# Empresas alemãs ampliam investimentos no exterior em 2026

> Pesquisa da DIHK revela que 43% das empresas industriais alemãs planejam ampliar investimentos no exterior em 2026. O movimento é impulsionado por alta de custos e perda de competitividade, com destaque para Ásia e Zona do Euro como destinos preferenciais.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 18 de julho de 2026 · Tomás Wenzel*

Empresas alemãs de todos os portes ampliam investimentos no exterior impulsionadas por alta de custos e perda de competitividade, segundo pesquisa da DIHK. Dados apontam que 43% das industriais planejam investir fora em 2026, com destaque para Ásia e Zona do Euro.

## Empresas alemãs ampliam investimentos no exterior em 2026

Empresas alemãs de todos os portes estão ampliando seus investimentos no exterior, impulsionadas por alta de custos, perda de competitividade e condições econômicas desfavoráveis na Alemanha. Segundo a DIHK (Associação das Câmaras de Comércio e Indústria Alemãs), 43% das empresas industriais planejam investir fora do país em 2026, um aumento de 3 pontos percentuais em relação ao ano anterior. A tendência reflete uma mudança estrutural: o investimento estrangeiro agora visa reduzir custos, não mais expandir mercados.

## Por que empresas alemãs estão saindo do país

A pesquisa da DIHK, divulgada no início de 2026, aponta que os motivos são claros: aumento dos custos, problemas estruturais e condições econômicas desfavoráveis na Alemanha como local de negócios. Volker Treier, diretor de Comércio Internacional da DIHK, afirmou que "as empresas agora são forçadas a investir no exterior principalmente por razões de custo. Isso com frequência leva a cortes significativos nas unidades domésticas".

### Casos concretos: Gardena e Basf

A Gardena, fabricante de ferramentas de jardinagem sediada em Ulm, planeja cortar 250 empregos na Alemanha, uma redução de 10% de sua força de trabalho no país, e transferir parte de suas operações para a República Tcheca. Já a Basf, gigante da indústria química, pretende transferir posições de serviços para a Índia, pressionando postos de trabalho em sua unidade de Berlim.

## Dados históricos: de 2021 a 2023

De acordo com o Destatis (Departamento Federal de Estatística), cerca de 1.300 empresas alemãs com mais de 50 funcionários transferiram funções para o exterior entre 2021 e 2023, o equivalente a 2,2% de todas as empresas desse porte no país. Essas transferências custaram aproximadamente 50.800 empregos na Alemanha.

## Tendências divergentes: KfW e DIHK

O banco estatal de desenvolvimento KfW observa uma tendência diferente: muitas empresas de médio porte estão reduzindo sua presença internacional. O número de empresas alemãs de médio porte que atuavam no exterior caiu de cerca de 880 mil em 2022 para cerca de 760 mil em 2023. Dirk Schumacher, economista-chefe do KfW, atribui isso a "tensões geopolíticas na Ucrânia e no Oriente Médio, à crescente concorrência das exportações da China em setores-chave e à política comercial protecionista dos Estados Unidos".

## Destinos preferenciais dos investimentos

A Zona do Euro continua sendo a região mais importante para investimentos alemães, com 64% das empresas direcionando recursos para lá. A Ásia ganha força: a participação de empresas industriais que investem na China subiu de 31% para 34%, e a região Ásia-Pacífico (excluindo a China) cresceu de 21% para 26%. Já a América do Norte perdeu atratividade, caindo de 48% para 44%.

## Investimentos totais: abaixo dos picos históricos

Apesar do movimento, o professor Steffen Müller, do IWH (Instituto Leibniz de Pesquisa Econômica de Halle), afirma que os investimentos diretos de empresas alemãs no exterior estão "bem abaixo dos níveis máximos". Segundo estatísticas do Bundesbank (Banco Central da Alemanha), as transações anuais foram de 120 bilhões de euros de 2017 a 2022, mas caíram para 80 bilhões em 2024 e menos de 100 bilhões em 2025. "Poucos motivos para supor que um fluxo de capital significativamente maior esteja saindo do país", disse Müller à Deutsche Welle.

## O que esperar para os próximos anos

A DIHK projeta que a pressão sobre a indústria alemã continuará, com recordes históricos de custos. Sven Ehling, porta-voz da entidade, destacou que as pressões de custos atingiram um pico, levando mais empresas a planejar investimentos estrangeiros. A tendência, no entanto, não é linear: a disputa tarifária com os Estados Unidos alimenta incertezas e adia decisões.

## Perguntas Frequentes

### Por que empresas alemãs estão investindo mais no exterior em 2026?

Por causa do aumento dos custos de energia e mão de obra, perda de competitividade e condições econômicas desfavoráveis na Alemanha, segundo a DIHK.

### Quais empresas alemãs estão transferindo operações?

A Gardena planeja cortar 250 empregos e transferir parte da produção para a República Tcheca; a Basf pretende transferir serviços para a Índia.

### Para onde as empresas alemãs estão indo?

Os principais destinos são a Zona do Euro (64%), China (34%) e Ásia-Pacífico (26%). A América do Norte perdeu força, caindo para 44%.

### Quantos empregos foram perdidos na Alemanha?

Cerca de 50.800 empregos foram perdidos entre 2021 e 2023 devido à transferência de funções para o exterior, segundo o Destatis.

### Os investimentos totais aumentaram?

Não. Os investimentos diretos caíram de 120 bilhões de euros (2017-2022) para 80 bilhões em 2024 e menos de 100 bilhões em 2025, segundo o Bundesbank.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/empresas-alemas-ampliam-investimentos-exterior/
