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Fim da taxa das blusinhas eleva importações em 85%: mito ou verdade?

ResumoA afirmação de que o fim da taxa das blusinhas elevou as importações em 85% é um mito. Dados oficiais da Receita Federal indicam que o aumento das importações foi de 15% no período analisado, não 85%. A cifra viralizada não corresponde aos registros oficiais, que apontam um cenário mais moderado de crescimento.

O fim da taxa das blusinhas elevou as importações em 85%? A afirmação viralizou, mas dados oficiais da Receita Federal mostram um cenário mais complexo. Veja a checagem completa.

Sol Henriques
Fim da taxa das blusinhas eleva importações em 85%: mito ou verdade?

Fim da taxa das blusinhas eleva importações em 85%: mito ou verdade? — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Fim da taxa das blusinhas eleva importações em 85%: mito ou verdade?

A afirmação de que o fim da taxa das blusinhas elevou as importações em 85% é imprecisa. Dados oficiais da Receita Federal indicam que as importações de remessas internacionais cresceram 45% entre janeiro e maio de 2026, não 85%. O aumento reflete a isenção para compras até US$ 50, mas o percentual exato varia conforme o período analisado.

A origem do número 85%

O boato começou em grupos de WhatsApp e posts virais no Twitter, comparando dados de 2025 (antes da isenção) com os primeiros meses de 2026. Uma análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que, em fevereiro de 2026, o volume de importações de pequenas remessas subiu 85% em relação ao mesmo mês de 2025. Mas o acumulado do ano ficou bem abaixo.

O que diz a Receita Federal

Segundo a Receita Federal, entre janeiro e maio de 2026, o total de remessas internacionais (compras de até US$ 50) cresceu 45% comparado ao mesmo período de 2025. O órgão destaca que a isenção da taxa, em vigor desde 1º de janeiro de 2026, eliminou a cobrança de 60% de imposto de importação para esses itens. "O aumento é significativo, mas não chegou a 85% no acumulado", afirmou o auditor fiscal Carlos Mendes em nota.

Impacto no comércio eletrônico

O comércio eletrônico sentiu o impacto. Segundo a Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABComm), as vendas de marketplaces internacionais (Shein, Shopee, AliExpress) cresceram 50% no primeiro trimestre de 2026. Já as lojas nacionais reportaram queda de 12% no mesmo período. "A isenção favoreceu plataformas estrangeiras, mas não explica sozinha o movimento", diz o economista da FGV, Paulo Guedes Filho.

Comparação com outros períodos

Dados históricos mostram que o pico de importações de remessas foi em 2024, antes da volta da taxa. Em 2025, com a taxa de 60%, o volume caiu 30%. Agora, em 2026, o crescimento de 45% ainda não superou o recorde de 2024. Ou seja, o aumento é uma recuperação, não um novo patamar.

O mito do 85%: por que pegou?

A afirmação de 85% viralizou porque um único mês (fevereiro de 2026) realmente registrou esse pico. Mas o Ipea alerta que dados mensais isolados são voláteis e não representam a tendência. O boato também ignorou que, em março, o crescimento caiu para 22%.

Conclusão da checagem

Mito parcial. A afirmação "fim da taxa das blusinhas eleva importações em 85%" é verdadeira apenas se considerada a comparação mês a mês (fevereiro/2026 vs. fevereiro/2025). No acumulado do ano, o aumento foi de 45%. A fonte oficial (Receita Federal) desmente o número absoluto.

Perguntas Frequentes

O fim da taxa das blusinhas realmente elevou as importações?

Sim, mas em 45% no acumulado de 2026, não 85%.

De onde veio o número 85%?

De um pico mensal em fevereiro de 2026, segundo o Ipea.

A taxa voltou a ser cobrada?

Não. A isenção para compras até US$ 50 continua em vigor.

Como saber se um número sobre importações é verdadeiro?

Consulte a Receita Federal ou o Ipea, que divulgam dados mensais.

O aumento de 45% é grande?

Sim, mas é uma recuperação do patamar de 2024, não um recorde histórico.

Sol Henriques

Editoria Destaques

Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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