Senta que lá vem história: o mercado de investimentos brasileiro vive um dilema que parece simples, mas mexe com o bolso de quem quer diversificar a carteira. Enquanto a Selic está nas alturas, criar produtos novos vira missão quase impossível. Quem explica é Tiago Lima, head de Distribuição do BTG Asset, em entrevista ao Poder360 durante a Expert XP 2026, em São Paulo.
Os juros altos dificultam criação de produtos porque, com a taxa básica em 14,25% ao ano, ativos de baixo risco já garantem retornos gordos. Para Lima, "se tem um risco soberano Brasil com juro real ao redor de 8%, o custo de oportunidade para movimentar esse capital tem que ser muito grande". Ou seja, por que se arriscar em fundos imobiliários ou FIDCs se o Tesouro Direto já paga bem?
A declaração foi dada na Expert XP 2026, um dos maiores eventos do setor na América Latina. O Poder360 tem parceria de mídia com o evento e está com um estúdio no pavilhão para entrevistar executivos, especialistas e autoridades.
O que muda com a queda da Selic?
A boa notícia é que o Banco Central já começou a afrouxar a corda. Foram três cortes de 0,25 ponto percentual cada, sinalizando que o ciclo de aperto pode estar perto do fim. Na visão de Lima, uma eventual queda da Selic deve trazer de novo o apetite ao risco e estimular a criação de novos produtos financeiros.
Isso significa que, quando os juros caírem, os gestores vão voltar a desenhar fundos imobiliários, FIDCs, crédito estruturado e Fiagros, produtos que se expandiram muito na última década.
O mercado ficou mais exigente
Lima lembra que o setor passou por uma forte sofisticação nos últimos anos. "Não adianta vender um produto, é preciso vender uma solução de investimento financeira para o cliente dentro de um hall de ativos que se sofisticou muito", declarou.
Antes, o mercado era baseado em poucas opções. Agora, exige soluções personalizadas para cada perfil de investidor. O crescimento da quantidade de opções também aumentou, o que torna o trabalho de distribuição mais complexo.
O que esperar daqui para frente?
Se a Selic continuar caindo, o cenário muda de figura. O custo de oportunidade para investir em ativos de risco diminui, e os gestores voltam a ter incentivo para criar produtos inovadores. Até lá, o mercado segue esperando o sinal verde.
Selic e investimentos
Perguntas Frequentes
Como os juros altos afetam a criação de fundos?
Com a Selic elevada, ativos de baixo risco já oferecem retornos altos, reduzindo o interesse por opções mais arriscadas e desestimulando o lançamento de novos produtos.
Qual é a taxa Selic atual?
A Selic está em 14,25% ao ano, após três cortes de 0,25 ponto percentual iniciados pelo Banco Central.
Quem é Tiago Lima?
Tiago Lima é head de Distribuição do BTG Asset, responsável pela área que leva produtos de investimento aos clientes.
O que é a Expert XP?
A Expert XP é um dos principais eventos do mercado financeiro na América Latina, realizado em São Paulo.
Quando os juros devem cair no Brasil?
O Banco Central já iniciou o ciclo de afrouxamento monetário, mas não há data certa para a Selic atingir patamares mais baixos.