# Gasolina cara nos EUA deve manter pressão no outono

> A gasolina cara nos EUA deve manter pressão sobre os consumidores até o outono, com especialistas projetando preços elevados no período. Motoristas como Linda French já cancelaram visitas familiares devido ao custo do combustível. O cenário reflete oferta restrita e demanda persistente, sem alívio imediato no horizonte.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 08 de setembro de 2026 · Tomás Wenzel*

A gasolina cara nos EUA segue pesando para motoristas como Linda French, que cancelou visitas à família. Especialistas preveem preços elevados até o outono.

A professora aposentada Linda French, 78 anos, moradora de Jonesborough, Tennessee, queria visitar o irmão idoso, que se recupera de uma cirurgia no quadril, e os sobrinhos-netos em Nova York. Mas a gasolina cara nos EUA, que segue pesando, a fez desistir da viagem de centenas de quilômetros. Voar também ficou inviável: o voo que ela fez em março mais que dobrou de preço em poucos meses. Agora, restam as chamadas de FaceTime.

"Você não pode abraçar sua família", disse French, lamentando não poder fazer cócegas nos dedinhos dos pés dos bebês da família. "Estamos todos envelhecendo. É difícil não os ver."

A gasolina cara nos EUA deve manter pressão no outono, dizem especialistas à CNN. Pouco mais de seis meses após o início do conflito entre EUA e Irã, os preços seguem bem acima dos US$ 2,98 por galão registrados no fim de fevereiro, segundo a AAA. Na segunda-feira, os motoristas pagaram média recorde de US$ 4,15 por galão no Dia do Trabalho.

A queda nos preços durante a primavera e o início do verão foi passageira. Em agosto, a média foi a mais alta já registrada para o mês, US$ 4,07 por galão, com o petróleo bruto oscilando na faixa de US$ 80 por barril enquanto o Estreito de Ormuz permanecia em grande parte bloqueado, disse Aixa Diaz, porta-voz da AAA. O valor superou em dez centavos o de agosto de 2022, quando os preços dispararam após o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia.

Os preços altos não impediram os americanos de pegar a estrada, mas encerraram uma sequência de anos de grandes aumentos nas viagens. As viagens no Memorial Day e no 4 de julho ficaram essencialmente iguais aos recordes do ano passado, segundo a AAA. E a pressão deve continuar: antes deste ano, o preço médio no Dia do Trabalho nunca havia ultrapassado US$ 4. Em 2022, estava em US$ 3,79 no feriado, após recorde de US$ 5,02 em junho.

"Provavelmente veremos nosso setembro, outubro e novembro mais caros, até que algo mude com essas tensões geopolíticas", disse Patrick De Haan, analista do GasBuddy. Com o surto de ataques entre forças dos EUA e Irã, ele avalia que uma mudança parece cada vez menos provável.

O impacto vai além do posto. Colton Comstock, 28 anos, analista financeiro em Johnsburg, Illinois, voltou a morar com os pais para economizar e quitar uma dívida de US$ 60 mil em empréstimos estudantis. Mas o trajeto diário de 75 milhas até o trabalho, com gasolina a US$ 4,55 o galão, está anulando a economia. Linda Cook, de New Paris, Ohio, trocou o lago pela piscina inflável no quintal, cortou gastos com mantimentos e abriu mão de pedicures.

French já cancelou os planos de viagem para Washington, DC, no Dia de Ação de Graças, e Nova York no Natal. Ela não acredita que os preços vão ceder tão cedo. Enquanto isso, resta a rendição bem-humorada à tecnologia: o FaceTime aproxima, mas não substitui um abraço.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/gasolina-cara-ainda-pesa-eua-deve-manter-pressao-outono/
