# Indicado de Trump a embaixador ainda não tem aval do Brasil

> O deputado Daniel Perez, indicado por Donald Trump para embaixador dos EUA no Brasil, ainda não recebeu o aval formal do governo brasileiro. A análise do nome não tem prazo definido e pode se estender além das eleições de outubro, aguardando avaliação diplomática e política.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 18 de julho de 2026 · Sol Henriques*

O deputado Daniel Perez, indicado por Donald Trump para ser embaixador dos EUA no Brasil, ainda não recebeu o aval formal do governo brasileiro. A análise não tem prazo e pode se estender além das eleições de outubro.

O deputado estadual Daniel Perez, indicado por Donald Trump (Partido Republicano) para representar os Estados Unidos no Brasil, ainda não recebeu o agrément do governo brasileiro. Trata-se da autorização formal e obrigatória para que um diplomata assuma o cargo. Sem esse aval, ele não pode iniciar a missão. O processo de análise não tem prazo definido e depende exclusivamente do Palácio do Planalto, que pode levar o tempo que considerar necessário.

**O que é o agrément e por que ele é crucial**

O agrément é a etapa inicial e indispensável para qualquer nomeação diplomática. Cabe ao país anfitrião, no caso, o Brasil, investigar o histórico do indicado, incluindo eventuais declarações contra autoridades ou instituições locais. O país pode, inclusive, nunca responder. Foi o que aconteceu com Marcelo Crivella, indicado pelo governo Bolsonaro em junho de 2021 para a embaixada do Brasil na África do Sul. Passados quase seis meses de silêncio, o próprio Brasil retirou formalmente a indicação em novembro daquele ano.

## O caminho inverso de Perez

Uma quebra de protocolo incomodou o governo brasileiro. Pela prática usual, a consulta sobre um nome é feita em sigilo antes de qualquer anúncio público. Só depois de aprovado o nome é que a indicação costuma ser tornada pública. Os EUA fizeram o caminho inverso: o currículo de Perez e o pedido formal de agrément só chegaram ao Itamaraty depois de Trump anunciar publicamente a escolha, em 1º de junho. Para diplomatas brasileiros, o processo já começou com rusgas.

### O contexto político e o tarifaço

Trump escolheu Perez durante as negociações do tarifaço e depois das idas de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos, onde ele participou de uma audiência pública no Congresso norte-americano sobre o tema. Ter um embaixador norte-americano no Brasil é visto como positivo para auxiliares de Lula, mas a indicação veio a poucos meses das eleições presidenciais de outubro. O tema ganhou ainda mais sensibilidade depois de o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, publicar críticas à política econômica brasileira após o anúncio do tarifaço.

## A sabatina no Senado dos EUA

Enquanto aguarda o agrément brasileiro, Perez também precisa avançar no processo interno dos Estados Unidos. Ele foi sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano nesta quinta-feira (16 de julho), etapa que antecede a aprovação do nome pelo plenário. Durante a sabatina, Perez afirmou que, se confirmado, vai defender "eleições livres e justas" no Brasil, além de apoiar as instituições democráticas e a liberdade de expressão no país. Ele também listou como prioridades a proteção de cidadãos norte-americanos no Brasil, o avanço de interesses comerciais dos EUA, o combate ao tráfico de drogas e ao crime transnacional, e parcerias que beneficiem a economia e os trabalhadores norte-americanos.

### Troca de farpas entre Brasil e EUA

A sabatina ocorreu no mesmo dia em que Brasil e EUA trocaram farpas publicamente, um dia depois de o tarifaço entrar em vigor. O governo norte-americano defendeu a medida como retaliação a Lula, enquanto o Planalto classificou as tarifas como interferência indevida e avalia aplicar reciprocidade.

## Quem é Daniel Perez

Perez é filho de imigrantes cubanos e crítico de governos de esquerda na América Latina. Se confirmado pelo Senado norte-americano, ele substituirá a embaixadora Elizabeth Bagley, que deixou o posto em janeiro de 2025. Desde então, os EUA têm apenas um encarregado de negócios no Brasil, o diplomata Gabriel Escobar. Os EUA ficaram 17 meses sem embaixador no Brasil.

## O que esperar daqui para frente

A análise do agrément não tem prazo para conclusão e pode ser postergada para depois das eleições de outubro. O governo brasileiro pode simplesmente não responder ao pedido formal, como já fez em casos anteriores. Enquanto isso, Perez aguarda a aprovação do plenário do Senado norte-americano, que deve ocorrer nas próximas semanas.

## Perguntas Frequentes

### O que é o agrément?

É a autorização formal e obrigatória que um país concede a um diplomata estrangeiro para que ele possa assumir o cargo de embaixador. Sem ele, a missão não pode começar.

### Quanto tempo leva o processo de agrément?

Não há prazo definido. Cada país decide o tempo necessário para investigar o histórico do indicado. No caso de Daniel Perez, a análise pode se estender por meses, inclusive para depois das eleições de outubro.

### O que acontece se o Brasil não responder?

O país pode simplesmente nunca responder ao pedido. Foi o que ocorreu com Marcelo Crivella, indicado pelo governo Bolsonaro para a embaixada na África do Sul em 2021. Após quase seis meses de silêncio, o Brasil retirou a indicação.

### Daniel Perez já foi aprovado pelo Senado dos EUA?

Ainda não. Ele foi sabatinado pela Comissão de Relações Exteriores do Senado em 16 de julho, mas precisa da aprovação do plenário para ser confirmado.

### Quem está representando os EUA no Brasil atualmente?

Desde janeiro de 2025, quando a embaixadora Elizabeth Bagley deixou o posto, os EUA têm apenas um encarregado de negócios, o diplomata Gabriel Escobar.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/indicado-trump-embaixador-ainda-nao-tem-aval-brasil/
