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Jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia revela torturas em prisão russa

ResumoO jornalista e ativista Maksym Butkevych, ex-prisioneiro de guerra na Ucrânia, revelou à CNN Brasil torturas físicas e psicológicas sofridas em cativeiro russo. Butkevych foi condenado a 13 anos por tribunal controlado pela Rússia, em processo que classifica como fabricado. O relato expõe violações sistemáticas de direitos humanos contra prisioneiros de guerra ucranianos.

O jornalista e ativista Maksym Butkevych, ex-prisioneiro de guerra na Ucrânia, revela em entrevista à CNN Brasil as torturas físicas e psicológicas que sofreu em cativeiro russo. Condenado a 13 anos por um tribunal controlado pela Rússia, ele afirma que o processo foi fabricado p

Sol Henriques
Jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia revela torturas em prisão russa

Jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia revela torturas em prisão russa — Foto: Reprodução / Blog Sem Juízo

Jornalista ex-prisioneiro de guerra da Ucrânia revela torturas em prisão russa

Maksym Butkevych, jornalista e ativista de direitos humanos, foi um dos primeiros voluntários ucranianos capturados pelos russos após a invasão de 2022. Preso na região de Luhansk, ele passou dois anos e quatro meses em cativeiro até ser libertado em uma troca de prisioneiros em outubro de 2024. Em entrevista exclusiva à CNN Brasil, em Lviv, ele revela as torturas que sofreu e como foi condenado por crimes que jamais cometeu.

O que Maksym Butkevych revela sobre as torturas em prisão russa?

Butkevych descreve um sistema de maus-tratos constante. Interrogatórios acompanhados de espancamentos, ameaças, privação de itens básicos e sessões de exaustão física faziam parte da rotina dos prisioneiros. "A maioria dos interrogatórios não buscava informação militar. Eles queriam nos quebrar, destruir o nosso espírito", afirmou.

Como foi a condenação do jornalista na Rússia?

O ativista foi condenado a 13 anos de prisão em março de 2023 por um tribunal controlado pela Rússia. O governo russo alega que ele admitiu a culpa pelos crimes. Butkevych, no entanto, afirma que a confissão foi obtida sob tortura e pressão psicológica extrema. "Eles me explicaram muito claramente o que aconteceria comigo se eu não assinasse. Eu seria quebrado fisicamente e mentalmente", disse.

A organização Anistia Internacional denunciou o processo como uma farsa e classificou o caso como retaliação dos russos contra o ativismo humanitário.

Quais foram as condições de prisão relatadas por Butkevych?

Segundo ele, os prisioneiros eram obrigados a realizar exercícios físicos até a exaustão, sob ameaça de agressões. Viviam em condições precárias, sem itens básicos de higiene, sem roupas adequadas e até sem sapatos. Além da violência física, havia intensa pressão psicológica e ideológica. Os prisioneiros eram forçados a ouvir versões distorcidas da história e repetir discursos de propaganda.

"Nos diziam que a Ucrânia não existia mais, que Kiev havia caído, que éramos um povo só com a Rússia. Era uma tentativa constante de apagar nossa identidade", afirmou.

Por que o caso Butkevych é um alerta sobre a guerra na Ucrânia?

Para Butkevych, a experiência revela algo mais profundo sobre o conflito. "Para os ucranianos, é muito claro que esta não é uma guerra por território. A Rússia não precisa de mais território. Esta é uma guerra de valores, uma guerra de visões de mundo", afirmou. Segundo ele, o que está em jogo é a tentativa de impor um modelo em que o Estado tem poder absoluto sobre os indivíduos.

"Para o governo russo, o Estado é o valor número um. As pessoas não têm poder de decisão. Elas apenas devem obedecer", disse, contrastando com a percepção dos ucranianos, mesmo dentro das prisões. "Todos compartilhavam a ideia de que as pessoas têm o poder. Que a dignidade humana deve ser respeitada. Que o Estado deve servir às pessoas, e não o contrário", afirmou.

O que Maksym Butkevych faz após ser libertado?

Após ser libertado, Butkevych passou a se dedicar a dar voz aos que continuam presos. "Há milhares de ucranianos ainda em cativeiro. Eles não podem falar. Então eu tenho que falar por eles", afirmou. Ele atua para denunciar violações de direitos humanos e pressionar por novas trocas de prisioneiros, levando ao mundo relatos do que descreve como um sistema organizado de tortura, coerção e propaganda.

"É uma luta que vai muito além de fronteiras. É uma luta sobre que tipo de mundo queremos viver", concluiu.

Perguntas Frequentes

Butkevych realmente confessou os crimes?

Segundo o governo russo, ele admitiu a culpa. Mas Butkevych afirma que a confissão foi obtida sob tortura e pressão psicológica extrema.

Quanto tempo Butkevych ficou preso?

Ele passou dois anos e quatro meses em cativeiro, até ser libertado em outubro de 2024 em uma troca de prisioneiros.

O que a Anistia Internacional disse sobre o caso?

A organização denunciou o processo como uma farsa e disse que se tratava de retaliação contra o ativismo humanitário.

Butkevych foi condenado por crimes de guerra?

Sim, ele foi condenado a 13 anos de prisão por um tribunal controlado pela Rússia, por supostos crimes de guerra cometidos em cidades onde nunca esteve.

O que Butkevych faz hoje?

Ele atua para denunciar violações de direitos humanos e pressionar por novas trocas de prisioneiros, dando voz aos que ainda estão em cativeiro.

Sol Henriques

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Sol Henriques cobre o setor de meios de pagamento e crédito no Blog Sem Juízo. Análises técnicas, sem viés comercial.