O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se disse "deprimido" com as acusações de tráfico de influência contra o filho Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. A declaração foi dada em entrevista ao "Jornal Nacional".
"Estou muito tranquilo em relação a isso. Muito deprimido e muito chateado, porque o meu filho sabe que não poderia cometer nenhum erro e se cometeu vai ter que pagar", afirmou.
Lula também classificou as investigações como "ilações tiradas de telefonemas" e negou que exista qualquer acusação formal contra o filho. "Não tem nenhuma acusação, são ilações tiradas de um telefonema. Conheço isso muito bem porque já vivi isso. Eu não sou do Ministério Público, não sou delegado, não sou juiz. Sou presidente da República e pai do Fábio. Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele tem que pagar como qualquer cidadão."
A referência era à lobista Roberta Luchsinger, que relatou em conversa com um empresário gastar R$ 100 mil por mês para bancar despesas de Lulinha. A informação está no inquérito em curso no STF (Supremo Tribunal Federal) que apura se o filho do presidente e Luchsinger teriam atuado para fechar contratos na Dataprev, empresa de tecnologia do governo federal. Segundo investigadores, Roberta teria dito que seria necessário parar de pagar passagens devido à demora em receber pagamentos acordados.
Lula questionou: "O que uma 'pilantra' pode fazer num telefone ou um cara qualquer pode fazer num telefone?" E completou: "Estou dizendo para você que o fato de ter pego conversa num telefone não justifica absolutamente nada."