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Impactos da inteligência artificial na inflação dos EUA: entenda

ResumoO Federal Reserve monitora a inteligência artificial como variável inflacionária nos EUA. Investimentos em infraestrutura de IA pressionam os preços no curto prazo, enquanto ganhos de produtividade podem gerar efeito deflacionário no longo prazo. Especialistas apontam o paradoxo entre custos imediatos e benefícios futuros.

O Federal Reserve passou a monitorar a inteligência artificial como variável inflacionária. Investimentos em infraestrutura de IA pressionam preços, mas ganhos de produtividade podem ter efeito contrário. Especialistas explicam o paradoxo.

Sol Henriques
Impactos da inteligência artificial na inflação dos EUA: entenda

Impactos da inteligência artificial na inflação dos EUA: entenda — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Entenda os impactos da inteligência artificial na inflação dos EUA

A inteligência artificial tem efeito paradoxal na economia dos EUA, o que desafia as decisões do Federal Reserve, segundo especialistas. O Fed, banco central norte-americano, passou a enxergar com mais preocupação uma variável que recentemente entrou nos cálculos de inflação: a IA. Os novos investimentos na área criam um paradoxo econômico: são inflacionários, mas podem causar o movimento contrário nos preços no futuro, com o aumento da produtividade.

Por que a IA virou preocupação do Fed?

A escala dos investimentos no setor irá impulsionar a demanda. De acordo com o economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, Bruno Perri, a inteligência artificial está "elevando custos, pressionando preços de recursos como chips, mão de obra especializada e, principalmente, energia. Há estimativas de investimentos em infraestrutura de mais de US$ 700 bilhões. Construir data centers, contratar mão de obra (em um mercado de trabalho apertado), demandar energia e assim por diante".

A ata sobre a decisão de juros em junho, divulgada no início de julho, mostrou que os investimentos em IA não provocam movimentações só em ações de companhias do mercado financeiro. Os dirigentes do Fed citaram o aumento da demanda relacionado à construção da infraestrutura de IA como fator de pressão sobre os preços.

Investimentos em IA: inflacionários no curto prazo?

Os dados recentes de inflação no Brasil, por exemplo, mostram que a pressão sobre preços não é exclusividade americana. Segundo o IBGE, o IPCA registrou variação de 0,16% em junho de 2026, após 0,58% em maio e 0,67% em abril. No contexto americano, a construção de data centers e a demanda por energia e mão de obra qualificada pressionam custos de forma similar.

E o lado desinflacionário da IA?

Os ganhos robustos de produtividade que a IA deve trazer têm efeito "essencialmente desinflacionário", afirmou Perri. Em vez de a demanda crescer, a oferta é que estará em expansão. O especialista em tecnologia e informação, Arthur Igreja, explicou que os elementos responsáveis pela inflação mudam ao longo do tempo. "Antigamente, por exemplo, no Brasil, entravam até a posse e o acesso a telefone fixo, jornais, revistas. Então, isso vai acompanhando a tecnologia em alguma medida. Com esse consumo de inteligência artificial, que começa a se tornar uma ferramenta tão importante para a produtividade, os custos também passam a ser muito importantes. No caso da IA, existe um consumo de tokens que pode ser muito importante e até explosivo", declarou.

O que o Fed diz sobre a IA?

O presidente da autoridade monetária, Kevin Warsh, minimizou os efeitos. Em audiência na Comissão de Assuntos Bancários do Senado, Warsh afirmou, na última quarta-feira (15.jul.2026), que o Fed decidirá se a IA será inflacionária. Ele admitiu que a IA pode criar turbulência no mercado de trabalho no curto prazo, pois há impacto mais rápido na demanda do que na oferta, mas afirmou que os investimentos em inteligência artificial serão bons para a geração de empregos. De acordo com ele, o mercado de trabalho está estável, o desemprego está baixo, e uma variação pontual nos preços causada pela IA não é necessariamente inflacionária. Warsh também comentou que tem solicitado acesso a uma série de novos modelos de IA para uso do Fed.

Exemplo real: o gasto de US$ 500 milhões com Claude

Como exemplo, Igreja citou o caso de uma empresa que gastou US$ 500 milhões com o Claude, a IA desenvolvida pela Anthropic. A empresa, que não teve o nome divulgado, não estabeleceu qualquer limite para o uso das licenças do serviço pelos funcionários. "Tratando-se de infraestrutura, é uma conta como água ou luz. É nessa proporção que a IA está chegando a alguns negócios e algumas empresas. É por isso que ela faz parte do índice de inflação", afirmou Igreja.

E se a bolha da IA estourar?

O trabalho do Fed pode ficar ainda mais difícil se a bolha da inteligência artificial estourar. Ou seja, se todos os investimentos não corresponderem aos ganhos que as novas tecnologias podem trazer. "Se for uma bolha, como alguns estimam que possa ser, vai impactar de outra forma. Haverá um ponto de desarranjo econômico, queda da bolsa e tudo mais. Isso, obviamente, tem impactos na política do Fed, na inflação e no desempenho econômico", disse Igreja.

Qual o impacto nos juros?

Apesar de ser difícil mensurar o impacto da IA nos juros norte-americanos, os especialistas concordam que ele existe. "Como qualquer outro choque de demanda que pressione preços e expectativas para cima e faça com que o Fed tenha que adotar uma postura mais restritiva. Da mesma forma, os ganhos de produtividade esperados, se confirmados, podem proporcionar espaço para juros estruturalmente mais baixos", afirmou Perri.

Perguntas Frequentes

A IA está causando inflação nos EUA?

Os investimentos em infraestrutura de IA pressionam os preços no curto prazo, mas os ganhos de produtividade podem ter efeito contrário. O Fed monitora a variável.

O que o Fed pensa sobre a IA?

Kevin Warsh afirmou que o Fed decidirá se a IA será inflacionária, mas minimizou os efeitos no curto prazo, destacando o mercado de trabalho estável.

Quanto está sendo investido em IA?

Há estimativas de investimentos em infraestrutura de mais de US$ 700 bilhões, segundo Bruno Perri.

A IA pode gerar empregos?

Warsh afirmou que os investimentos em IA serão bons para a geração de empregos, apesar de possível turbulência no curto prazo.

O que acontece se a bolha da IA estourar?

Segundo Arthur Igreja, haveria desarranjo econômico, queda da bolsa e impactos na política do Fed e na inflação.

Como a IA entra no cálculo da inflação?

Assim como outros custos de infraestrutura, o consumo de tokens e os gastos com data centers passam a compor os índices de preços.

Sol Henriques

Editoria Destaques

Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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