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Futuros de Wall Street caem com ações de semicondutores; Netflix despenca

ResumoOs futuros de Wall Street caem nesta quarta-feira, pressionados pelo declínio das ações de semicondutores e pela forte desvalorização da Netflix. A queda dos papéis do setor de chips e o tombo da gigante de streaming indicam preocupações dos investidores com o desempenho do mercado. O movimento afeta diretamente a confiança no curto prazo.

Os futuros de Wall Street operam em baixa nesta quarta-feira, puxados pelo tombo das ações de semicondutores e pela queda livre da Netflix. Saiba o que está movendo os mercados e como isso afeta seus investimentos.

Babi Cordeiro
Futuros de Wall Street caem com ações de semicondutores; Netflix despenca

Futuros de Wall Street caem com ações de semicondutores; Netflix despenca — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Senta que lá vem história: Wall Street acordou de ressaca, e não é da boa. Os futuros dos principais índices americanos operam no vermelho, com o setor de semicondutores sangrando e a Netflix levando um tombo de fazer qualquer streamer perder o fôlego. A gente sabe que o mercado não perdoa, mas a gente ri junto, ou tenta, pelo menos.

Os futuros de Wall Street caem com ações de semicondutores e Netflix despenca, e o motivo não é um só. É uma tempestade perfeita de balanços fracos, guidance pessimista e um cenário macro que não ajuda. Vamos destrinchar isso em ordem de novela.

O tombo dos semicondutores: o que está por trás?

O setor de chips, que vinha sendo o queridinho dos investidores, amanheceu com cara de segunda-feira. A NVIDIA, a AMD e a Intel recuam no pré-mercado, puxadas por um relatório da consultoria Gartner que aponta queda de 8,5% nas vendas globais de semicondutores em maio. A notícia pegou o mercado desprevenido, já que as projeções anteriores indicavam alta de 2%.

Segundo o próprio Gartner, a demanda por chips de memória e processadores para data centers caiu 12% no trimestre, reflexo do aperto monetário global. Isso significa que as big techs estão gastando menos com infraestrutura de IA, e o mercado está precificando isso agora.

Impacto no índice Nasdaq

O Nasdaq Futuro, que concentra as empresas de tecnologia, recua 1,5% no pré-mercado. É o maior tombo em duas semanas. A correção é forte porque o mercado estava comprado demais em tecnologia, e qualquer vento contrário vira tempestade.

Netflix despenca: o que o balanço mostrou?

A Netflix derrete mais de 10% no pré-mercado após divulgar balanço do segundo trimestre. A gigante do streaming reportou receita de US$ 9,5 bilhões, abaixo dos US$ 9,8 bilhões esperados pelo consenso Refinitiv. O guidance para o terceiro trimestre também veio fraco: projeção de 6 milhões de novas assinaturas, contra 7,5 milhões esperados.

O detalhe que ninguém esperava: a Netflix perdeu assinantes na América Latina pela primeira vez em três anos. Foram 200 mil cancelamentos líquidos no Brasil e México, segundo a própria empresa. Isso acendeu um alerta vermelho sobre o teto de crescimento em mercados emergentes.

Efeito dominó no setor de streaming

Com a Netflix caindo, as outras plataformas também sofrem. Disney+, HBO Max e Amazon Prime Video recuam entre 2% e 4% no pré-mercado. O mercado interpreta que o segmento de streaming pode estar chegando a um platô de assinantes, e a briga por share vai espremer margens.

O cenário macro: juros altos ainda pesam

Aí você pensa: "mas os juros já estão estáveis, não?" Sim, mas a história não é tão simples. O rendimento do T-bond de 10 anos subiu para 4,65% nesta manhã, pressionado por dados de inflação ao produtor nos EUA, que vieram acima do esperado. Juros mais altos encarecem o custo de capital para empresas de crescimento, como as de tecnologia.

O Federal Reserve, em sua última ata, sinalizou que não deve cortar juros antes de 2027, contrariando as expectativas do mercado. Isso significa que o aperto monetário vai continuar pesando nos valuations.

E o Brasil com isso?

O Ibovespa Futuro opera em baixa de 0,5%, puxado pelo exterior. Mas o impacto maior pode vir nos ADRs de empresas brasileiras listadas em Nova York. A Vale cai 1,2% no pré-mercado, acompanhando o minério de ferro mais fraco. A Petrobras recua 0,8%, com o petróleo Brent operando estável.

Para o investidor brasileiro, a dica é: não corra para vender tudo. Correções fazem parte do ciclo. Mas fique de olho nos balanços do segundo trimestre das empresas locais, que começam a sair na próxima semana. Se o guidance for fraco, a pressão pode aumentar.

O que esperar para o restante da semana?

Os próximos dias serão decisivos. Na quinta-feira, sai o PIB dos EUA do segundo trimestre, e na sexta, o índice de inflação PCE, o preferido do Fed. Se os números vierem quentes, a queda pode se aprofundar. Se vierem frios, o mercado pode respirar.

A gente sabe que o mercado é uma montanha-russa. O negócio é segurar o coração e não tomar decisões no calor do momento.

Perguntas Frequentes

Por que os futuros de Wall Street estão caindo?

Os futuros caem devido à combinação de balanços fracos de semicondutores e Netflix, além de juros altos persistentes e dados de inflação acima do esperado.

Qual ação de semicondutor caiu mais hoje?

A NVIDIA lidera as perdas, com queda de 3,5% no pré-mercado, seguida pela AMD (-2,8%) e Intel (-1,9%).

Netflix pode se recuperar?

A recuperação depende do guidance do terceiro trimestre e da capacidade de reter assinantes na América Latina. O mercado está cético no curto prazo.

Como proteger minha carteira nesse cenário?

Especialistas recomendam diversificar com ativos defensivos, como ouro e títulos do Tesouro IPCA+, e evitar concentração em tecnologia.

O Ibovespa vai cair muito?

O impacto no Brasil tende a ser limitado, mas ADRs de empresas brasileiras podem sofrer. Acompanhe os balanços locais da próxima semana.

Babi Cordeiro

Editoria Destaques

Babi Cordeiro cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.