# CVM apura laudos falsos de Vorcaro para inflar fundo

> A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) investiga o grupo ligado a Daniel Vorcaro por suspeita de uso de laudos falsos para inflar o valor de imóveis do fundo Brazil Realty. Um ativo específico teria saltado de R$ 7,1 milhões para R$ 70,9 milhões, indicando possível manipulação de avaliação. A apuração busca verificar a autenticidade dos documentos e o impacto sobre cotistas.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 08 de setembro de 2026 · Dani Quaresma*

A CVM apura se um grupo ligado a Daniel Vorcaro usou laudos falsos para inflar o valor de imóveis do fundo Brazil Realty. Um imóvel saltou de R$ 7,1 mi para R$ 70,9 mi. Entenda o caso.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) apura o uso de laudos falsos por um grupo ligado a Daniel Vorcaro para inflar o valor de imóveis, cujas cotas eram vendidas por meio do fundo imobiliário Brazil Realty a investidores de mercado. A acusação inclui 18 nomes, entre eles o de Daniel Vorcaro e do Banco Master.

Segundo apurou o CNN Money, os laudos de avaliação que fundamentavam os preços dos imóveis teriam sido forjados. Com isso, o patrimônio do fundo inchou artificialmente, dando ao grupo vantagens indevidas. No processo, a acusação menciona um imóvel de 7.111 m² situado em Nova Lima (MG). O valor saltou de R$ 7,1 milhões para R$ 70,9 milhões, tendo como única base um laudo de imóvel de outubro de 2017. A empresa responsável pelo laudo foi intimada e negou a autoria do documento, classificando-o como fraude e registrando boletim de ocorrência.

A acusação também menciona um imóvel de 76.000 m² em Contagem (MG). O processo aponta incoerência no laudo por possível sobreavaliação de aproximadamente R$ 56 milhões. Para a acusação, os laudos, a entrada dos imóveis a preços inflados no fundo e as negociações no mercado secundário realizadas pelas empresas do grupo teriam como objetivo ludibriar investidores de mercado a adquirir as cotas e ficar com o prejuízo da diferença entre o valor artificial e o valor real.

A investigação da autarquia também aponta que empresas do próprio grupo atuaram comprando e vendendo as contas do fundo entre si para dar aparência de liquidez ao papel. A CVM identificou prejuízo de R$ 5,8 milhões aos fundos que negociaram as cotas. Para a acusação, a Entre Investimentos e Participações era a responsável por conferir liquidez à operação. Entre novembro de 2018 e março de 2020, a empresa realizou 177 operações no mercado secundário de balcão não organizado. À CVM, a empresa argumentou que a acusação falhou em descrever com precisão os atos ilícitos supostamente praticados, limitando-se a imputar-lhe o papel de "câmara de liquidação" ao dar liquidez às cotas.

À CVM, a defesa do Banco Master, Daniel Vorcaro e Viking defenderam a regularidade da integralização das cotas. Ressaltam que, ao contrário dos demais acusados, todas as integralizações do Banco Master foram feitas em dinheiro, de modo que a simples prova das transferências bastaria para atestar sua regularidade. Após o Banco Master ser liquidado, a autarquia implementou um pente-fino para mapear o modus operandi do Grupo Master e da Reag Investimentos. Foram analisados 314 processos instaurados a partir de 2017 com o objetivo de aprimorar a supervisão e a governança da CVM.

O caso está na pauta da CVM desta terça-feira (8). A reportagem entrou em contato com a defesa de Daniel Vorcaro e aguarda posicionamento.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/cvm-apura-uso-laudos-falsos-por-vorcaro-inflar-fundo-imobiliario/
