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Como a guerra no Irã mudou a economia global?

ResumoA guerra no Irã provocou o fechamento do Estreito de Hormuz e a retirada de 13 milhões de barris diários do mercado, gerando transformações permanentes na economia global. O conflito acelerou a diversificação energética, impulsionou investimentos em fontes renováveis e reestruturou rotas comerciais marítimas, com países asiáticos e europeus buscando alternativas logísticas para reduzir a dependência do Golfo Pérsico.

A guerra no Irã fechou o Estreito de Hormuz, tirou 13 milhões de barris diários do mercado e forçou mudanças permanentes na economia global. Veja as três transformações mais duradouras.

Igor Bastos
Como a guerra no Irã mudou a economia global?

Como a guerra no Irã mudou a economia global? — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Eu morri de novo, e a culpa não é minha. Dessa vez, o respawn foi caro: a guerra envolvendo o Irã deixou marcas no bolso de todo mundo. Nos EUA, a gasolina passou semanas acima de US$ 4, as taxas de hipoteca se aproximaram de 7% e empresas adicionaram sobretaxas de frete por causa do diesel recorde. Mas, enquanto esses custos devem cair com um cessar-fogo, outras mudanças na economia global vieram pra ficar. Três transformações se destacam.

A guerra no Irã mudou a economia global ao fechar o Estreito de Hormuz, por onde passava um quinto de todo o petróleo mundial. Depois que EUA e Israel atacaram o Irã no final de fevereiro, Teerã declarou o estreito sob seu controle e atacou embarcações. O fechamento efetivo tirou 13 milhões de barris diários do mercado. Em maio, o Irã mudou de tática: em vez de fechar, passou a regulamentar o uso, exigindo registro, rota autorizada e pedágio. Após um Memorando de Entendimento com os EUA em junho, suspendeu as cobranças por 60 dias, mas seguiu atacando navios não registrados. Com o memorando descartado, os militares americanos passaram a coordenar travessias noturnas, os "dark transits", pra evitar drones iranianos.

O Irã saiu fortalecido. "É provável que o Irã saia da guerra com uma posição mais forte sobre o controle do estreito, e isso vai forçar os países dependentes do petróleo do Oriente Médio a se adaptarem", afirmou Ross Mayfield, estrategista do Baird. "O fechamento de Hormuz deixou de ser um risco hipotético e se tornou uma tática demonstrada e eficaz." Analistas já falam em acordo que permita ao Irã cobrar pedágio. Natasha Kaneva, do JPMorgan, lembrou que Turquia, Dinamarca, Suécia, Rússia e Indonésia cobram taxas de travessia. Uma estrutura à la turca poderia acrescentar US$ 1 ao barril, com um navio-tanque pagando US$ 260 mil por ida e volta.

A China, sem produzir muito petróleo, mostrou força. Usou estoques acumulados pra cortar importações em 5 milhões de barris por dia, segundo Joe Brusuelas, da RSM US. No feriado de 1º de maio, o carregamento de elétricos nas rodovias cresceu 55,6%, e quase um quarto dos carros eram elétricos. A demanda por petróleo caiu mais que o esperado. Dos 1,9 bilhão de barris que o mercado deixou de receber, 800 milhões foram absorvidos pela redução no consumo, segundo o JPMorgan. "A história sugere que choques anteriores frequentemente deixaram declínios duradouros na demanda por gasolina", disse Kaneva.

Fora do Oriente Médio, a produção disparou. O Brasil adicionou 800 mil barris por dia; a Guiana, 300 mil; o Canadá, 200 mil; a Noruega, 150 mil. Os EUA produzem 900 mil barris a mais que no ano passado. A Arábia Saudita usa comboios de caminhões e o oleoduto Leste-Oeste. O Iraque negocia com a Chevron um oleoduto até o Mediterrâneo. E a OPEP vive crise: os Emirados saíram em abril, e o Iraque estuda sair se não puder produzir 5 milhões de barris por dia. Se a Arábia Saudita liberar mais produção, os preços caem, mas o excesso de oferta pode reduzir os lucros do setor. No fim, a guerra no Irã não só mudou o mapa do petróleo, mas provou que o mundo é mais flexível do que se pensava. E eu, aqui, só espero que o próximo respawn seja mais barato.

Igor Bastos

Editoria Destaques

Igor Bastos cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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