# Empresários apontam interferência das eleições no tarifaço de Trump

> Empresários dos dois lados do Atlântico apontam interferência das eleições no tarifaço de Trump. A guerra comercial pode ser usada como moeda de troca política, afetando exportações brasileiras e a inflação nos Estados Unidos.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 17 de julho de 2026 · Igor Bastos*

Empresários dos dois lados do Atlântico apontam interferência das eleições no tarifaço de Trump. A guerra comercial pode ser usada como moeda de troca política, afetando exportações brasileiras e a inflação nos EUA. Veja os bastidores.

## Empresários apontam interferência das eleições no tarifaço de Trump

Empresários brasileiros e americanos apontam interferência das eleições no tarifaço de Trump. A guerra comercial, iniciada com tarifas sobre aço e alumínio, pode ter um calendário político que favorece a reeleição de republicanos no Congresso dos EUA em 2026, mas prejudica exportadores brasileiros.

A política tarifária de Donald Trump, desde seu primeiro mandato, sempre teve um componente eleitoral. Agora, com as eleições de meio de mandato nos EUA em 2026 se aproximando, empresários dos dois lados do Atlântico veem um padrão: as tarifas sobem quando a base republicana precisa ser mobilizada, e caem quando o custo político fica alto demais.

## Guerra comercial tem cálculo eleitoral, dizem empresários

Para empresários brasileiros, a guerra comercial não é apenas uma disputa econômica. "A gente vê que as tarifas são anunciadas em momentos específicos, sempre perto de datas eleitorais importantes", afirma Carlos Eduardo de Andrade, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). "Isso não é coincidência."

Nos EUA, a percepção é similar. A Câmara de Comércio Americana já se manifestou contra o tarifaço, mas reconhece que a base de Trump apoia a medida. "O tarifaço é uma ferramenta de campanha disfarçada de política industrial", disse um executivo do setor siderúrgico americano sob anonimato.

## Como as tarifas de Trump afetam o Brasil

O Brasil é um dos maiores exportadores de aço para os EUA. Em 2025, as exportações brasileiras de aço para o mercado americano somaram US$ 3,2 bilhões, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. As tarifas de 25% impostas por Trump podem reduzir esse fluxo em até 40%, estimam analistas.

Mas o impacto não é só no aço. O tarifaço também atinge alumínio, carne bovina e etanol. Empresários do agronegócio brasileiro já veem os efeitos. "O etanol brasileiro perdeu competitividade nos EUA com a tarifa de 20%", afirma Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

## Eleições 2026: o timing do tarifaço

O calendário eleitoral americano tem datas-chave: as primárias republicanas começam em março de 2026, e as eleições gerais são em novembro. Empresários apontam que Trump pode aumentar as tarifas antes das primárias para mostrar força, e depois aliviar perto da eleição para não prejudicar a economia.

"O tarifaço é uma cortina de fumaça. Enquanto a imprensa fala de guerra comercial, a base republicana fica feliz com o discurso protecionista", analisa o cientista político Michael Beckley, da Tufts University. "Mas o custo para o consumidor americano é alto."

## Reação do governo brasileiro

O governo Lula já sinalizou que pode retaliar. O Ministério das Relações Exteriores estuda taxar produtos americanos como soja, milho e aviões. "Não vamos ficar parados", disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista recente.

No entanto, a retaliação também tem custo político. Empresários brasileiros temem que uma guerra comercial com os EUA afete investimentos e aumente a inflação. "O Brasil não pode entrar numa briga de foice com os EUA. Quem perde é o consumidor brasileiro", pondera José Augusto de Castro, presidente da AEB.

## O que esperar do tarifaço até 2026

Analistas preveem que o tarifaço deve se intensificar até meados de 2026, quando as primárias republicanas atingem o pico. Depois, pode haver uma trégua temporária para não prejudicar a economia americana antes da eleição.

Para o Brasil, a recomendação é diversificar mercados. "O Brasil precisa reduzir a dependência dos EUA para exportações de aço e etanol", afirma o economista Paulo Sérgio de Oliveira, da FGV. "O tarifaço de Trump é um lembrete de que o comércio internacional é instável."

## Perguntas Frequentes

### O tarifaço de Trump afeta diretamente o Brasil?

Sim, as tarifas sobre aço, alumínio e etanol reduzem a competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano, afetando exportações e empregos.

### Por que empresários acreditam em interferência eleitoral?

Porque as tarifas são anunciadas em datas estratégicas, próximas a eleições, para mobilizar a base republicana sem considerar os impactos econômicos.

### O Brasil pode retaliar as tarifas?

Sim, o governo estuda taxar produtos americanos como soja e aviões, mas isso pode gerar uma guerra comercial com custos para ambos os lados.

### Quando o tarifaço pode diminuir?

Analistas preveem que as tarifas podem ser aliviadas perto das eleições de novembro de 2026, para não prejudicar a economia americana.

### Como o Brasil pode se proteger?

Diversificando mercados exportadores, como Ásia e Europa, e fortalecendo acordos comerciais com outros blocos econômicos.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/empresarios-apontam-interferencia-eleicoes-tarifaco-trump/
