O brasileiro que foi ao açougue nos últimos meses e estranhou o preço do frango não está louco. A competitividade da carne de frango em comparação à suína caiu 70% em um ano, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Em maio de 2025, o frango inteiro resfriado custava, em média, R$ 7,50/kg no atacado, enquanto a carcaça suína especial saía por R$ 11,50/kg, diferença de 35%. Doze meses depois, o frango saltou para R$ 10,20/kg e a suína foi a R$ 11,30/kg, diferença de apenas 10%. Quem perdeu foi o consumidor, que viu a proteína mais barata do país encarecer 36% em um ano, enquanto a inflação geral ficou em 4,2% (IBGE, IPCA, mai/2026).
Por que o frango perdeu a vantagem?
A queda de competitividade tem três motores principais: custo de ração, demanda externa e logística. O milho e a soja, base da alimentação de aves e suínos, subiram 28% e 22% respectivamente entre maio de 2025 e maio de 2026, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento). Isso afeta mais o frango que o suíno, porque a conversão alimentar da ave é pior: são necessários 1,8 kg de ração para produzir 1 kg de frango vivo, contra 2,6 kg/kg para o suíno. Em outras palavras, o frango precisa de ração mais concentrada, e o custo da ração pesa mais no preço final.
Demanda externa e câmbio
O Brasil exportou 4,8 milhões de toneladas de carne de frango em 2025, recorde histórico, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). A demanda chinesa e do Oriente Médio manteve-se aquecida, puxando preços internos para cima. No mesmo período, as exportações de carne suína cresceram 12%, mas partindo de uma base menor (1,2 milhão de t). O câmbio também pesou: o dólar médio de 2025 foi de R$ 5,80, contra R$ 5,20 em 2024, encarecendo insumos importados como farelo de soja.
Impacto no bolso do consumidor
Para quem faz compras no supermercado, a mudança é visível. Em maio de 2025, o consumidor pagava R$ 9,80/kg pelo frango resfriado no varejo e R$ 14,50/kg pela carne suína (IBGE, IPCA, subitens). Em maio de 2026, os preços foram a R$ 13,20/kg e R$ 14,80/kg, respectivamente. A diferença caiu de 32% para 11%. Quem trocava a carne bovina (R$ 32/kg) pelo frango para economizar agora encontra menos alívio. A carne suína, antes considerada cara, virou opção viável.
O que dizem os especialistas?
Segundo o Cepea, a relação de troca entre frango e suíno atingiu o menor patamar desde 2018. Isso não significa que o frango vai superar a suína em preço absoluto, mas que a vantagem histórica do frango se estreitou. Para o consumidor, a recomendação é diversificar: carne suína, ovos (que subiram 18% no mesmo período) e cortes de frango menos nobres, como a coxa, podem render melhor.
Perspectivas para os próximos meses
A safra de milho 2025/2026, estimada em 120 milhões de toneladas pela Conab, deve aliviar os custos de ração a partir de agosto. Se o dólar se estabilizar, o preço do frango pode recuar. Mas a demanda externa continua forte, e a competitividade só deve se recuperar se houver queda simultânea do câmbio e dos grãos. Até lá, o consumidor brasileiro terá que se adaptar.
Perguntas Frequentes
O que significa queda de 70% na competitividade?
Significa que a diferença de preço entre frango e suíno se reduziu em 70% em um ano. Antes, o frango era 35% mais barato; agora, é apenas 10% mais barato.
O frango ainda é mais barato que a carne suína?
Sim, ainda é mais barato, mas a diferença caiu de 35% para 10%. Em algumas regiões, os preços já se igualam.
Por que o frango subiu tanto?
Alta do milho e da soja, aumento das exportações e custos logísticos pressionaram os preços. O frango é mais sensível a esses custos que a carne suína.
A carne suína vai ficar mais cara também?
A carne suína subiu menos que o frango, mas também foi afetada. A tendência é de estabilidade, salvo novos choques cambiais.
Como economizar na compra de carnes?
Diversifique: inclua ovos, cortes de frango menos nobres (coxa, sobrecoxa) e carne suína. Acompanhe promoções e compre em açougues de bairro.
Quando a competitividade deve se recuperar?
Se a safra de milho for boa e o dólar cair, a partir de agosto de 2026 a diferença pode voltar a crescer. Mas é incerto.
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