# Grito dos Excluídos 2026: moradia e violência marcam atos

> O Grito dos Excluídos 2026 realizou sua 32ª edição com marchas em mais de 50 cidades brasileiras, tendo moradia e violência como eixos centrais das manifestações. Em São Paulo, o ato culminou em missa na Catedral da Sé, dedicada à população em situação de rua. A mobilização reuniu movimentos sociais para denunciar desigualdades urbanas e cobrar políticas públicas habitacionais.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 08 de setembro de 2026 · Tomás Wenzel*

Movimentos sociais realizaram a 32ª edição do Grito dos Excluídos com marchas em mais de 50 cidades. Em São Paulo, ato terminou com missa na Catedral da Sé dedicada à população em situação de rua.

Movimentos sociais realizaram nesta segunda-feira (7) a 32ª edição do Grito dos Excluídos. Marchas e atos ocorreram em mais de 50 cidades, em todas as regiões do país, segundo os organizadores. Faixas, bandeiras e gritos de guerra expuseram o lema da edição: "Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!".

Os manifestantes reivindicaram moradia digna, reforma agrária, educação pública de qualidade, defesa do SUS, enfrentamento do feminicídio e de todas as formas de violência contra as mulheres, combate ao racismo e à LGBTfobia, além do fim da escala de trabalho 6x1.

Na capital paulista, os manifestantes percorreram as ruas do centro e encerraram com uma missa na Catedral da Sé, dedicada à população em situação de rua. Antes da caminhada, houve um café da manhã comunitário. A ativista Miriam Hermogenes, da Central dos Movimentos Populares, uma das organizadoras do ato, defendeu que a liberdade será plena quando não houver mais pessoas em situação de rua no país. "A gente faz uso desse dia para dizer: Olha, não temos liberdade ainda, temos que avançar muito para ser um país, uma sociedade em liberdade", afirmou à Agência Brasil.

O coordenador do cursinho Educafro, Frei David Santos, pediu a defesa da democracia para que não haja interferência econômica nas eleições. Deuza Cordeiro de Lima foi à manifestação para protestar contra a violência policial. O filho dela, Thiago, foi assassinado em janeiro de 2023, na região central da capital. "Vim como em outros anos denunciar a violência. Meu filho foi morto pela polícia, e seus assassinos estão livres. Ele era inocente, mais um de tantos, e não vou ficar quieta", disse. Célia Souza e amigos participaram do ato e defenderam moradia digna para todos. "Eu vim hoje pela luta. Por moradia, que é algo cuja importância é a mais básica, da qual não podemos abrir mão", disse.

No Rio de Janeiro, o ato cruzou a Avenida Presidente Vargas, uma das principais do centro, e teve início após o Desfile de Sete de Setembro. Um grupo de ativistas levou teatro para a manifestação, com esquetes em defesa da soberania nacional e da democracia, conduzidos pela Escola de Teatro Popular. Um dos coordenadores é o pesquisador teatral e dramaturgo Julian Boal, filho de Augusto Boal (1931-2009), fundador do Teatro do Oprimido. Julian explicou que a presença no ato foi uma forma de levar mais pessoas à manifestação.

Um dos gritos mais exaltados foi a defesa da moradia. O coordenador do Movimento Quilombos Urbanos Luta por Moradia Digna, Ricardo Pitta, lamentou que as demandas fiquem "subordinadas ao calendário eleitoral". O percurso também teve críticas ao tarifaço imposto pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros e defesa do fim da escala 6x1, aprovada pela Câmara dos Deputados e que ainda precisa ser votada no Senado. Um grupo de cerca de 15 pessoas tentou hostilizar participantes com gritos, mas policiais militares intervieram e o grupo se afastou, sem registro de confusão.

Integrantes do Núcleo de Ecologia Integral de Brasília manifestaram preocupação com a crise ecológica. A economista aposentada Maria do Carmo de Jesus Botafogo disse que "o planeta está sendo destruído". O núcleo apresentou uma carta de compromisso com a ecologia integral, estruturada em quatro eixos temáticos. A professora universitária Altaci Kokama afirmou que o Grito dos Excluídos se consolidou como um momento em que os que estão à margem da sociedade "têm voz e vez para apresentar suas demandas".

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/grito-excluidos-tem-atos-defesa-por-moradia-contra-violencia/
