Enfermeira é presa no Rio após vender remédios falsos contra câncer
Eu estava em casa, lendo sobre o caso, quando me lembrei daquela vez que comprei um frasco de xarope para tosse e ele tinha gosto de água com açúcar. Não era a mesma coisa, claro, mas a sensação de ter sido enganado, de ter confiado em algo que não era, ficou. Agora, imagine descobrir que o remédio que você toma para combater um câncer é falso. É sobre isso que estamos falando.
Uma enfermeira foi presa no Rio de Janeiro suspeita de vender remédios falsos contra câncer para pacientes em tratamento. A Polícia Civil investiga o esquema, que pode ter lesado dezenas de vítimas. Os medicamentos, supostamente importados, eram na verdade substâncias sem eficácia, como soro fisiológico e água destilada. A prisão ocorreu após denúncia de uma paciente que desconfiou da embalagem.
O caso: como a fraude foi descoberta
A investigação começou em maio de 2025, quando uma paciente oncológica procurou a delegacia após notar que o frasco de um medicamento comprado por R$ 3.500 tinha o lacre violado e o líquido dentro era transparente demais. Segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, a suspeita vendia os remédios pela internet, em grupos de WhatsApp e redes sociais, prometendo acesso a tratamentos importados de alto custo.
A enfermeira, de 34 anos, foi presa em flagrante em sua casa, na Zona Norte do Rio. Com ela, foram apreendidos frascos, seringas e rótulos falsificados de marcas conhecidas, como Keytruda e Opdivo, ambos usados em imunoterapia contra câncer. A polícia estima que pelo menos 30 pacientes podem ter sido vítimas do esquema.
Como as vítimas eram abordadas
A suspeita se apresentava como enfermeira especializada em oncologia e oferecia os medicamentos com descontos de até 60% em relação ao preço de mercado. Ela pedia pagamento adiantado, via Pix ou transferência bancária, e enviava os frascos pelos Correios.
- O preço médio cobrado por frasco era de R$ 3.500 a R$ 8.000, dependendo do medicamento.
- As vítimas eram orientadas a aplicar o remédio em casa, sem supervisão médica.
- Algumas pacientes relataram que, após o uso, tiveram reações alérgicas ou piora no quadro clínico.
Os riscos à saúde dos pacientes
Tomar um medicamento falsificado durante o tratamento de câncer não é apenas jogar dinheiro fora. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a interrupção ou substituição de um tratamento oncológico por uma substância inerte pode acelerar a progressão da doença e reduzir as chances de cura.
Além disso, a aplicação de substâncias não estéreis, como água da torneira ou soro caseiro, pode causar infecções graves, septicemia e até a morte. No caso da enfermeira presa, a polícia encontrou frascos com líquido turvo e partículas sólidas, o que indica contaminação.
O que diz a Anvisa
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que medicamentos oncológicos são de uso restrito e só podem ser administrados em hospitais ou clínicas autorizadas, sob supervisão médica. A venda online desses produtos é proibida no Brasil (Anvisa, RDC nº 67/2023).
"Medicamentos oncológicos falsificados representam um risco grave à saúde, pois o paciente deixa de receber o tratamento adequado e ainda pode ser exposto a substâncias tóxicas", afirmou a Anvisa em nota.
Como identificar um medicamento falso
Depois de ler o caso, fiquei pensando: será que eu saberia identificar um remédio falso? Provavelmente não. A polícia orienta que pacientes e familiares fiquem atentos a alguns sinais:
- Preço muito abaixo do mercado: se o desconto for maior que 30%, desconfie.
- Embalagem com erros de ortografia ou impressão borrada: falsificadores costumam negligenciar detalhes.
- Lacre violado ou frasco com líquido turvo: medicamentos originais têm lacre de segurança e líquido límpido.
- Venda por WhatsApp ou redes sociais: canais oficiais de venda de medicamentos oncológicos são farmácias de alto custo ou hospitais.
A polícia recomenda que, em caso de dúvida, o paciente entre em contato com o fabricante ou com a Anvisa para verificar o lote do medicamento.
O que fazer se você foi vítima
Se você ou algum familiar comprou medicamentos com a suspeita, a orientação é:
- Não use o produto.
- Guarde a embalagem e o frasco para perícia.
- Procure a delegacia mais próxima e registre um boletim de ocorrência.
- Entre em contato com a Anvisa pelo telefone 0800-642-9782 para denunciar.
- Informe o médico oncologista sobre o ocorrido para reavaliar o tratamento.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu um canal de denúncias pelo Disque-Denúncia (21 2253-1177) para receber informações sobre outros possíveis envolvidos no esquema.
Perguntas Frequentes
A enfermeira foi presa em flagrante?
Sim, a Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu a enfermeira em flagrante em sua casa, na Zona Norte da cidade, com material para falsificação de medicamentos.
Quantas vítimas o esquema pode ter feito?
A polícia estima que pelo menos 30 pacientes podem ter sido vítimas, mas o número pode ser maior, já que a investigação continua.
O que acontece com quem tomou o remédio falso?
A orientação é procurar imediatamente o médico oncologista para reavaliar o tratamento e fazer exames para verificar possíveis danos à saúde.
Como denunciar casos semelhantes?
Pelo Disque-Denúncia do Rio de Janeiro (21 2253-1177) ou pelo canal da Anvisa (0800-642-9782).
Medicamentos oncológicos podem ser comprados online?
Não. A Anvisa proíbe a venda online de medicamentos oncológicos. Eles só podem ser adquiridos em farmácias de alto custo ou hospitais autorizados.
Como verificar se um medicamento é original pela Anvisa Direitos do paciente oncológico no SUS