Destaques

Daniel Ortega diz que não haverá mais eleições na Nicarágua para impedir volta da oposição

ResumoDaniel Ortega, presidente da Nicarágua, declarou que o país não realizará novas eleições para impedir o retorno da oposição ao poder. A afirmação foi feita em evento em Manágua e gerou críticas de organismos internacionais, que apontam violação de princípios democráticos e direitos políticos na Nicarágua.

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou que o país não realizará novas eleições para impedir que a oposição volte ao poder. A declaração foi feita durante evento em Manágua e provoca críticas de organismos internacionais.

Sol Henriques
Daniel Ortega diz que não haverá mais eleições na Nicarágua para impedir volta da oposição

Daniel Ortega diz que não haverá mais eleições na Nicarágua para impedir volta da oposição — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Daniel Ortega diz que não haverá mais eleições na Nicarágua para impedir volta da oposição ao poder

O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou neste domingo (19) que o país não realizará novas eleições com o objetivo de impedir que a oposição volte ao poder. A declaração foi feita durante um evento em Manágua em comemoração ao 47º aniversário da Revolução Sandinista e provocou novas críticas de organizações de direitos humanos e de grupos opositores, que acusam o governo de consolidar um regime sem espaço para a democracia.

"Aqui não haverá mais eleições, para que não tentem, por esse caminho, tomar o governo e o poder", declarou Ortega ao afirmar que os opositores estariam "à espreita", apesar de muitos viverem atualmente no exílio.

Quem é Daniel Ortega e como chegou ao poder?

Daniel Ortega, de 80 anos, é um dos principais líderes históricos da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), partido de esquerda que chegou ao poder após a Revolução Sandinista de 1979. Ex-guerrilheiro, ele governou a Nicarágua entre 1985 e 1990, retornou à Presidência em 2007 e permanece no cargo desde então. Ao longo dos últimos anos, seu governo tem sido alvo de críticas de organismos internacionais, como a ONU e a Organização dos Estados Americanos (OEA), por supostas violações de direitos humanos, perseguição a opositores, restrições à imprensa e falta de garantias para eleições livres.

O que Ortega disse sobre as eleições?

Durante o discurso, Ortega afirmou que a Assembleia Nacional, controlada por aliados do governo, deverá aprovar novas leis para impedir o que chamou de ações de "golpistas e traidores da pátria". Ele também voltou a acusar os Estados Unidos de financiarem adversários políticos. "Por mais dinheiro que os ianques deem a eles, não conseguirão", afirmou.

As declarações ocorrem após mudanças constitucionais que entraram em vigor no início de 2025. As reformas ampliaram o mandato presidencial de cinco para seis anos, adiando, em tese, as próximas eleições gerais para novembro de 2027. Entre as alterações também está a criação do cargo de "copresidente", ocupado por Rosario Murillo, vice-presidente e esposa de Ortega.

Como a comunidade internacional reagiu?

As mudanças foram amplamente criticadas por organismos internacionais e pela oposição nicaraguense. O coletivo Nicaragua Nunca Más, organização que atua a partir da Costa Rica, afirmou que o governo eliminou praticamente todos os espaços democráticos no país. Segundo Salvador Marenco, coordenador da entidade, a Frente Sandinista transformou-se em um partido praticamente único, sem oposição real. Ele citou como exemplos o fechamento de mais de 5.600 organizações da sociedade civil, a cassação de partidos políticos e o encerramento de veículos de comunicação independentes.

Para a organização, a declaração de Ortega representa mais um passo no enfraquecimento das instituições democráticas e praticamente elimina qualquer expectativa de realização de eleições competitivas em 2027.

O que Ortega disse sobre os Estados Unidos?

Além da questão interna, Ortega voltou a direcionar críticas aos Estados Unidos durante o discurso. O presidente condenou a atuação de Washington contra governos aliados da Nicarágua, especialmente Venezuela e Cuba, e acusou os norte-americanos de tentarem dominar outros países para explorar suas riquezas. Ele também criticou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, classificando a operação como uma "monstruosidade", e afirmou que há políticos alinhados a potências estrangeiras que defendem ações semelhantes contra Cuba.

Qual o futuro da Nicarágua?

Apesar de manter uma relação historicamente próxima com governos de esquerda da América Latina, como os de Cuba e Venezuela, a Nicarágua enfrenta crescente isolamento internacional. O governo dos Estados Unidos mantém sanções contra integrantes da administração Ortega, incluindo aliados e familiares do casal presidencial, enquanto organismos internacionais continuam denunciando a deterioração da democracia e das liberdades civis no país.

Perguntas Frequentes

O que Daniel Ortega disse sobre as eleições na Nicarágua?

Ortega afirmou que não haverá mais eleições no país para impedir que a oposição volte ao poder. A declaração foi feita em 19 de julho de 2026, durante evento em Manágua.

Por que Daniel Ortega quer acabar com as eleições?

Segundo a declaração, o objetivo é impedir que a oposição tome o governo e o poder. Ortega disse que os opositores estariam "à espreita", apesar de muitos viverem no exílio.

O que mudou na Constituição da Nicarágua em 2025?

As reformas ampliaram o mandato presidencial de cinco para seis anos e criaram o cargo de "copresidente", ocupado por Rosario Murillo, vice-presidente e esposa de Ortega.

Quem é Salvador Marenco?

Salvador Marenco é o coordenador do coletivo Nicaragua Nunca Más, organização que atua a partir da Costa Rica e denuncia a eliminação de espaços democráticos no país.

O que Ortega disse sobre os Estados Unidos?

Ortega acusou os Estados Unidos de financiarem adversários políticos e criticou a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro, classificando a operação como uma "monstruosidade".

Sol Henriques

Editoria Destaques

Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.