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Copa 2026: oscilações no consumo elétrico superam 2022, diz ONS

ResumoO Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrou oscilações no consumo de energia elétrica durante a Copa do Mundo de 2026 mais intensas que as observadas em 2022. A maior queda na carga do sistema brasileiro atingiu 21% durante a partida entre Brasil e Japão. O fornecimento de energia não foi interrompido.

O ONS afirmou que a carga do sistema elétrico brasileiro teve oscilações mais intensas na Copa de 2026 do que em 2022. A maior queda foi de 21% durante Brasil e Japão. O fornecimento não foi interrompido.

Babi Cordeiro
Copa 2026: oscilações no consumo elétrico superam 2022, diz ONS

Copa 2026: oscilações no consumo elétrico superam 2022, diz ONS — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

A Copa do Mundo de 2026 trouxe um desafio extra para o sistema elétrico brasileiro. Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), as oscilações no consumo durante os jogos foram mais intensas do que as registradas no Mundial de 2022. Enquanto as maiores variações ficaram entre 11% e 14% na edição anterior, agora se aproximaram de 20%. A boa notícia é que, apesar do sobe e desce na demanda, o fornecimento não foi interrompido. O ONS divulgou um comunicado oficial nesta 2ª feira (20.jul.2026) detalhando a operação especial.

As oscilações de até 21% na carga do sistema elétrico durante a Copa de 2026 mostram como a rotina de milhões de pessoas impacta a rede. Quando o Brasil entra em campo, o consumo de empresas, comércios e residências cai. Todo mundo para para assistir. Nos intervalos e depois do apito final, a retomada das atividades, ligar a chaleira, a TV, o ar-condicionado, eleva rapidamente a demanda. O setor elétrico chama esse movimento de rampa de carga.

O maior tombo foi no Brasil x Japão

A maior redução na carga foi registrada durante Brasil e Japão, disputado em 29 de junho de 2026. Das 14h às 16h, a carga do SIN (Sistema Interligado Nacional) ficou até 21% abaixo da curva de referência usada pelo ONS. Foi a maior queda registrada durante toda a Copa. Para se ter ideia, em 2022 as maiores variações ficaram entre 11% e 14%.

Depois do jogo do Brasil, a carga continuou abaixo do padrão durante a partida entre Alemanha e Paraguai, decidida nos pênaltis. Quando o confronto terminou, por volta das 20h, o consumo aumentou 4.450 MW (megawatts) em apenas 20 minutos. É o equivalente a ligar uma cidade inteira de uma vez.

Final teve efeito menor, mas rampa foi forte

Na final entre Argentina e Espanha, disputada no domingo (19.jul.2026), às 16h, a carga ficou até 6,6% abaixo da observada em um domingo típico. No intervalo, a demanda subiu 3.257 MW. Depois da conquista do título pela Espanha, o sistema registrou uma elevação de 6.479 MW. Apesar de a oscilação ter sido menor que nos jogos do Brasil, a velocidade da retomada impressiona.

O que é curtailment e por que ele acontece?

As oscilações no consumo durante a Copa de 2026 não afetam só a demanda. Elas também ampliam a necessidade de restringir a geração. Quando a oferta de energia supera a demanda ou não pode ser integralmente transportada pela rede de transmissão, o ONS determina que algumas usinas reduzam a produção. A medida, chamada de curtailment (corte de geração), preserva o equilíbrio entre geração e consumo e evita instabilidades no sistema.

Importante: curtailment não representa interrupção no fornecimento aos consumidores. Trata-se da energia que usinas, sobretudo solares e eólicas, poderiam produzir, mas deixaram de fornecer ao sistema por determinação do ONS. É como se a rede dissesse: "não preciso dessa energia agora, pode desligar".

Os números da restrição nos jogos do Brasil

Conforme noticiou o Poder360, os 5 jogos da seleção brasileira na Copa exigiram a restrição de 50,4 GWh (gigawatts-hora) de geração solar e eólica durante as 10 horas em que o time esteve em campo. O volume equivale a cerca de 6 horas de produção da usina de Itaipu, considerando a média de 8,3 GWh por hora registrada em 2025.

As restrições foram maiores nas partidas realizadas durante o dia ou em períodos de menor consumo. O jogo contra o Japão respondeu por 15,1 GWh. A eliminação diante da Noruega, disputada em um domingo, exigiu o corte de 22,8 GWh. Juntos, os dois confrontos concentraram 75,2% de toda a restrição registrada durante a campanha brasileira.

Por que as oscilações foram maiores em 2026?

A resposta está na mudança simultânea na rotina de milhões de pessoas. Com mais gente acompanhando os jogos, seja em casa, em bares ou em eventos públicos, o consumo despenca durante a partida e dispara no intervalo e após o fim. O ONS já esperava o movimento, mas a intensidade surpreendeu. Enquanto em 2022 as variações ficaram na faixa de 11% a 14%, agora chegaram perto dos 20%.

O sistema elétrico brasileiro, no entanto, mostrou resiliência. A operação especial terminou sem interrupção no fornecimento. O ONS conseguiu equilibrar a oferta e a demanda mesmo com os picos de consumo.

Como o ONS se prepara para esses eventos?

O órgão monitora a programação dos jogos e ajusta a operação do sistema em tempo real. Durante a Copa, equipes de plantão acompanham a curva de carga e acionam usinas hidrelétricas para compensar as variações. Quando a demanda cai, reduzem a geração de fontes intermitentes, como solar e eólica. Quando sobe, acionam térmicas e hidrelétricas para atender ao pico.

O curtailment é uma ferramenta de segurança. Sem ele, o sistema poderia sofrer instabilidades, como quedas de tensão ou até apagões localizados. A medida é comum em países com alta penetração de renováveis, como o Brasil.

O que esperar para os próximos eventos?

Com a crescente participação de fontes solar e eólica na matriz elétrica, as oscilações devem se tornar mais frequentes. Eventos como a Copa do Mundo, que concentram a atenção de milhões de pessoas, exigem planejamento e flexibilidade do ONS. A boa notícia é que o sistema brasileiro já mostrou que consegue lidar com o desafio.

Para quem quer entender melhor o impacto, vale acompanhar os dados do ONS e as análises do setor. A cada partida, a rede aprende a dançar conforme a música.

Perguntas Frequentes

O que é a rampa de carga?

É o aumento rápido na demanda de energia elétrica após um período de baixo consumo, como durante o intervalo ou após o fim de um jogo de futebol.

O curtailment afeta o fornecimento de energia para minha casa?

Não. O curtailment é a redução da geração de usinas solares e eólicas por determinação do ONS para equilibrar o sistema. O fornecimento aos consumidores não é interrompido.

Qual foi a maior oscilação registrada na Copa de 2026?

A maior queda foi de 21% na carga do sistema, durante o jogo Brasil x Japão, em 29 de junho de 2026.

Quantos GWh foram restringidos nos jogos do Brasil?

Foram 50,4 GWh de geração solar e eólica restringidos durante os 5 jogos da seleção, o equivalente a cerca de 6 horas de produção da usina de Itaipu.

O que significa SIN?

SIN é a sigla para Sistema Interligado Nacional, a rede que conecta a geração e o consumo de energia elétrica em todo o Brasil.

entenda como funciona o curtailment no Brasil ONS e a operação do sistema elétrico em grandes eventos

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.