# EUA marcam terreno frente à China em acordo nuclear, diz professor

> O acordo nuclear EUA-Arábia Saudita, firmado em 22 de outubro, representa movimento estratégico de Washington para conter influência chinesa e russa no Golfo Pérsico. O professor Vitelio Brustolin, da UFF e pesquisador de Harvard, interpreta a ação como demarcação de terreno dos Estados Unidos frente à China na região.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 23 de julho de 2026 · Tomás Wenzel*

Os Estados Unidos firmaram um novo acordo nuclear com a Arábia Saudita, divulgado nesta terça-feira (22), em um movimento interpretado por especialistas como estratégia para conter China e Rússia no Golfo Pérsico. O professor Vitelio Brustolin, da UFF e pesquisador de Harvard, ex

Eu estava lendo as notícias da manhã, tomando meu café, quando me deparei com o título: novo acordo nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita. Minha primeira reação foi pensar: "mais um capítulo dessa novela geopolítica que parece não ter fim". Mas, ao ler os detalhes, percebi que o movimento é bem mais estratégico do que parece. E, como sempre, quem sofre as consequências somos nós, meros mortais que tentam entender o jogo de xadrez global.

Os Estados Unidos firmaram um novo acordo nuclear com a Arábia Saudita, divulgado nesta terça-feira (22), em um movimento interpretado por especialistas como uma estratégia americana para ampliar sua influência no Golfo Pérsico e conter o avanço de China e Rússia na região. Ao WW, Vitelio Brustolin, professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, comentou o tema. Basicamente, os EUA estão marcando terreno, como se fossem aquela criança no playground que chega cedo e já coloca a mochila no banco para garantir o lugar.

## O tratado que prometia paz e virou letra morta

Brustolin recordou que o Tratado de Não Proliferação Nuclear, de 1968, que entrou em vigor em 1970, previa que os cinco países membros permanentes da ONU, Estados Unidos, União Soviética, França, Reino Unido e China, se comprometeriam a reduzir seus arsenais nucleares. Em contrapartida, os demais países signatários se absteriam de desenvolver armas atômicas. "Esse tratado prevê que os cinco países que tinham armas nucleares não criariam mais armas nucleares e as reduziriam, reduziriam os seus estoques", explicou.

O especialista destacou que, apesar dos esforços do programa "Átomos pela Paz", iniciativa da ONU para promover o uso civil da energia nuclear, diversos países acabaram desenvolvendo armamentos atômicos. Israel, Índia, Paquistão e Coreia do Norte são exemplos citados por Brustolin de nações que, a partir de programas civis ou clandestinos, alcançaram capacidade nuclear. O Irã, por sua vez, estaria próximo de elevar seu nível de enriquecimento de urânio de 60% para 90%, o estágio seguinte para a produção de armas.

## A doutrina americana que durou décadas

Brustolin explicou que, após o teste nuclear indiano de 1974, os Estados Unidos adotaram uma doutrina que impedia o enriquecimento de urânio e o reprocessamento de plutônio por outros países, fornecendo, quando necessário, urânio enriquecido a até 20%. Esse modelo, segundo o especialista, foi mantido durante as administrações Carter, Reagan, Bush, Clinton, Bush filho, Obama e Biden. "Só que ela acaba agora justamente na administração Trump, e existe uma razão para isso", afirmou.

## A razão: China e Rússia no tabuleiro

A razão, segundo Brustolin, está diretamente ligada à disputa geopolítica com China e Rússia. Em 2023, a China mediou uma reaproximação entre Irã e Arábia Saudita, países historicamente adversários. Além disso, a China é o maior comprador do petróleo saudita e poderia se tornar fornecedora de tecnologia nuclear para a Arábia Saudita, uma dependência que, segundo o especialista, poderia se estender por até 60 anos. "A leitura é de que os Estados Unidos preferem marcar terreno, nesse momento, na Arábia Saudita", disse Brustolin.

## O que isso significa para o Irã e para você

O especialista alertou que o acordo firmado não atende ao chamado "padrão ouro", ou seja, não passa pelas inspeções mais rigorosas da Agência Internacional de Energia Atômica. Segundo Brustolin, o único garantidor de que o programa nuclear saudita não seria utilizado para fins militares seriam os próprios Estados Unidos. O acordo também cria, indiretamente, um problema para o Irã, ao aproximar os norte-americanos das monarquias árabes do Golfo Pérsico.

## Perguntas Frequentes

### O que é o Tratado de Não Proliferação Nuclear?

É um tratado internacional de 1968, em vigor desde 1970, que previa que os cinco países membros permanentes da ONU reduzissem seus arsenais nucleares, enquanto os demais signatários se abstivessem de desenvolver armas atômicas.

### Por que os EUA fizeram esse acordo com a Arábia Saudita?

Segundo o professor Vitelio Brustolin, para marcar terreno frente à China e Rússia no Golfo Pérsico, já que a China mediou a reaproximação entre Irã e Arábia Saudita em 2023 e é a maior compradora de petróleo saudita.

### O acordo segue o "padrão ouro" de inspeções?

Não. O acordo não passa pelas inspeções mais rigorosas da Agência Internacional de Energia Atômica, e o único garantidor de que o programa saudita não terá fins militares serão os próprios EUA.

### Como isso afeta o Irã?

O acordo cria indiretamente um problema para o Irã, ao aproximar os norte-americanos das monarquias árabes do Golfo Pérsico.

### Quem é Vitelio Brustolin?

É professor da UFF (Universidade Federal Fluminense) e pesquisador de Harvard, especialista em geopolítica e relações internacionais.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/eua-8220marcam-terreno8221-frente-china-acordo-nuclear-diz-professor/
