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Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

ResumoO fóssil de peixe pré-histórico de 254 milhões de anos, encontrado em Alto Garças, Mato Grosso, representa uma nova espécie descrita em estudo com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A preservação excepcional do espécime revela detalhes anatômicos sobre a vida antes da maior extinção em massa da Terra.

Nova espécie de peixe pré-histórico, com 254 milhões de anos, é descrita em estudo com participação da Uerj. O fóssil, achado em Alto Garças, MT, está excepcionalmente preservado e revela detalhes da vida antes da maior extinção em massa da Terra.

Dani Quaresma
Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso

Fóssil de peixe pré-histórico encontrado em Mato Grosso — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

"O exemplar pode ajudar os pesquisadores a reconhecer a presença da espécie em outras áreas da Bacia do Paraná." A frase é da pesquisadora Valéria Gallo, do Departamento de Zoologia da Uerj, e resume o que um fóssil de 254 milhões de anos pode fazer pela ciência. Mas antes de falar do futuro, vamos ao que interessa: o passado, e ele veio bem preservado.

O estudo, com participação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), apresenta uma nova espécie de peixe pré-histórico, batizada de Leolepis. O fóssil foi encontrado no município de Alto Garças, em Mato Grosso, e viveu durante o Permiano Superior. O animal pertencia ao grupo dos peixes de nadadeiras raiadas (actinopterígios), que hoje reúne cerca de 96% dos peixes vertebrados, incluindo atum, salmão e bacalhau. Com aproximadamente 15 centímetros, o peixe tinha o corpo protegido por escamas de dentina e esmalte, os mesmos materiais dos dentes humanos.

O que torna o achado especial é o grau de preservação. Enquanto a maioria dos peixes dessa idade encontrados no Brasil é conhecida por dentes, escamas ou fragmentos isolados, o Leolepis conserva praticamente todo o corpo. O estudo o classifica como o peixe de nadadeiras raiadas do Permiano mais bem preservado já encontrado em Mato Grosso, um achado raro em escala mundial.

O peixe viveu em um grande sistema aquático continental, formado quando a América do Sul e a África ainda estavam unidas no supercontinente Gondwana. Pelo tamanho reduzido dos dentes, os pesquisadores estimam que ele se alimentava de pequenos invertebrados e plantas. O fóssil ajuda a reconstruir o ecossistema que existia pouco antes da extinção Permo-Triássica, há cerca de 252 milhões de anos, o maior evento de extinção em massa conhecido: cerca de 78% da vida terrestre e até 95% das espécies marinhas desapareceram.

Há ainda uma coincidência geológica: o fóssil foi encontrado a apenas 50 quilômetros da cratera de impacto de Araguainha, a maior e mais bem preservada estrutura desse tipo na América do Sul. O registro de peixes continentais do Paleozoico na América do Sul ainda é pouco conhecido, então cada descoberta conta.

O espécime foi coletado em 2005 pelo geólogo Léo Adriano de Oliveira, que o disponibilizou para estudo e o depositou na Coleção Paleontológica da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. Traduzindo o que o palco quis dizer: não é só um peixe velho, é uma peça que faltava no quebra-cabeça da vida antes do apocalipse. Promessa de palco? Talvez, mas desta vez a entrega vem de gaveta, e veio completa.

Veredito: o Leolepis não vai mudar sua vida, mas muda o que sabemos sobre o fim do Permiano. E, para a ciência, isso não é pouco.

Dani Quaresma

Editoria Destaques

Dani Quaresma cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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