Fontes próximas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disseram à CNN Brasil que ele ficou "revoltado" e "decepcionado" ao saber que parte do empréstimo contraído pelo seu ex-chefe de gabinete presidencial, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, foi para comprar joias.
Após vir à tona que Marcola pegou dinheiro emprestado com a lobista Roberta Luchsinger, ele explicou ao presidente e ao entorno que, na época, enfrentava dificuldades financeiras por causa do nascimento do segundo filho. Essa versão, embora desconfortável, era "até aceitável" para o círculo de Lula.
Porém, após vazamentos de mensagens extraídas dos celulares de Luchsinger, o dado de que Marcola usou parte do recurso para comprar joias para a mãe caiu como uma bomba no Palácio do Planalto. A defesa do ex-assessor afirma que as joias custaram R$ 9.200, valor devolvido na quitação do empréstimo de cerca de R$ 240 mil.
Amigos de Marcola estão preocupados com seu estado de saúde mental, segundo fontes, mas avaliam que ele traiu a confiança de Lula. Agora, o presidente pode arcar com o desgaste eleitoral, explorado pela oposição. Trackings da campanha à reeleição já detectaram o "efeito Marcola" pesando negativamente.
Dirigentes da campanha dizem que, por ora, Marcola está "banido" do círculo político do presidente. Já o caso de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, é minimizado: argumentam que não há indício de que ele tenha recebido dinheiro em troca de tráfico de influência.
Avaliam também que a postura de Lula de defender investigações marca contraponto a Jair Bolsonaro, que, segundo o então ministro da Justiça Sérgio Moro, tentava interferir na Polícia Federal para proteger o filho Flávio. Uma fonte admitiu: Marcola pode ser banido, mas o filho do presidente, não.