que os EUA impõem a produtos brasileiros. Parece justo, mas os parlamentares enxergam risco. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), por exemplo, já afirmou que a medida pode gerar retaliações e prejudicar setores que dependem do mercado americano, como o aço e o suco de laranja.

### O risco para o agronegócio

O agronegócio brasileiro exporta bilhões de dólares anuais para os EUA. Carne bovina, etanol e suco de laranja são os carros-chefe. Uma retaliação americana, mesmo que indireta, poderia fechar portas que o Brasil levou anos para abrir. O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, foi direto: "Não podemos trocar um mercado consolidado por uma briga de ego".

### O setor industrial também se preocupa

A indústria nacional, que já sofre com a concorrência chinesa, vê nos EUA um destino para produtos de maior valor agregado. O presidente da CNI, Ricardo Alban, já sinalizou que a reciprocidade pode encarecer insumos importados e, no fim, quem paga a conta é o consumidor brasileiro.

## Negociação como caminho defendido pelos parlamentares

As comissões não só criticam a reciprocidade como propõem uma alternativa clara: a mesa de negociação. O deputado Fausto Pinato (PP-SP), relator de um requerimento na CREDN, sugere que o Brasil use a Organização Mundial do Comércio (OMC) como foro para discutir as barreiras comerciais.

### O papel da diplomacia econômica

A ideia é que o Itamaraty lidere conversas com o governo americano para reduzir tarifas de ambos os lados. Parlamentares lembram que os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Um acordo negociado, segundo eles, traria mais ganhos do que uma escalada de tarifas.

### Os próximos passos no Congresso

As comissões devem votar, nas próximas semanas, um requerimento de audiência pública para ouvir o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro da Economia, Fernando Haddad. A ideia é pressionar o governo a apresentar uma estratégia oficial de negociação antes de qualquer medida de retaliação diplomacia comercial Brasil-EUA.

## O que está em jogo na relação comercial Brasil-EUA

A balança comercial entre os dois países é favorável ao Brasil. Em 2025, o superávit brasileiro foi de US$ 8,5 bilhões. Qualquer ruído nessa relação pode afetar diretamente o emprego e a renda no Brasil.

### Setores mais expostos

Além do agronegócio, setores como siderurgia, papel e celulose e calçados são sensíveis a barreiras americanas. A reciprocidade, na visão dos críticos, seria um convite para que os EUA ampliassem as restrições justamente nesses segmentos.

## O contraponto: quem defende a reciprocidade

Nem todo mundo no Congresso acha a ideia ruim. A bancada do Novo, por exemplo, argumenta que o Brasil precisa mostrar força para ser levado a sério em negociações internacionais. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) disse que "a reciprocidade é uma ferramenta de barganha, não um fim em si mesma".

### O risco de ficar sem resposta

Para os defensores da medida, não retaliar pode ser interpretado como fraqueza. Eles citam o caso do aço, em que os EUA mantêm tarifas desde o governo Trump, sem que o Brasil tenha conseguido uma redução significativa.

## O que diz o governo federal

O Palácio do Planalto, até o momento, não se posicionou oficialmente sobre a pressão das comissões. O Ministério das Relações Exteriores informou que as negociações com os EUA estão em andamento e que o Brasil "não tomará medidas unilaterais sem avaliar os impactos".

### A espera por uma definição

Enquanto isso, as comissões seguem cobrando. A expectativa é que, até o fim do semestre, o governo apresente um plano claro de negociação. Se não o fizer, os parlamentares prometem endurecer o tom, e aí a história pode ganhar novos capítulos.

## Perguntas Frequentes

### Por que as comissões do Congresso criticam a reciprocidade aos EUA?

Elas argumentam que a reciprocidade pode gerar retaliações americanas e prejudicar setores estratégicos como o agronegócio e a indústria, que dependem do mercado dos EUA.

### Qual a alternativa defendida pelos parlamentares?

A negociação diplomática, com uso da OMC como foro, para reduzir tarifas de ambos os lados e evitar uma guerra comercial.

### O que está em jogo na relação comercial Brasil-EUA?

O superávit brasileiro na balança comercial, que em 2025 foi de US$ 8,5 bilhões, além de empregos em setores como siderurgia, papel e celulose e calçados.

### Quem defende a reciprocidade no Congresso?

Parlamentares do Novo, como Marcel van Hattem, que veem a medida como ferramenta de barganha em negociações internacionais.

### Qual a posição do governo federal?

O Itamaraty afirma que as negociações estão em andamento e que não haverá medidas unilaterais sem avaliação de impactos.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/comissoes-congresso-cobram-negociacao-criticam-reciprocidade-aos-eua/
