IA sem estratégia pode aumentar custos, diz especialista
A corrida das empresas para incorporar inteligência artificial aos negócios pode acabar aumentando custos em vez de elevar a produtividade, quando a tecnologia é adotada sem um objetivo claro. O alerta é da vice-presidente de Operações e Clientes da Druid, Michele Bastos Lage Ferreira. Segundo ela, organizações que entram na onda da IA só porque o mercado está fazendo o mesmo tendem a substituir um custo por outro sem capturar ganhos efetivos.
Empresas que adotam IA sem planejamento claro tendem a substituir um custo por outro sem ganhar eficiência, alerta Michele Bastos Lage Ferreira. O erro comum é começar pela tecnologia, em vez de entender primeiro quais problemas resolver e quais resultados alcançar.
O erro de começar pela tecnologia
Michele Ferreira, que tem 49 anos e mais de 27 de experiência nos setores de tecnologia e telecomunicações, afirma que o maior erro das empresas é começar a discussão pela IA. Ela passou por empresas como Vivo, TIM e Century, onde liderou áreas de transformação digital, governança, operações e experiência do cliente.
Segundo a executiva, a prioridade deve ser compreender quais problemas precisam ser resolvidos e quais resultados o negócio pretende alcançar. "É muito menos do como e muito mais do por que e para que", declarou.
Por que a IA sem estratégia vira custo, não ganho
Quando uma empresa adota IA sem planejamento, ela não elimina ineficiências, apenas troca uma despesa por outra. Michele explica que muitas organizações continuam carregando práticas que fizeram sentido no passado, mas deixaram de agregar valor. Revisar esses processos antigos é condição para aproveitar o potencial da inteligência artificial.
O resultado prático: a empresa investe em ferramentas, treinamento e infraestrutura, mas não vê retorno mensurável. A produtividade não sobe, e os custos operacionais se mantêm ou aumentam.
O desafio dos sistemas legados
A executiva deu ênfase aos desafios da modernização de sistemas legados, ainda presentes em setores como telecomunicações, indústria, varejo e agronegócio. Substituir essas plataformas exige planejamento cuidadoso para garantir a continuidade da operação.
Michele alerta que sistemas antigos, muitas vezes críticos para o funcionamento do negócio, não podem ser trocados de uma hora para outra. É preciso mapear dependências, testar integrações e preparar a equipe para a transição.
IA para ampliar pessoas, não substituí-las
Na avaliação de Michele, a inteligência artificial deve ser utilizada para ampliar a capacidade das pessoas, e não para substituí-las. Atividades repetitivas podem ser automatizadas, liberando os profissionais para tarefas de análise, criatividade e solução de problemas.
Essa visão contrasta com o discurso apocalíptico que vê a IA como ameaça aos empregos. Para a executiva, o ganho real está em usar a tecnologia para que as pessoas façam melhor o que já fazem, ou passem a fazer coisas que antes não podiam.
O cenário brasileiro: infraestrutura e data centers
Ao comentar o cenário brasileiro, Michele disse que o país ainda enfrenta limitações de infraestrutura, principalmente pela escassez de data centers locais. Ela defendeu o avanço de iniciativas para ampliar essa capacidade.
A falta de infraestrutura local pode elevar custos de processamento e armazenamento, especialmente para empresas que dependem de baixa latência ou precisam cumprir regulações de dados. A executiva vê na ampliação da capacidade de data centers um passo essencial para a transformação digital no Brasil.
Parceiros estratégicos, não só fornecedores
Para Michele, empresas que desejam acelerar a transformação digital precisam buscar parceiros estratégicos, e não só fornecedores de tecnologia. "A tecnologia nunca é fim. É sempre meio de resolver problemas reais de pessoas reais", declarou.
A diferença entre um fornecedor e um parceiro estratégico está no nível de envolvimento: enquanto o fornecedor entrega uma ferramenta, o parceiro ajuda a empresa a entender o problema, desenhar a solução e medir os resultados.
Como evitar que a IA vire custo: 3 passos práticos
- Defina o problema primeiro, Antes de escolher qualquer ferramenta de IA, pergunte: que resultado queremos alcançar? Que dor estamos resolvendo?
- Revise processos antigos, Muitas empresas automatizam ineficiências. Michele alerta que práticas que fizeram sentido no passado podem não agregar mais valor.
- Busque um parceiro, não um vendedor, A transformação digital exige quem entenda do negócio, não só quem entrega tecnologia.
O que muda com a abordagem certa
Quando a IA é adotada com estratégia, o cenário se inverte: os custos diminuem, a produtividade sobe e as pessoas ganham tempo para tarefas mais relevantes. O erro, segundo Michele, é pular a etapa de planejamento e ir direto para a implementação.
A declaração foi dada ao Poder360 em entrevista gravada em Brasília na 4ª feira (9.jul.2026). Em 2026, Michele assumiu a área comercial da Druid durante a expansão da empresa e o lançamento do Fast Forward Engineering, metodologia baseada em inteligência artificial para acelerar o desenvolvimento de sistemas críticos.
Perguntas Frequentes
IA sem estratégia realmente aumenta custos?
Sim, segundo a vice-presidente de Operações e Clientes da Druid, Michele Ferreira. Empresas que adotam IA sem planejamento tendem a substituir um custo por outro sem ganhar eficiência.
Qual o maior erro das empresas ao adotar IA?
O maior erro é começar a discussão pela tecnologia, em vez de entender primeiro quais problemas precisam ser resolvidos e quais resultados o negócio pretende alcançar.
IA vai substituir empregos?
Na avaliação de Michele, a inteligência artificial deve ampliar a capacidade das pessoas, não substituí-las. Atividades repetitivas podem ser automatizadas, liberando profissionais para tarefas de análise e criatividade.
Como modernizar sistemas legados sem parar a operação?
A substituição exige planejamento cuidadoso, mapeamento de dependências, testes de integração e preparação da equipe para a transição, garantindo a continuidade da operação.
O Brasil tem infraestrutura para IA?
Michele afirma que o país ainda enfrenta limitações, principalmente pela escassez de data centers locais, e defende o avanço de iniciativas para ampliar essa capacidade.
O que é Fast Forward Engineering?
É uma metodologia baseada em inteligência artificial, lançada pela Druid em 2026, para acelerar o desenvolvimento de sistemas críticos.
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