# Justiça Militar de SP condena policiais por tortura com roleta-russa

> A Justiça Militar de São Paulo condenou o 1º Sargento Amauri dos Santos e o Cabo Sandro da Silva Nascimento por tortura e abuso de autoridade. A sentença de 15 de julho de 2026 descreve simulação de roleta-russa e violência durante operação no bairro Cangaíba para extrair informações.

*Blog Sem Juízo · Destaques · 21 de julho de 2026 · Igor Bastos*

A Justiça Militar de SP condenou o 1º Sargento Amauri dos Santos e o Cabo Sandro da Silva Nascimento por tortura e abuso de autoridade durante operação no bairro Cangaíba. A sentença, de 15 de julho de 2026, detalha a simulação de roleta-russa e o uso de violência para extrair in

Eu já perdi a conta de quantas vezes, sentado no sofá, vi uma notícia de violência policial e pensei "isso vai dar em nada". Dessa vez, deu em sentença. E não foi uma sentença qualquer.

A Justiça Militar do Estado de São Paulo condenou os policiais militares 1º Sargento PM Amauri dos Santos e Cabo PM Sandro da Silva Nascimento por crimes cometidos durante uma operação no bairro Cangaíba, Zona Leste de São Paulo, em 20 de fevereiro de 2025. A decisão, de 15 de julho de 2026, não só reconheceu a tortura como expôs um roteiro de abusos que parece saído de um filme de terror, só que sem o conforto da ficção.

## Como a roleta-russa virou instrumento de tortura

De acordo com a sentença, os agentes submeteram indivíduos já rendidos a "intenso sofrimento físico e mental" com o objetivo de extrair informações sobre locais de armazenamento de drogas. O Sargento Amauri simulou uma "roleta russa", inserindo uma munição no tambor de um revólver e encostando a arma na cabeça e no pescoço de uma das vítimas.

O Tribunal concluiu que o Cabo PM Sandro foi o primeiro a abordar os civis. O Soldado PM Eduardo Uchôa Vieira de Oliveira, ao chegar, desferiu um tapa em um dos abordados. Depois disso, Sandro colocou uma arma na cabeça do civil, sob os olhares de Uchôa, que riu da situação. Eduardo Uchôa e outros agentes tiveram os processos desmembrados e aguardam julgamento.

## A violência como método de investigação

Para a Justiça, a violência foi empregada para extrair informações, configurando o crime de tortura. As informações obtidas durante as ameaças levaram os policiais aos imóveis posteriormente vistoriados na comunidade. A sentença ainda afasta a alegação de que as entradas nas casas decorreram de situação de flagrante, afirmando que não havia razões prévias para as invasões e que as diligências tiveram origem exclusivamente nas informações extraídas das vítimas sob tortura. Por isso, reconheceu a prática do crime de abuso de autoridade.

## A tentativa de apagar as provas

Outro ponto destacado pelo Tribunal foi a tentativa de impedir o registro da ocorrência pelas câmeras corporais. Segundo a decisão, Amauri orientou os policiais a se posicionarem para obstruir as gravações e deixou de acionar deliberadamente a própria câmera corporal, com o objetivo de dificultar investigações. A conduta foi enquadrada como fraude processual.

A decisão também reconheceu a prática de peculato pelo 1º sargento Amauri. Conforme a sentença, os materiais recolhidos foram colocados na viatura sob sua responsabilidade sem qualquer formalização de apreensão, registro operacional ou apresentação à autoridade competente.

## As penas e a hierarquia que falhou

Ao fixar as penas, a Justiça Militar ressaltou que Amauri era o policial mais graduado presente na ocorrência e tinha o dever funcional de impedir abusos. Em vez disso, segundo a sentença, ele intensificou a violência, utilizou sua posição hierárquica para ampliar o sofrimento das vítimas e deu continuidade às ilegalidades.

O 1º sargento Amauri dos Santos foi condenado à pena de 12 anos, cinco meses e 18 dias, no regime fechado, pelos crimes de tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato. Ele foi absolvido apenas da acusação de porte ilegal de arma de fogo por insuficiência de provas quanto à natureza do objeto utilizado na chamada "roleta russa".

Já o cabo Sandro da Silva Nascimento foi condenado à pena de quatro anos, dez meses e 16 dias, a ser cumprida em regime semiaberto, por tortura e abuso de autoridade.

A CNN Brasil tenta contato com as defesas. O espaço segue aberto.

## Perguntas Frequentes

### O que foi a operação no bairro Cangaíba?

Foi uma ação policial em 20 de fevereiro de 2025, na Zona Leste de São Paulo, onde policiais submeteram civis rendidos a tortura para extrair informações sobre drogas.

### Quem foi condenado pela Justiça Militar de SP?

O 1º Sargento PM Amauri dos Santos e o Cabo PM Sandro da Silva Nascimento foram condenados. O Soldado PM Eduardo Uchôa Vieira de Oliveira e outros agentes aguardam julgamento.

### Qual foi a pena do sargento Amauri?

Ele foi condenado a 12 anos, 5 meses e 18 dias de prisão em regime fechado, por tortura, abuso de autoridade, fraude processual e peculato.

### Qual foi a pena do cabo Sandro?

Ele foi condenado a 4 anos, 10 meses e 16 dias em regime semiaberto, por tortura e abuso de autoridade.

### Por que a roleta-russa foi considerada tortura?

A Justiça entendeu que a simulação de roleta-russa causou intenso sofrimento físico e mental nas vítimas, configurando o crime de tortura previsto na legislação.

### O que aconteceu com as câmeras corporais dos policiais?

Segundo a sentença, Amauri orientou policiais a obstruir as gravações e deixou de acionar sua própria câmera, configurando fraude processual para dificultar investigações.

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Fonte (canonical): https://blogsemjuizo.com.br/destaques/justica-militar-sp-condena-policiais-por-tortura-8220roleta-russa8221/
