# Investigação contra Carlos e antiga cúpula da Abin segue na 1ª instância

> A investigação contra Carlos Bolsonaro e outros 27 investigados, incluindo a antiga cúpula da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), segue tramitando na 1ª instância da Justiça Federal. O ministro Alexandre de Moraes arquivou o caso contra Jair Bolsonaro e o ex-diretor da Abin por uso ilegal do sistema First Mile, mas manteve a apuração sobre os demais envolvidos.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 21 de julho de 2026 · Sol Henriques*

O ministro Alexandre de Moraes arquivou investigação sobre uso ilegal do sistema First Mile contra Bolsonaro e ex-diretor da Abin, mas caso contra Carlos Bolsonaro e outros 27 segue na Justiça Federal.

## Investigação contra Carlos e antiga cúpula da Abin segue na 1ª instância

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou na segunda-feira (20) o arquivamento da investigação sobre o uso ilegal do sistema de espionagem First Mile pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) em relação ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ao ex-diretor-geral da Abin Alexandre Ramagem, e aos ex-agentes Marcelo Araújo Bormevet e Giancarlo Gomes Rodrigues.

Ao mesmo tempo, o ministro determinou que a investigação continue, mas na primeira instância da Justiça Federal, em relação a Carlos Bolsonaro e a outros 27 investigados, entre ex-dirigentes e servidores da agência.

### Por que o caso foi arquivado para Bolsonaro e Ramagem?

Na decisão, Moraes explicou que não há necessidade de um novo processo contra Bolsonaro, Ramagem, Bormevet e Giancarlo, uma vez que os mesmos fatos já foram julgados contra eles. Os quatro integram núcleos condenados pela Primeira Turma do STF nas ações penais da trama golpista, que tratou da tentativa de golpe de Estado e da atuação da Abin como instrumento para desacreditar as eleições de 2022.

Como o próprio uso do First Mile já foi usado como prova naquelas condenações, a Procuradoria-Geral da República entendeu que reabrir o caso agora seria julgar os mesmos fatos duas vezes.

Bolsonaro era o único investigado com foro privilegiado no STF, e como a ação contra ele foi arquivada, não há mais motivo para o caso continuar na Corte. A investigação sobre os outros 28 indiciados, que não têm foro especial, segue agora para o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).

### Quem segue investigado?

Entre os que seguem investigados, está Carlos Bolsonaro, apontado pela PF como integrante do "núcleo político" e ligado à coordenação do "Gabinete do Ódio".

Moraes também determinou o arquivamento, por falta de provas, das investigações contra cinco pessoas ligadas à cúpula atual da Abin: Luiz Carlos Nóbrega (chefe de gabinete), Luiz Fernando Corrêa (diretor-geral), José Fernando Chuy (corregedor) e Lucio de Andrade Vaz (coordenador de operações de busca). Além deles, o ex-diretor-geral da Abin também teve o caso arquivado. Ex-número dois da Abin, Alessandro Moretti foi demitido do cargo de diretor-adjunto da agência, em 2024, pelo atual presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva.

Para o ministro, as acusações contra esse grupo, de tentar atrapalhar a investigação ou pressionar testemunhas, foram descritas de forma genérica, sem que a PF apontasse fatos, datas ou provas que sustentassem a abertura de um processo penal.

### Como começou a investigação

A investigação foi aberta a partir de reportagem do jornal O Globo que revelou, em março de 2023, o uso do programa de monitoramento durante o governo Bolsonaro.

Segundo a investigação, uma célula clandestina se instalou dentro da Abin a partir de 2019 e usou o sistema First Mile, fornecido pela empresa israelense Cognyte, para localizar em tempo real o celular de alvos políticos, sem qualquer autorização judicial e sem que as operadoras de telefonia soubessem.

A ferramenta teria sido usada para rastrear, entre outros, quatro ministros do STF (Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Luís Roberto Barroso), parlamentares, jornalistas e até servidores do Ibama e da Receita Federal.

A Polícia Federal concluiu, em relatório final entregue em junho, que a estrutura funcionou como um núcleo de contrainteligência a serviço de interesses políticos do então presidente, associado também à disseminação de desinformação contra o sistema eleitoral e o próprio STF, o chamado "Gabinete do Ódio".

### O que esperar agora?

Com o caso remetido ao TRF-1, a investigação contra Carlos Bolsonaro e os demais 27 indiciados segue na primeira instância da Justiça Federal. A tendência é que a tramitação seja mais longa, sem o rito acelerado do STF, e que novas provas possam surgir ao longo do processo.

## Perguntas Frequentes

### Por que o caso de Carlos Bolsonaro não foi arquivado?

Carlos Bolsonaro não tem foro privilegiado no STF, e a investigação contra ele não foi atingida pelo arquivamento dos fatos já julgados na trama golpista, então segue na primeira instância.

### O que é o sistema First Mile?

É um sistema de espionagem israelense, fornecido pela Cognyte, que permite localizar em tempo real o celular de alvos, sem autorização judicial.

### Quem foi arquivado por falta de provas?

Cinco pessoas ligadas à cúpula atual da Abin (Luiz Carlos Nóbrega, Luiz Fernando Corrêa, José Fernando Chuy e Lucio de Andrade Vaz) e o ex-diretor-geral tiveram o caso arquivado por falta de provas concretas.

### O que é o "Gabinete do Ódio"?

Segundo a PF, é um núcleo de contrainteligência a serviço de interesses políticos, associado à disseminação de desinformação contra o sistema eleitoral e o STF.

### Para onde vai a investigação agora?

Para o TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), onde segue na primeira instância contra os 28 investigados sem foro especial.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/investigacao-contra-carlos-antiga-cupula-abin-segue-1-instancia/
