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Comissões do Congresso cobram negociação e criticam reciprocidade aos EUA

ResumoComissões do Congresso Nacional cobram do governo federal negociação diplomática com os Estados Unidos. As comissões criticam medidas de reciprocidade comercial, consideradas arriscadas para a economia brasileira. A postura busca evitar retaliações que possam prejudicar setores produtivos nacionais e relações bilaterais.

Comissões do Congresso Nacional cobram do governo federal uma postura de negociação com os Estados Unidos e criticam a adoção de medidas de reciprocidade comercial, vistas como arriscadas para a economia brasileira.

Babi Cordeiro
Comissões do Congresso cobram negociação e criticam reciprocidade aos EUA

Comissões do Congresso cobram negociação e criticam reciprocidade aos EUA — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Senta que lá vem história. O plenário virtual ferveu, mas não foi por meme. Dessa vez, as comissões do Congresso Nacional entraram em cena para cobrar do governo federal uma postura clara: negociar com os Estados Unidos, não retaliar. A reciprocidade comercial, que soa como resposta firme, virou alvo de críticas dentro da própria Casa. E a gente vai te contar como essa novela começou, quem são os personagens e por que o desfecho pode mexer com o bolso do brasileiro.

Comissões do Congresso cobram negociação e criticam reciprocidade aos EUA. A insatisfação partiu de parlamentares que integram a Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional (CREDN) e a Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS). Para eles, a ideia de impor tarifas ou barreiras comerciais de volta aos americanos é um tiro no pé. O argumento principal? O Brasil tem mais a perder do que a ganhar numa guerra comercial com o maior parceiro comercial fora do Mercosul.

Por que as comissões criticam a reciprocidade aos EUA

A reciprocidade, na prática, significa que o Brasil aplicaria as mesmas restrições que os EUA impõem a produtos brasileiros. Parece justo, mas os parlamentares enxergam risco. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), por exemplo, já afirmou que a medida pode gerar retaliações e prejudicar setores que dependem do mercado americano, como o aço e o suco de laranja.

O risco para o agronegócio

O agronegócio brasileiro exporta bilhões de dólares anuais para os EUA. Carne bovina, etanol e suco de laranja são os carros-chefe. Uma retaliação americana, mesmo que indireta, poderia fechar portas que o Brasil levou anos para abrir. O deputado Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, foi direto: "Não podemos trocar um mercado consolidado por uma briga de ego".

O setor industrial também se preocupa

A indústria nacional, que já sofre com a concorrência chinesa, vê nos EUA um destino para produtos de maior valor agregado. O presidente da CNI, Ricardo Alban, já sinalizou que a reciprocidade pode encarecer insumos importados e, no fim, quem paga a conta é o consumidor brasileiro.

Negociação como caminho defendido pelos parlamentares

As comissões não só criticam a reciprocidade como propõem uma alternativa clara: a mesa de negociação. O deputado Fausto Pinato (PP-SP), relator de um requerimento na CREDN, sugere que o Brasil use a Organização Mundial do Comércio (OMC) como foro para discutir as barreiras comerciais.

O papel da diplomacia econômica

A ideia é que o Itamaraty lidere conversas com o governo americano para reduzir tarifas de ambos os lados. Parlamentares lembram que os EUA são o segundo maior destino das exportações brasileiras, atrás apenas da China. Um acordo negociado, segundo eles, traria mais ganhos do que uma escalada de tarifas.

Os próximos passos no Congresso

As comissões devem votar, nas próximas semanas, um requerimento de audiência pública para ouvir o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e o ministro da Economia, Fernando Haddad. A ideia é pressionar o governo a apresentar uma estratégia oficial de negociação antes de qualquer medida de retaliação diplomacia comercial Brasil-EUA.

O que está em jogo na relação comercial Brasil-EUA

A balança comercial entre os dois países é favorável ao Brasil. Em 2025, o superávit brasileiro foi de US$ 8,5 bilhões. Qualquer ruído nessa relação pode afetar diretamente o emprego e a renda no Brasil.

Setores mais expostos

Além do agronegócio, setores como siderurgia, papel e celulose e calçados são sensíveis a barreiras americanas. A reciprocidade, na visão dos críticos, seria um convite para que os EUA ampliassem as restrições justamente nesses segmentos.

O contraponto: quem defende a reciprocidade

Nem todo mundo no Congresso acha a ideia ruim. A bancada do Novo, por exemplo, argumenta que o Brasil precisa mostrar força para ser levado a sério em negociações internacionais. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) disse que "a reciprocidade é uma ferramenta de barganha, não um fim em si mesma".

O risco de ficar sem resposta

Para os defensores da medida, não retaliar pode ser interpretado como fraqueza. Eles citam o caso do aço, em que os EUA mantêm tarifas desde o governo Trump, sem que o Brasil tenha conseguido uma redução significativa.

O que diz o governo federal

O Palácio do Planalto, até o momento, não se posicionou oficialmente sobre a pressão das comissões. O Ministério das Relações Exteriores informou que as negociações com os EUA estão em andamento e que o Brasil "não tomará medidas unilaterais sem avaliar os impactos".

A espera por uma definição

Enquanto isso, as comissões seguem cobrando. A expectativa é que, até o fim do semestre, o governo apresente um plano claro de negociação. Se não o fizer, os parlamentares prometem endurecer o tom, e aí a história pode ganhar novos capítulos.

Perguntas Frequentes

Por que as comissões do Congresso criticam a reciprocidade aos EUA?

Elas argumentam que a reciprocidade pode gerar retaliações americanas e prejudicar setores estratégicos como o agronegócio e a indústria, que dependem do mercado dos EUA.

Qual a alternativa defendida pelos parlamentares?

A negociação diplomática, com uso da OMC como foro, para reduzir tarifas de ambos os lados e evitar uma guerra comercial.

O que está em jogo na relação comercial Brasil-EUA?

O superávit brasileiro na balança comercial, que em 2025 foi de US$ 8,5 bilhões, além de empregos em setores como siderurgia, papel e celulose e calçados.

Quem defende a reciprocidade no Congresso?

Parlamentares do Novo, como Marcel van Hattem, que veem a medida como ferramenta de barganha em negociações internacionais.

Qual a posição do governo federal?

O Itamaraty afirma que as negociações estão em andamento e que não haverá medidas unilaterais sem avaliação de impactos.

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.