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Houthis negam ter Meca como alvo após drone

ResumoOs houthis do Iêmen negaram, em 16 de abril, ter como alvo Meca, após a Arábia Saudita afirmar ter interceptado um drone do grupo ao sul da cidade sagrada na noite de 15 de abril. A negação ocorreu um dia após a coalizão liderada pelos sauditas anunciar a interceptação do artefato.

Os houthis do Iêmen negaram nesta quarta-feira (16) ter como alvo Meca, depois que a Arábia Saudita afirmou ter interceptado um drone houthi ao sul da cidade sagrada na noite de terça-feira (15).

Dani Quaresma
Houthis negam ter Meca como alvo após drone

Houthis negam ter Meca como alvo após drone — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

A frase saiu com aquele peso de comunicado oficial: a segurança de Meca era uma "linha vermelha". Traduzindo o que o palco quis dizer: alguém precisa explicar por que um drone chegou perto demais de onde não deveria.

Os houthis do Iêmen negaram nesta quarta-feira (16) ter como alvo a cidade sagrada de Meca. A negativa veio depois que a Arábia Saudita afirmou ter interceptado um drone houthi ao sul do local na noite de terça-feira (15).

O que mudou, em resumo: a coalizão liderada pela Arábia Saudita diz que suas defesas aéreas destruíram o drone antes que ele entrasse no espaço aéreo proibido sobre Meca. Já o grupo iemenita sustenta que a mira era outra.

O porta-voz militar houthi, Yahya Saree, afirmou que as operações do grupo tinham como alvo instalações petrolíferas e bases militares sauditas, longe dos locais sagrados. É a versão de quem lançou.

Do outro lado, o porta-voz da coalizão militar liderada pela Arábia Saudita no Iêmen, Turki al-Malki, disse em comunicado que o drone foi interceptado na noite de terça-feira e classificou o episódio como a segunda tentativa dos houthis, grupo apoiado pelo Irã, de atingir Meca, após o lançamento de um míssil balístico em julho de 2017.

Meca abriga alguns dos locais mais sagrados do Islã e é o ponto central da peregrinação anual do Hajj. Por isso, al-Malki afirmou que a segurança da cidade era uma "linha vermelha".

O ataque ocorre após uma semana de investidas de combatentes houthis alinhados ao Irã, que arrastaram a Arábia Saudita ainda mais para o conflito.

Aqui vale a distinção que o marketing de guerra costuma embaralhar: negar o alvo não é o mesmo que negar o lançamento. Os houthis não disseram que o drone não existiu; disseram que o destino era outro. A coalizão, por sua vez, não apresentou a rota. Cada lado entrega a versão que lhe convém, e o público fica com a promessa de palco, não com a entrega de gaveta.

O que de fato muda é o precedente. Se a leitura saudita se sustentar, este é o segundo episódio em que Meca entra no radar de um lançamento houthi, oito anos depois do míssil de 2017. Se a leitura houthi se sustentar, é mais um drone perdido no caminho entre a base e o alvo real.

Nos dois cenários, a linha vermelha continua sendo citada. Resta saber quem a enxerga primeiro.

Dani Quaresma

Editoria Destaques

Dani Quaresma cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.

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